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Cheguei e desmoronei os seus alicerces. Estudo de casos múltiplos sobre o impacto de um filho com perturbações do desenvolvimento na família
Publication . Gonçalves, Jéssica Filipa Ramalho; Rosário, Carlos do
Nenhum pai ou mãe se encontra preparado para receber a notícia de que o seu filho, idealizado como sendo perfeito, nasça com algum tipo de deficiência. O mundo parece desabar e muitas são as perguntas que aniquilam os pensamentos dos recéns pais. Surgem as culpas e o medo. Ter um filho com perturbação do desenvolvimento abala não só os sentimentos da família como também afeta a sua vida, a estrutura familiar e o seu quotidiano, pois as famílias têm de se adaptar às necessidades e problemas da criança e conciliar a vida íntima enquanto casal, uma que vez que os elevados níveis de stress e a pouca atenção dada ao parceiro(a) podem levar à rutura do casamento bem como não solidificar os laços com os outros filhos, que se podem sentir à margem, dado a atenção poder dirigir-se toda para o irmão ou irmã, podendo desenvolver sentimentos negativos (Duarte, 2010). Cabe ao técnico que intervencionar com a família, conseguir fortalecer os pontos fortes e as capacidades bem como melhorar os pontos fracos, aumentando as hipóteses de ter um impacto positivo na família. O presente estudo tem como objetivo compreender o impacto de um filho com perturbação do desenvolvimento na dinâmica familiar. Dada a nossa experiência enquanto Assistente Social, preocupámo-nos também em recolher informação que permita justamente, ajudar a compreender o papel do Assistente Social neste fortalecimento. A metodologia de investigação foi baseada no estudo de caso, recorrendo à entrevista semiestruturada e à análise de conteúdo. A população envolvida no estudo foram cinco famílias de pessoas com perturbação do desenvolvimento. Neste estudo percebemos que o nascimento de um filho tem sempre impacto num sistema familiar; ao ser um filho com perturbação do desenvolvimento, o impacto é maior. As famílias do estudo transmitem-nos que têm muita dificuldade em conciliar a vida laboral com a pessoal, o que por vezes leva a que tenham de abandonar o emprego, ou reduzir a carga horária levando a um grande corte no orçamento familiar. Sendo que a relação enquanto casal também pode ser afetada, como nos dizem as famílias do estudo: ou a união cresce para superar o momento ou o casal se afasta.
Intervenção Psicoeducacional à pessoa com humor depressivo: Desenvolvimento de Competências Especializadas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica
Publication . Pereira, Paula; Gonçalves, Luísa
O presente relatório de estágio surge no âmbito do plano da 2ª edição do Curso de Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria, da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa-Alto Tâmega, em consorcio com a Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias e a Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, cuja apresentação e discussão pública visam a obtenção do título de Especialista e grau de Mestre em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica. O mesmo trabalho projeta o processo de desenvolvimento de competências comuns e específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, refletidos nos diferentes contextos da prática clínica, bem como o desenvolvimento de competências de Mestre, dando ênfase nas intervenções psicoeducacionais voltadas para a assistência à pessoa com humor depressivo. Este relatório centra-se na temática “Intervenção psicoeducacional à pessoa com humor depressivo: Desenvolvimento de Competências Especializadas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica”, que reflete um particular interesse pessoal pela mesma, assim como uma necessidade para a intervenção na prática clínica à pessoa com humor depressivo. Para a realização destes objetivos foram desenvolvidos ensinos clínicos em diversos contextos, nomeadamente: Ensino Clínico I - Contexto de Comunidade; Ensino Clínico II - Contexto de Internamento Psiquiátrico e Ensino Clínico III - Contexto de Respostas Diferenciadas. A metodologia utilizada para a realização deste relatório é a descritiva, analítica e critico-reflexiva, recorrendo à evidência científica mais atual e às vivências obtidas em contextos de estágios no âmbito do curso de Mestrado em Saúde Mental e Psiquiátrica. Todo o percurso descrito neste relatório traduziu-se na aquisição de competências para o futuro exercício da prática clínica como Mestre e Enfermeira Especialista em ESMP.
Incontinência urinária em pessoas internadas numa Unidade de Cuidados Continuados em Lisboa
Publication . Fernandes, Carolina Germano; Costa, Daniela Sofia Albino
Enquadramento teórico: A incontinência urinária (IU) é uma condição com elevada prevalência em adultos mais velhos, com impacto negativo na funcionalidade e qualidade de vida (QdV). Em contexto de internamento, especialmente em unidades de cuidados continuados e reabilitação, fatores como multimorbilidade, imobilização, cirurgias recentes e alterações funcionais podem aumentar o risco de IU. Apesar da relevância clínica, a investigação sobre a prevalência e os fatores clínicos associados à IU em Portugal nesta população permanece escassa. Objetivos: (1) determinar a proporção de pessoas com IU internadas numa Unidade de Cuidados Continuados (UCC) em Lisboa, (2) caracterizar os seus aspetos sociodemográficos e clínicos, (3) analisar a associação entre a QdV relacionada com a saúde e a IU e (4) explorar fatores clínicos associados à presença de IU. Metodologia: Este estudo observacional transversal incluiu 42 participantes internados no Instituto São João de Deus (ISJD) – Lisboa. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, a Escala de Barthel Modificada (EBM), o International Consultation on Incontinence Questionnaire – Urinary Incontinence Short Form - Versão Portuguesa (ICIQ-SF-VP), o King’s Health Questionnaire (KHQ) e o World Health Organization Quality of Life: Bref (WHOQoL-BREF). Foi determinada a proporção de pessoas com e sem sintomas de IU. Estes dois subgrupos foram analisados através de análises descritivas, inferenciais e testes de regressão logística multivariada. O nível de significância considerado foi de p<0.05. Resultados: A proporção de participantes com IU foi de 47.6%. A amostra era maioritariamente feminina (61.9%; n=26), com média de 80.0 anos e elevada multimorbilidade (83.3%; n=35). Não foram identificadas diferenças significativas entre IU e as variáveis sociodemográficas, clínicas ou dependência funcional entre os dois subgrupos. Entre as variáveis clínicas, apenas a não realização de cirurgia nos últimos três meses apresentou associação significativa multivariada com a presença de IU (p=0.013; OR=6.304; IC95%=1.464-27.148). Conclusão: Cerca de metade das pessoas admitidas nesta UCC reportou sintomas de IU. Estes resultados destacam a importância desta problemática, a necessidade de abordagens multidisciplinares em cuidados agudos e de reabilitação e de investigação futura com amostras maiores e estudos longitudinais.