ESSNorteCVP - Dissertação
Permanent URI for this collection
Browse
Browsing ESSNorteCVP - Dissertação by Title
Now showing 1 - 10 of 11
Results Per Page
Sort Options
- Atitudes dos Enfermeiros Portugueses Face à Violência nos Contextos ClínicosEmanuel da Silva AlmeidaEnquadramento: O comportamento agressivo e a violência direcionados à equipa multidisciplinar em geral, e à enfermagem em particular, constitui uma realidade presente nos diferentes contextos de prestação de cuidados, podendo colocar em causa a segurança e a qualidade dos cuidados prestados. Desta forma, importa entender quais as atitudes dos enfermeiros portugueses face a episódios de violência que possam ocorrer. Objetivo: identificar as atitudes dos enfermeiros portugueses face à violência nos diversos contextos clínicos em Portugal e identificar a sua relação com os fatores sociodemográficos e profissionais. Método: Estudo de cariz quantitativo, descritivo-correlacional e transversal. Recorre a um questionário de autopreenchimento composto por três partes que inclui a aplicação do instrumento denominado Escala de Conotações Atitudinais da Agressão, numa amostra não probabilística por conveniência, de enfermeiros a exercer funções nos vários contextos clínicos em Portugal, com posterior análise de estatística descritiva e inferencial. Resultados: Amostra composta por 146 enfermeiros provenientes de diversas ULS de Portugal, 49,7 % por Enfermeiros dentro das várias especialidades e 51,3% por Enfermeiros não especialistas. Os Enfermeiros no geral consideram a violência como algo de teor negativo e que não deve ser tolerada. Os Enfermeiros Especialistas em Saúde Mental têm uma maior propensão a considerar a violência como algo negativo, intrusivo e obstrutivo ao cuidado relativamente a outras especialidades. Enfermeiros mais jovens veem a violência com uma conotação de comunicação ao contrário dos mais experientes que a têm como algo obstrutivo ao cuidado. A amostra considera que a forma como comunica, e a frustração de estar internado como fatores maiores para episódios de violência. Conclusão: Episódios de violência e comportamento agressivo continuam a ser vistos como impeditivos ao cuidado. Melhores políticas promotoras de ambientes mais seguros e uma formação mais incidente no cariz da violência devem ser tidas em conta e implementadas. Os enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica podem ajudar a mitigar esta situação através das suas competências relacionais e através do estabelecimento de programas de formação que capacitem outros a gerir estes fenómenos de forma terapêutica e positiva para o cuidado.
- EFEITOS DE UM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CENTRADO NA GESTÃO DA ENERGIA NA PESSOA COM ENCEFALOMIELITE MIÁLGICA/SÍNDROME DE FADIGA CRÓNICAVânia Maria Azevedo RibeiroIntrodução: A Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica (EM/SFC) é uma doença crónica e multissistémica, caracterizada por fadiga persistente de causa desconhecida e por uma incapacidade funcional significativa. É frequentemente acompanhada de intolerância à atividade e mal-estar pós-esforço, com impacto na autonomia e na qualidade de vida da pessoa. Apesar de reconhecida pela Organização Mundial Saúde desde 1969, continua pouco reconhecida em Portugal, sem diretrizes de diagnóstico e tratamento nem dados epidemiológicos oficiais do fardo desta doença na população. Sem tratamento curativo, a gestão da energia, na pessoa com EM/SFC, destaca-se como estratégia de autogestão da doença centrada na gestão das atividades dentro das capacidades energéticas individuais disponíveis. Neste contexto, a Enfermagem de Reabilitação (ER) assume um papel central, promovendo intervenções educativas e de capacitação para a autogestão da energia, com vista à reconstrução da autonomia. Assim, este estudo visa desenvolver, implementar e avaliar os efeitos de um programa de reabilitação centrado na gestão da energia em pessoas com EM/SFC. Procura-se responder às seguintes questões: a intervenção permite reduzir a perceção de fadiga? Melhora a funcionalidade? Contribui para a melhoria da qualidade de vida da pessoa com EM/SFC? Metodologia: Estudo pré-experimental, com avaliação antes (M0) e 12 semanas após a intervenção (M1), envolvendo um grupo único de adultos com diagnóstico prévio de EM/SFC e com fadiga significativa (Chalder Fatigue Questionnaire (CFQ) >18). A intervenção consistiu num programa online de oito sessões semanais, centrado na capacitação para a gestão da energia e na partilha de um plano de cuidados individualizado. A colheita de dados incluiu questionários sociodemográfico e clínico, CFQ, SF-36 v2 (função física e desempenho físico) e EQ-5D-5L (qualidade de vida). Os desfechos primários foram os níveis de fadiga e de funcionalidade, enquanto a qualidade de vida foi considerada desfecho secundário. Resultados: Treze participantes (12 mulheres e 1 homem) iniciaram o estudo, e doze completaram-no, com a avaliação pré e pós-intervenção. Verificou-se uma redução média da fadiga de 27,8 para 17,9 e um aumento da funcionalidade de 25,4 para 31,7 e desempenho físico de 12,5 para 24,5. A avaliação da qualidade de vida revelou dispersão dos resultados e uma ligeira redução média de 48 para 43. A média de participação nas sessões do programa foi de 87%. A maioria dos participantes (n=10) considerou a estrutura do programa adequada, destacando a utilidade e aplicabilidade prática das sessões. Discussão: A intervenção demonstrou ser eficaz na redução da fadiga percecionada e na melhoria da funcionalidade física a curto prazo. A qualidade de vida mostrou-se influenciada não só pela fadiga e funcionalidade, mas também pela dimensão dor/mal-estar, revelando a sua natureza multidimensional. A intervenção foi segura, abordou os principais desafios vivenciados pelas pessoas com EM/SFC e mostrou-se adequada às capacidades da população-alvo. Conclusão: A intervenção tem potencial para reduzir a fadiga e melhorar a funcionalidade a curto prazo em pessoas com EM/SFC. Este estudo pioneiro abre caminho para respostas de reabilitação em Portugal dirigidas à pessoa com EM/SFC e reforça a necessidade de investigação com amostras maiores, desenho aleatorizado, medidas objetivas e seguimento mais prolongado.
- Entrevista Motivacional como facilitador na mudança: famílias de crianças com sobrepeso ou obesidadeCatarina Isabel Dias MouraA obesidade infantil representa um desafio crescente de saúde pública, com repercussões físicas, emocionais e sociais que impactam significativamente o bem-estar das crianças e das suas famílias. O presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto da Entrevista Motivacional (EM) na promoção da mudança de estágio comportamental em famílias com crianças de 6 a 9 anos com sobrepeso ou obesidade, procurando compreender se esta abordagem seria eficaz para promover ações de mudança. Trata-se de um estudo prospetivo quase-experimental, com grupo de controlo. O grupo de controlo foi submetido às Consultas de Enfermagem de Saúde Infantil e Juvenil (CESIJ), enquanto o grupo experimental participou em sessões de EM. A amostra é composta por 13 participantes (pai/mãe, díade parental ou outro familiar, doravante designado por familiares), 8 no grupo experimental e 5 no grupo de controlo, de crianças com índice de massa corporal (IMC) acima do percentil 85, selecionadas por amostragem aleatória em conglomerados de uma Unidade de Saúde Familiar da Região Norte de Portugal. A recolha de dados incluiu gravações áudio e vídeo das CESIJ e EM, grelha de observação da dinâmica comunicacional, questionário sociodemográfico e a Escala de Estágios de Mudança (EEM). Os dados foram analisados com recurso à estatística descritiva e inferencial, através do software SPSS (versão 25). Os resultados evidenciaram diferenças na dinâmica comunicacional: no grupo experimental, os familiares tiveram mais espaço para se expressar e participaram mais ativamente, enquanto no grupo de controlo predominou a fala do enfermeiro. Este achado confirma que a EM favorece uma comunicação terapêutica mais aberta e centrada na família. Relativamente à evolução motivacional, verificou-se progressão significativa no estágio de ação e tendência positiva no estágio de contemplação, sugerindo que a EM não só facilitou a reflexão sobre a necessidade de mudança, como também promoveu a sua implementação prática. Embora as dimensões de pré-contemplação e manutenção não tenham evidenciado diferenças estatisticamente significativas, os dados apontam para uma influência positiva da EM nos processos motivacionais. A análise correlacional não revelou associações estatisticamente significativas, limitando a possibilidade de confirmar uma relação robusta entre a EM e a mudança de estágios. Ainda assim, os resultados sugerem que a intervenção contribuiu para ganhos motivacionais, sobretudo quando acompanhada por maior envolvimento familiar. Este estudo reforça a evidência de que intervenções motivacionais estruturadas, enquadradas em modelos teóricos como o Modelo Transteórico de Mudança Comportamental (MTT) e o Modelo Dinâmico de Avaliação e Intervenção Familiar (MDAIF), são promissoras na promoção de mudanças comportamentais sustentadas. Na prática clínica, os achados sublinham a importância de integrar a EM nas CESIJ e noutras consultas, superando modelos protocolados e privilegiando estratégias centradas na família. Ao nível das políticas públicas, ressalta-se a importância de programas culturalmente adaptados e da capacitação dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, para a implementação consistente de abordagens motivacionais. Apesar das limitações metodológicas, nomeadamente a reduzida dimensão da amostra e a aplicação pontual da intervenção, este estudo sugere que a EM tem potencial para promover mudanças comportamentais em famílias com crianças com sobrepeso ou obesidade, contribuindo para ganhos efetivos em saúde individual, familiar e comunitária.
- Felicidade no Trabalho e Saúde Mental: um Estudo Descritivo e CorrelacionalAna Margarida Santos Monteiro da CruzEnquadramento: a felicidade no trabalho é cada vez mais relevante para a promoção da saúde mental e para o bem-estar do indivíduo. Objetivos: O estudo atual tem como objetivo principal investigar a correlação entre as componentes sociodemográficas, a felicidade no local de trabalho e a saúde mental. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e correlacional de caráter quantitativo. A recolha de dados foi efetuada por meio da aplicação de um questionário sociodemográfico, da aplicação da escala SHAWS e pela aplicação do MHI-5, a uma amostra de 153 enfermeiros a exercer funções em Portugal, com mais de 2 anos de exercício profissional. Resultados: Com base nos resultados do estudo, constatou-se que a felicidade no trabalho tem uma correlação positiva com a saúde mental, influenciando-se mutuamente. Da aplicação da escala SHAWS, constatou-se que a dimensão que apresenta um valor estatisticamente mais significativo é o comprometimento organizacional, seguida do compromisso organizacional afetivo, sendo que o valor que apresentou uma pontuação mais baixa, mas ainda assim positiva, foi a satisfação no trabalho. Da aplicação da escala MHI-5, constatou-se que os enfermeiros apresentam um sofrimento psicológico leve a moderado., com potenciais sinais de tristeza e ansiedade. Em relação às correlações com as características sociodemográficas, verificou-se que os enfermeiros se encontram muito insatisfeitos face à carreira profissional e bastante insatisfeitos em relação à satisfação global com a enfermagem (mas não tanto, quanto o item anterior). Outro aspeto a salientar deste estudo, é o impacto que a prática de exercício físico tem na saúde mental, influenciando-a positivamente. O estado civil também tem impacto direto na saúde mental e na felicidade no trabalho, ou seja, enfermeiros casados apresentam uma melhor saúde mental e maior felicidade no trabalho, talvez devido ao suporte familiar. A presença de assédio é um item que apresenta uma correlação negativa quer com a felicidade no trabalho, quer com a saúde mental. Conclusões: Importa compreender a felicidade dos trabalhadores no local de trabalho por forma a que sejam desenvolvidas práticas que promovam também a saúde mental. Os resultados encontrados poderão ser relevantes para o desenvolvimento de intervenções promotoras da felicidade como fator protetor da saúde mental. Felicidade; Enfermeiros; Saúde Mental; Local de Trabalho; Enfermagem Psiquiátrica
- Ganhos em Saúde em Famílias Com Excesso de peso/Obesidade Sensíveis à entrevista MotivacionalPaula Alexandra da Mota GomesA obesidade infantil é um dos principais desafios da saúde pública contemporânea, com implicações multidimensionais na saúde física, emocional e social da criança, bem como na dinâmica familiar. Esta investigação teve como objetivo avaliar os ganhos em saúde decorrentes da aplicação da Entrevista Motivacional (EM) em famílias com crianças dos 10 aos 13 anos com excesso de peso ou obesidade, no contexto dos Cuidados de Saúde Primários (CSP). O estudo, de natureza prospetiva quase-experimental, incluiu um grupo experimental (GE) e um grupo de controlo (GC), totalizando 12 participantes recrutados por amostragem de conveniência em conglomerados, numa USF da Região Norte de Portugal. O GE foi submetido a sessões de EM realizadas por um Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na Área de Enfermagem de Saúde Familiar (EEECAESF), enquanto o GC participou nas Consultas de Enfermagem de Saúde Infantil e Juvenil (CESIJ), igualmente realizadas por um EEECAESF, conforme as orientações da Direção-Geral da Saúde. A recolha de dados incluiu gravações áudio e vídeo das sessões, grelhas de observação da dinâmica das intervenções, questionário com dados sociodemográficos e a Escala de Estágios de Mudança (EEM), aplicada antes e após a intervenção. A análise estatística, efetuada com recurso ao software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS® v.25), permitiu identificar progressos nos estágios de mudança comportamental das famílias expostas à EM, bem como um maior envolvimento na adoção de comportamentos promotores de saúde. A EM revelou-se uma estratégia eficaz na capacitação das famílias e na promoção da motivação intrínseca para a mudança, reforçando o papel do EEECAESF como facilitador de processos de transformação sustentada. Os resultados reforçam que a EM constitui uma abordagem válida e baseada na evidência para a prevenção e gestão do excesso de peso e da obesidade infantil.
- INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO NA GESTÃO DO REGIME TERAPÊUTICO DA PESSOA COM PATOLOGIA CARDÍACASusana Margarida Amaro NogueiraEnquadramento: O desenvolvimento e progressão da doença cardiovascular está associado a fatores de risco cardiovascular que a precipitam ou agravam, sendo os programas de reabilitação cardíaca uma resposta de prevenção secundária que deve ser utilizada. Os programas de reabilitação cardíaca incluem a componente educacional, controlo de fatores de risco cardiovascular, para além do treino de exercício e atividade física, intervenção psicossocial, entre outros. O enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação tem um papel preponderante no controlo dos fatores de risco cardiovascular discutindo as práticas de risco com a pessoa e concebendo planos para a redução do risco de alterações da função cardíaca. Objetivos: Melhorar conhecimento relativamente aos fatores de risco cardiovascular e seu controlo, implementar um programa educacional pelo enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação; e avaliar o impacto do programa educacional na adesão ao regime de exercício. Metodologia: Estudo de abordagem quantitativa, com uma metodologia descritiva de grupo único do tipo pré e pós intervenção. A amostra são as pessoas que se deslocam à consulta de cardiologia de uma clínica privada localizada no centro de Portugal. A intervenção iniciou se no dia da consulta de cardiologia e teve continuidade nos dois meses subsequentes, sendo composta por intervenções de natureza educacional. Foi aplicado um questionário sobre os fatores de risco cardiovascular e os níveis de atividade física, assim como foi realizada a mensuração de passos e a avaliação da capacidade funcional no pré e pós intervenção. Os dados recolhidos foram sistematizados em tabelas e gráficos através do software Microsoft Office Excel 2020.Resultados: Foram incluídos no estudo 15 participantes maioritariamente do género masculino (67%), com uma média de idades de 73,13 anos e que na sua maioria (73%)apresentam risco cardiovascular muito elevado. Antes da intervenção apresentaram uma média de “respostas certas” de 13,13, enquanto no final apresentaram uma média de “respostas certas” de 18,87, num total de 20 perguntas. Na prova de marcha de 6 minutos apresentaram ganhos médios de 61,94 metros no pós-intervenção. Na mensuração de passos observou-se um aumento médio de 1217,152 passos comparativamente ao início da intervenção. Após implementação do questionário internacional da atividade física no pré e pós intervenção verificou-se que houve incremento dos níveis de atividade física, passando de uma maioria insuficientemente ativa (80%) para uma maioria moderadamente ativa(67%).Conclusões: Este estudo mostra que a implementação de programas educacionais empessoas com patologia cardíaca, parece ter ganhos a nível de conhecimento e interferir deforma positiva na capacidade funcional e na gestão do regime de exercício. Neste sentido espera-se que mais programas educacionais sejam implementados em pessoas com patologia cardíaca em contexto comunitário e que sejam incluídas também mais componentes dos programas de reabilitação cardíaca com o objetivo de minimizar um dos problemas de saúde pública.
- Intervenções de enfermagem em adolescentes com ansiedade: uma scoping reviewAna Filipa dos Santos MarquesEnquadramento: A adolescência é uma fase de desenvolvimento marcada por transformações biológicas, emocionais, cognitivas e sociais. É um processo de transição entre a infância e avida adulta, sendo frequentemente acompanhado por sintomas de ansiedade. A ansiedade nesta faixa etária pode comprometer o bem-estar, o desempenho académico, as relações interpessoais e o desenvolvimento psicossocial, com possíveis repercussões na vida adulta. Objetivos: Mapear a evidência científica relativa às intervenções realizadas por enfermeiros junto de adolescentes com ansiedade. Metodologia: Scoping Review com base na estratégia metodológica do Instituto Joanna Briggs: população (adolescentes), conceito (intervenções de enfermagem para diminuir a ansiedade) e contexto (qualquer contexto clínico e área geográfica). A pesquisa foi realizada nas bases de dados CINAHL®Complete, MEDLINE Complete via EBSCOhost, Cochrane Library, SciELO. Para a literatura cinzenta recorreu-se ao RCAAP. Foram incluídos estudos publicados em qualquer idioma e sem limite temporal. Resultados: Com a elaboração desta scoping review foi possível identificar as intervenções de enfermagem que contribuem para a diminuição da ansiedade em adolescentes. O corpo da análise de scoping review foi de 11 artigos, os quais cumpriam os critérios de elegibilidade propostos. Foram mapeadas as seguintes intervenções: psicoeducação, hipnose, estratégias de coping, relaxamento muscular progressivo e programas de terapia cognitivo-comportamental. Os resultados foram apresentados em tabelas próprias desenvolvidas pela equipa de investigação. Conclusão: Os resultados relevam para a melhoria da prática dos enfermeiros e uma eventual definição de programas de intervenção de enfermagem sobre a temática em causa, contribuindo assim para a redução da ansiedade em adolescentes. Espera-se que esta revisão sustente o desenvolvimento de intervenções e revisões sistemáticas futuras que potenciem a eficácia dos cuidados prestados ao adolescente com ansiedade.
- MOTIVAÇÃO E ADESÃO AO REGIME DE EXERCÍCIO DE PESSOAS COM DOENÇA RESPIRATÓRIA CRÓNICA A FREQUENTAREM UM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIAViviana Sofia Oliveira SebastiãoIntrodução: A reabilitação respiratória, baseada no treino do exercício, é eficaz no alívio dos sintomas de várias doenças respiratórias crónicas, melhorando a função cardiovascular e muscular, com aumento da tolerância à atividade física e melhoria da qualidade de vida. A componente de exercício físico e a componente educacional são referenciadas como um componente primordial do processo de reabilitação, uma competência do Enfermeiro Especialista e Enfermagem de Reabilitação. Objetivos: Avaliar o impacto da motivação para a prática de exercício físico na capacidade funcional de doentes com doença respiratória crónica, integrados num programa de reabilitação respiratória, através da análise comparativa dos níveis de motivação e da capacidade funcional antes e após a intervenção, identificando ainda os fatores que influenciam essa motivação. Material e métodos: Estudo segue com desenho pré-experimental do tipo pré-teste/pós-teste, tendo o programa sido idealizado para uma duração total de 20 sessões, estruturadas em cinco fases distintas, com atividades adaptadas às necessidades da pessoa. A intervenção consistiu numa abordagem estruturada que integrou componentes de exercício físico supervisionado e intervenção motivacional. O programa de treino compreendeu cinco fases: avaliação inicial, aquecimento, treino aeróbico, treino de força e arrefecimento, adaptados às capacidades individuais dos participantes. A intensidade e duração das atividades foram ajustadas com base em parâmetros clínicos e funcionais previamente avaliados. A componente motivacional foi implementada de forma transversal, com estratégias centradas na pessoa, orientadas para a promoção da adesão, autonomia e autogestão do exercício físico. A recolha de dados foi realizada através da aplicação de um inquérito por questionário. Aplicou-se um questionário ad hoc de caracterização sociodemográfica e clínica, a Fatigue Scale (Functional Assessment of Chronic Illness Therapy – Fatigue); a Escala de Dispneia (mMRC – Modified Medical Research Council) e o Behavioural Regulation in Exercise Questionnaire 2 (BREQ-2). Este estudo será integrado no projeto ePowerCare4All da ESSNorteCVP. A amostra, de natureza não probabilística e obtida por conveniência, integrou 35 participantes com patologia respiratória que frequentaram o Ginásio de Reabilitação Respiratória. Resultados: O presente estudo evidenciou uma evolução positiva entre as fases inicial e final do programa de reabilitação respiratória, nomeadamente com uma ligeira redução do peso e do índice de Massa Corporal, traduzindo-se numa melhoria do perfil nutricional e metabólico dos participantes; melhoria significativa nos níveis de dispneia após o programa de reabilitação, pois, no final do programa, 71,4% apresentavam apenas grau 1 e os graus mais elevados (graus 3 e 4) foram substancialmente reduzidos (p=0,001); nos testes de capacidade funcional, com um aumento médio dos degraus no STEP 6’ de 64,60 para 104,77 e do número médio de repetições no STS 1’ de 15,20 para 21,57 (p=0,000); a motivação para o exercício físico evidenciou uma mudança para formas mais autodeterminadas, com aumento do Índice de Autodeterminação de 1,42 para 6,38 (p=0,000), especialmente na Regulação Identificada e Intrínseca Conclusão: O aumento da motivação autodeterminada para a prática de exercício físico associou-se à melhoria da capacidade funcional em doentes com doença respiratória crónica inseridos num programa de reabilitação respiratória. Os resultados realçam a importância de estratégias motivacionais centradas na pessoa como componente essencial nos programas de reabilitação respiratória.
- Representação Social dos Enfermeiros sobre EletroconvulsivoterapiaLuís Miguel Dias MonteiroA eletroconvulsivoterapia (ECT), é uma técnica usada no tratamento de transtornos psiquiátricos graves, como a depressão resistente ao tratamento; contudo, continua a ser um procedimento estigmatizado, principalmente devido à sua história associada a práticas abusivas. Estes aspetos, associação com práticas do passado, constituem-se como fatores que influenciam negativamente as perceções e atitudes dos enfermeiros, afetando a qualidade dos cuidados de enfermagem ao utente. Neste contexto, compreender as representações sociais dos enfermeiros sobre a ECT é fundamental, numa época em que assistimos à sua crescente utilização. Este estudo tem como objetivo geral explorar e compreender as perceções dos enfermeiros sobre a ECT, analisando os significados atribuídos, indicações, benefícios, complicações e intervenções de enfermagem associadas. O estudo enquadra-se no paradigma qualitativo, exploratório e descritivo, dirigido a uma amostra não probabilística do tipo bola de neve. Os dados forma recolhidos através de questionário online, que integra uma caracterização sociodemográfica e o TALP (Martins, 2020), que é um método eficaz para representar cognitivamente a maneira como os enfermeiros percebem um determinado fenómeno ou condição. O TALP integra cinco perguntas indutoras de estímulo, para as quais os participantes forneceram cinco palavras ou expressões que associam a cada questão. A análise dos dados foi realizada com o auxílio do software NVivo 15. O estudo integrou a UID, na linha L1 – Resposta humana ao processo de saúde/doença, com parecer positivo da Comissão de Ética (parecer nº 38/2024). Todos os participantes deram o seu consentimento livre e esclarecido, o qual integrou o questionário. Participaram 107 enfermeiros, maioritariamente do sexo feminino, repartidos quase equitativamente entre enfermeiros especialistas e generalistas, com uma representação mais baixa para mestres ou doutorados, na sua grande maioria com contexto de trabalho na área hospitalar. A faixa etária mais representativa situou-se entre os 32 e os 41 anos. Partindo da questão inicial e dos objetivos, foram identificadas à priori 5 categorias, sendo estas: (i) significados atribuídos; (ii) patologias associadas (iii) benefícios (iv) complicações (v) intervenções de enfermagem. Com recurso à análise de conteúdo, foram identificadas 16 subcategorias, distribuídas pelas 5 categorias. Estes resultados evidenciam a existência de uma visão da ECT centrada na componente técnica, descurando de alguma forma a componente do apoio emocional ao utente e família, deixando perceber igualmente que ainda existe um elevado estigma em relação ao tratamento. Em termos de patologias associadas, existe uma clara maioria com as indicações para a ECT bem definida, com alternância entre as patologias psicóticas e as patologias da linha do humor. Os benefícios também se encontram bem definidos, com uma tendência clara para a melhoria do estado emocional e eficácia do tratamento. As complicações associadas também se focam em grande parte nas complicações físicas, muitas vezes resultantes do procedimento anestésico, mas pode-se realçar a referência às alterações cognitivas e mnésicas. Em relação às intervenções dos enfermeiros, o foco realmente centra-se nas questões técnicas do tratamento, com especial realce na componente anestésica, relegando as questões emocionais para segundo plano Este estudo contribuiu para uma maior compreensão sobre as perceções dos enfermeiros em relação à ECT, identificando os significados atribuídos à ECT pelos enfermeiros, as patologias associadas, assim como, os benefícios e complicações. Identificar a perceção dos enfermeiros relativas às intervenções de enfermagem associadas à ECT, permitiu conhecer a dinâmica de cuidados dos enfermeiros, fundamental quer na componente técnica, quer no apoio e acompanhamento emocional aos utentes e família. Através deste conhecimento, em torno das perceções dos enfermeiros, será possível desenvolver ações e projetos de melhoria contínua da qualidade, bem como, da promoção de dinâmicas de aprendizagem e formação contínua aos enfermeiros, visando uma abordagem mais integrada e humanizada, centrada no utente.
- A Saúde Mental Positiva dos docentes do ensino secundárioCatarina Isabel Bacelo de Almeida e SilvaEnquadramento: A Saúde Mental Positiva (SMP) designa, um construto que assenta em seis fatores: satisfação pessoal, atitude pró-social, autocontrolo, autonomia, resolução de problemas e autoatualização e habilidades de relacionamento interpessoal, que se interrelacionam e, que permitem desenvolver capacidades de enfrentar situações de stresse do dia-a-dia (Lluch, 1999). Os docentes são considerados agentes fundamentais na formação de jovens (Borralho et al, 2020), sendo que a nível nacional tem-se vindo a verificar uma sucessiva desvalorização do seu papel, associado ao aumento da pressão sobre os mesmos, sobretudo do ensino secundário (Varela et al., 2018), com possível impacto na sua SMP. Objetivo: Classificar a Saúde Mental Positiva dos docentes do ensino secundário. Metodologia: Estudo do tipo quantitativo, transversal e descritivo. Recorreu-se a uma amostragem não probabilística por conveniência, tendo sido incluídos 134 docentes do ensino secundário de três agrupamentos de escola da região Centro de Portugal. Os dados foram recolhidos, através da aplicação de um questionário difundido online, composto por uma parte de caracterização sociodemográfica e outra que consiste no Questionário de Saúde Mental Positiva (QSM+).Resultados: A amostra foi composta maioritariamente por docentes do género feminino (78%), com uma faixa etária predominantemente entre os 51 e 60 anos (52,3%). A média da SMP foi de 63,3 pontos, com uma concentração de valores abaixo da mesma. A média da pontuação global por fator, com resultados normalizados, da amostra foi, satisfação pessoal (20,0); atitude pró-social (17,1); autocontrolo (28,6); autonomia (27,8), resolução de problemas e autoatualização (17,7) e habilidades de relacionamento interpessoal (20,1).Conclusão: A SMP dos docentes do ensino secundário classifica-se no nível alto ou flourishing (Garcia, 2016). Os fatores de SMP dos docentes da amostra identificados como mais comprometidos são o autocontrolo e a autonomia, por outro lado, a resolução de problemas e autoatualização apresenta-se mais conservada.
