ESSA - DF - Dissertações (orientações em curso e trabalhos concluídos)
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- Incontinência urinária em pessoas internadas numa Unidade de Cuidados Continuados em LisboaPublication . Fernandes, Carolina Germano; Costa, Daniela Sofia AlbinoEnquadramento teórico: A incontinência urinária (IU) é uma condição com elevada prevalência em adultos mais velhos, com impacto negativo na funcionalidade e qualidade de vida (QdV). Em contexto de internamento, especialmente em unidades de cuidados continuados e reabilitação, fatores como multimorbilidade, imobilização, cirurgias recentes e alterações funcionais podem aumentar o risco de IU. Apesar da relevância clínica, a investigação sobre a prevalência e os fatores clínicos associados à IU em Portugal nesta população permanece escassa. Objetivos: (1) determinar a proporção de pessoas com IU internadas numa Unidade de Cuidados Continuados (UCC) em Lisboa, (2) caracterizar os seus aspetos sociodemográficos e clínicos, (3) analisar a associação entre a QdV relacionada com a saúde e a IU e (4) explorar fatores clínicos associados à presença de IU. Metodologia: Este estudo observacional transversal incluiu 42 participantes internados no Instituto São João de Deus (ISJD) – Lisboa. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, a Escala de Barthel Modificada (EBM), o International Consultation on Incontinence Questionnaire – Urinary Incontinence Short Form - Versão Portuguesa (ICIQ-SF-VP), o King’s Health Questionnaire (KHQ) e o World Health Organization Quality of Life: Bref (WHOQoL-BREF). Foi determinada a proporção de pessoas com e sem sintomas de IU. Estes dois subgrupos foram analisados através de análises descritivas, inferenciais e testes de regressão logística multivariada. O nível de significância considerado foi de p<0.05. Resultados: A proporção de participantes com IU foi de 47.6%. A amostra era maioritariamente feminina (61.9%; n=26), com média de 80.0 anos e elevada multimorbilidade (83.3%; n=35). Não foram identificadas diferenças significativas entre IU e as variáveis sociodemográficas, clínicas ou dependência funcional entre os dois subgrupos. Entre as variáveis clínicas, apenas a não realização de cirurgia nos últimos três meses apresentou associação significativa multivariada com a presença de IU (p=0.013; OR=6.304; IC95%=1.464-27.148). Conclusão: Cerca de metade das pessoas admitidas nesta UCC reportou sintomas de IU. Estes resultados destacam a importância desta problemática, a necessidade de abordagens multidisciplinares em cuidados agudos e de reabilitação e de investigação futura com amostras maiores e estudos longitudinais.
- Intervenções de ensino sobre os conhecimentos, atitudes e práticas de exercícios do pavimento pélvico em mulheres grávidas da região autónoma da MadeiraPublication . Fernandes, Carla Isabel de Jesus; Vicente, Sónia Cristina da SilvaIntrodução: A gravidez induz alterações fisiológicas, hormonais e biomecânicas que afetam significativamente o pavimento pélvico (PP), aumentando o risco de disfunções do pavimento pélvico (DPP), com impacto na continência, função sexual e qualidade de vida. Apesar da eficácia comprovada do treino muscular do pavimento pélvico (TMPP) na prevenção e tratamento destas disfunções, o conhecimento, atitudes e práticas (CAP) das grávidas permanece limitado. Objetivo: Avaliar a eficácia de duas intervenções educativas — sessão de esclarecimento e folheto informativo — na melhoria do CAP relativamente ao PP e à prática do TMPP em grávidas da Região Autónoma da Madeira (RAM). Metodologia: Estudo quase-experimental, com desenho de teste–reteste e amostra de conveniência, constituída por 96 grávidas recrutadas nos concelhos de Câmara de Lobos e Funchal, onde decorreu a recolha de dados. As participantes foram distribuídas pelos grupos Folheto (n=47) e Sessão de Esclarecimento (n=49). A idade média foi de 31,57 (5,64) anos no grupo Folheto e 30,98 (5,90) no grupo Sessão predominando mulheres com ensino secundário ou licenciatura. A média da idade gestacional foi de 27,19 grupo Folheto e 22,63 no grupo Sessão. Foi aplicado, entre 19 de fevereiro e 2 de maio de 2025, um questionário online, antes e após as intervenções. A análise estatística incluiu comparações intra e intergrupais através do teste t de Student e cálculo do tamanho de efeito (d de Cohen). Resultados: Ambas as intervenções promoveram melhorias significativas o conhecimento sobre o PP e o TMPP. O grupo Sessão de Esclarecimento apresentou maior evolução do score total no pós-teste (M=14,59) face ao grupo Folheto (M=13,04), diferença estatisticamente significativa (p = 0,008) e com tamanho de efeito moderado (d = –0,55). Este grupo mostrou também maior prevalência de sintomas de DPP e menor contacto prévio com informação, fatores que poderão ter potenciado o impacto da intervenção. Conclusão: Ambas as estratégias educativas foram eficazes na melhoria do CAP das grávidas, destacando a relevância da literacia em saúde na gravidez. A sessão de esclarecimento demonstrou maior impacto, reforçando o valor de intervenções presenciais, breves e orientadas por profissionais especializados. Estes resultados sustentam a necessidade de integrar ações educativas estruturadas nos cuidados pré-natais, promovendo o autocuidado e prevenindo DPP.
- Reabilitação Vestibular no idosoPublication . Santos, Ana Marta Eugénio dos; Tomás, Diogo JoãoIntrodução: O envelhecimento está associado a alterações estruturais e funcionais do sistema vestibular, manifestando-se em tonturas, vertigens, desequilíbrio, instabilidade postural e insegurança na marcha, aumentando a suscetibilidade a quedas e com impacto na qualidade de vida no idoso. A reabilitação vestibular (RV) tem emergido como uma intervenção eficaz para melhorar os sintomas, a estabilidade postural, a funcionalidade e a qualidade de vida, mantendo benefícios clínicos mesmo em idades mais avançadas. Porém, subsiste uma insuficiente caracterização dos protocolos e das medidas de avaliação dirigidas a esta população. Objetivos: Mapear e caracterizar a RV em idosos e os respetivos resultados, assim como descrever as características dessa população e identificar os instrumentos de medida utilizados. Método: Uma scoping review foi conduzida de acordo com as diretrizes metodológicas do Joanna Briggs Institute e Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews Checklist and Explanation. A literatura existente foi identificada com recurso às bases de dados Cochrane Center Register of Controlled Trials, PubMed e Physiotherapy Evidence Database. Foram incluídos estudos experimentais e observacionais, em português, inglês e francês em adultos com ≥65 anos e cuja intervenção referisse explicitamente o uso da RV na aceleração e otimização de mecanismos de compensação, com pelo menos uma medida de resultados relacionada com os efeitos da RV. Foram excluídos estudos secundários, literatura cinzenta ou não revista por pares, estudos sem acesso ao texto integral e intervenções exclusivamente baseadas em manobras mecânicas de reposicionamento. A triagem de títulos, resumos e textos completos, extração de dados e avaliação crítica foram realizadas por dois investigadores independentes. Resultados: Foram incluídos vinte e três estudos publicados entre 2001 e 2024, sendo 61% ensaios clínicos com aleatorização, envolvendo idosos com patologia vestibular diagnosticada ou com a presença de algum tipo de sintomatologia compatível com disfunção vestibular. Identificaram-se 33 protocolos de RV: 12 com intervenções instrumentalizadas, incluindo posturografia, realidade virtual, estimulação optocinética, reabilitação assistida por computador, exergames, estimulação transcraniana e sistemas de substituição vestibular eletrotátil; e 21 com estratégias não instrumentalizadas, das quais 16 baseadas em protocolos previamente descritos na literatura. O instrumento de medida mais utilizado foi o Dizziness Handicap Inventory, seguido pela Escala de Confiança no Equilíbrio Específica para a Atividade, Sensory Organization Test Computerized Dynamic Posturography, Dynamic Gait Index e Timed Up and Go Test. Observou se uma tendência para resultados superiores nos protocolos que incluíram intervenções instrumentalizadas, sobretudo em parâmetros relacionados com a estabilidade postural. As III intervenções não instrumentalizadas revelaram também efeitos positivos na estabilidade postural, gravidade dos sintomas, incapacidade e confiança no equilíbrio. Conclusão: A RV parece apresentar resultados positivos no idoso, com melhorias sobretudo na estabilidade postural. Contudo, a heterogeneidade das metodologias, amostras e intervenções limita a interpretação dos resultados e dificulta a sua transposição para a tomada de decisão clínica.
- Incontinência urinária em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica referenciadas para a FisioterapiaPublication . Gomes, Gisela Alexandra Afonso; Costa, Daniela; Pires, Ana FilipaEnquadramento teórico: A presença de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de Incontinência Urinária (IU), podendo comprometer a adesão e participação das pessoas com DPOC aos programas de reabilitação respiratória (RR). Contudo, a informação sobre a prevalência e o impacto da IU na qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS) destas pessoas é escassa. A compreensão desta relação poderá contribuir para otimizar a intervenção da Fisioterapia nesta população. Objetivos: Objetivo principal: determinar a proporção de pessoas com DPOC referenciadas para tratamentos de fisioterapia respiratória que apresenta sintomas de IU. Objetivos secundários: 1) caracterizar os sintomas de IU nesta população quanto à sua severidade, tipo de incontinência e qualidade de vida relacionada com sintomas de IU; 2) explorar a associação entre severidade da dispneia; frequência de tosse; severidade da DPOC e QVRS com a presença de IU. Metodologia: Este estudo transversal incluiu 51 pessoas com DPOC referenciadas para tratamentos de Fisioterapia no Hospital Beatriz Ângelo. Foi aplicado um questionário sociodemográfico e clínico para caracterização da amostra e os participantes foram divididos em dois grupos segundo a pontuação obtida no questionário International Consultation on Incontinence Questionnaire Short Form Versão Portuguesa: grupo sem IU (pontuação 0) e com IU (pontuação ≥1). Foram aplicadas as versões portuguesas dos questionários: Modified Medical Research Council; primeira pergunta do COPD Assessment Test; EuroQol 5-Dimensions 3-Levels e para os participantes do grupo com IU King’s Health Questionnaire. Resultados: 35.3% (n=18) da amostra total reportou sintomas de IU. Os dois grupos apresentaram diferenças estatisticamente significativas no sexo (p=0.009) e QVRS relacionada com a saúde (p=0.023). Verificou-se associação significativa entre severidade da dispneia e presença de IU, sendo que os participantes com grau 2 de dispneia apresentaram 10.6 vezes mais chances de ter IU que participantes com dispneia grau 0 ou 1 (OR = 10.589; IC 95% = 1.008-111.239; p=0.049) e no caso dos participantes com grau de dispneia 3 ou 4 apresentaram um risco superior, com aproximadamente 24.9 vezes mais chances de ter esta condição em relação aos participantes com grau de dispneia 0 ou 1 (OR = 24.942; IC 95% = 2.130-292.066; p=0.010.) Conclusão: Os principais resultados no presente estudo parecem sugerir a existência de uma associação entre a severidade da disfunção respiratória e a disfunção pélvica, destacando a relevância da IU e a necessidade de considerar esta comorbilidade na intervenção da Fisioterapia visando a melhoria dos cuidados de saúde prestados e a adesão aos programas de RR pelas pessoas com DPOC.
- “Viver com AVC” – Quais as reais necessidades do Sobrevivente crónico?Publication . Pina, Maria João de Oliveira; Carreira, João Casaca; Pereira, Carla MendesIntrodução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade crónica, com impacto pessoal, familiar e socioeconómico significativo. Apesar dos avanços nos cuidados agudos, a fase pós-alta continua marcada por desafios na adaptação à vida com sequelas, baixa autoeficácia e insuficiência de suporte continuado. A literatura internacional recomenda programas de autogestão para capacitar sobreviventes na gestão da sua condição, promovendo autonomia e qualidade de vida. Contudo, em Portugal, estas abordagens são praticamente inexistentes, o que evidencia uma lacuna na resposta às necessidades desta população. Compreender essas necessidades é fundamental para informar estratégias de intervenção adaptadas ao contexto nacional. Objetivo: Identificar e compreender as reais necessidades do Sobrevivente de AVC crónico (com mais de 6 meses de evolução), que esteve internado no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) e teve alta para casa. Método: Foi realizado um estudo misto com desenho explanatório sequencial. A fase quantitativa incluiu a aplicação de um questionário para recolha de dados sociodemográficos, clínicos e de avaliação do impacto do AVC (SIS 2.0) e da autoeficácia após o AVC (SSEQ-PT) a 111 sobreviventes de AVC (amostra I). Na fase qualitativa foram realizadas entrevistas a 13 participantes (amostra II), selecionados a partir da amostra I. Resultados e Discussão: A amostra I foi constituída por 67 homens e 44 mulheres, dos 24 aos 88 anos de idade. Cerca de 56% encontravam-se afastados definitivamente da vida ativa, encontrando-se 50,4%, dos participantes a auferir rendimentos inferiores a 1000 euros líquidos mensais. A nível clínico, 67 participantes tiveram AVC isquémico, 34 hemorrágico e 10 não sabem, sugerindo baixa literacia em saúde. Cerca de 63,1% dos participantes identificou ter fatores de risco, sendo a HTA a prevalente e 62,2% referiu estar dependente, sendo, na maioria dos casos, o cônjuge o cuidador informal. A perceção global de recuperação foi moderada (média de 53,1/100). A média do grau de autoeficácia após AVC foi de 25,55/39. A análise qualitativa revelou desconhecimento prévio sobre o AVC, sentimentos de choque na transição para o domicílio. Colmatados pelo suporte familiar, apesar da evidente troca de papéis e da dinâmica familiar. Conclusão: O AVC tem um grande impacto na vida de quem o sofre e naqueles que lhe são próximos. Trata-se de uma doença crónica, com evidentes necessidades a longo prazo. Surgem desafios, sentimentos de frustração e ansiedade particularmente na transição para casa. A implementação de um programa de autogestão do AVC no CMRA poderá com este estudo, ser informado pelas reais necessidades dos sobreviventes de AVC que têm alta, promovendo a continuidade da intervenção e um maior grau de autoeficácia, motivação e qualidade de vida dos sobreviventes de AVC.
- Validação do Questionário – Atitudes e Crenças dos utentes de Fisioterapia relativamente à Abordagem da Saúde SexualPublication . Mesquita, Joana Maria Plácido; Sancho, Maria de Fátima; Antunes, AndreiaIntrodução: A saúde sexual é uma dimensão essencial do bem-estar, mas ainda pouco abordada em contexto de fisioterapia. A avaliação das perceções dos utentes requer instrumentos psicometricamente validados. Objetivo: Validar o Questionário – Atitudes e Crenças dos Utentes de Fisioterapia relativamente à Abordagem da Saúde Sexual e recrutar uma amostra superior à do estudo original. Metodologia: Estudo metodológico com amostragem por conveniência, envolvendo 299 participantes adultos que realizaram fisioterapia nos últimos dois anos em Portugal. O instrumento incluiu itens sociodemográficos e 22 questões em escala de Likert. Foram analisadas validade de construto (AFE), consistência interna (alfa de Cronbach), fiabilidade temporal e intercontextos (ICC e Kappa), sensibilidade (teste t, correlação de Pearson) e praticabilidade (tempo de preenchimento e taxa de respostas válidas). Resultados: A análise fatorial exploratória identificou uma estrutura bifatorial explicando 50,5% da variância. A consistência interna foi elevada (α ≥ 0,80) para a escala total e subescalas. A fiabilidade temporal e intercontextos apresentou valores de adequada a excelente. A sensibilidade demonstrou diferenças de pequena magnitude por género e associação fraca com a idade. A praticabilidade foi confirmada pelo tempo médio de preenchimento (~10 minutos) e elevada taxa de respostas válidas. Conclusão: O questionário apresentou propriedades psicométricas robustas, confirmando validade, fiabilidade e exequibilidade. Trata-se do primeiro instrumento validado em Portugal para avaliar perceções de utentes de fisioterapia relativamente à abordagem da saúde sexual, contribuindo para a investigação e prática clínica nesta área.
- Programa em grupo e em circuito de treino orientado para tarefas específicas – efeito sobre o equilíbrio e mobilidade funcional em indivíduos pós acidente vascular cerebralPublication . Correia, Carla Sofia Lopes; Sá, Cristina dos Santos Cardoso eIntrodução: O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade adquirida em adultos, sendo as limitações no equilíbrio e na mobilidade funcional determinantes para a perda de autonomia e participação nas atividades diárias. A reabilitação pós-AVC deve basear-se em intervenções intensivas, específicas para a tarefa e orientadas para objetivos funcionais. O treino em grupo e em circuito (TGC) tem emergido como uma estratégia promissora, ao combinar prática repetida de atividades funcionais, com interação social e estímulo motivacional. Objetivos: Avaliar os efeitos de um programa em grupo e em circuito de treino orientado para tarefas específicas no equilíbrio e na mobilidade funcional de indivíduos pós-AVC e verificar se o tempo decorrido desde o AVC e o nível de desempenho funcional inicial influenciam os ganhos obtidos. Métodos: Foi conduzido um estudo retrospetivo, observacional e transversal, com análise de dados clínicos de indivíduos pós-AVC que completaram um programa de 14 sessões de TGC no Hospital Beatriz Ângelo entre junho de 2023 e setembro de 2024. As avaliações incluíram a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), o Timed Up and Go (TUG) e o Five Times Sit to Stand (5xSTS), aplicados antes e após a intervenção. Resultados: Verificaram-se melhorias estatisticamente significativas em todas as medidas analisadas (p < 0,001), sugerindo o impacto positivo do programa no equilíbrio e na mobilidade funcional. Observou-se uma correlação negativa significativa entre o desempenho inicial e a evolução funcional, indicando que os participantes com maior limitação de base apresentaram ganhos mais expressivos. O tempo decorrido desde o AVC não influenciou significativamente os resultados, sugerindo que o programa poderá ser eficaz em diferentes fases da recuperação. Conclusão: O TGC orientado para tarefas específicas está associado a melhorias significativas no equilíbrio e na mobilidade funcional de indivíduos pós-AVC, reforçando o seu potencial enquanto abordagem terapêutica centrada na funcionalidade e aplicável em contexto clínico.
- Efeito do treino de marcha com Dispositivos Robóticos Motorizados Móveis, associado à Fisioterapia Convencional, na marcha e no equilíbrio em indivíduos na fase subaguda após Acidente Vascular CerebralPublication . Duarte, Gonçalo Daniel da Paz; Batista, Isabel Baleia; Brandão, Rita Filipe AlmeidaIntrodução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade, frequentemente associado a défices de marcha e de equilíbrio que comprometem a autonomia funcional. A utilização de Dispositivos Robóticos Motorizados Móveis (DRMM) tem emergido como uma estratégia promissora na reabilitação da marcha, por permitir treino intensivo, repetitivo e orientado para a tarefa em ambiente funcional. No entanto, os resultados reportados na literatura relativamente aos efeitos destes dispositivos no equilíbrio e no padrão de marcha não são consistentes, persistindo dúvidas sobre o seu impacto efetivo quando integrados na fisioterapia convencional (FC). Objetivo: Analisar o efeito do treino de marcha com DRMM, como complemento à FC, na marcha e no equilíbrio de indivíduos em fase subaguda após AVC. Métodos: Seis indivíduos do sexo masculino (idade média 55,8 ± 10,5 anos; tempo após AVC 3 ± 0 meses) em fase subaguda de recuperação participaram no estudo. Todos realizaram um protocolo de quatro semanas, composto por 12 sessões de 45 minutos de treino de marcha assistido por um DRMM, em combinação com 20 sessões de 90 minutos de FC, que incluía exercício terapêutico e treino específico de tarefas. Foram avaliadas, antes e após o protocolo, a mobilidade funcional (TUG), a velocidade da marcha (TM10M), a endurance (TM6M), o padrão de marcha (G.A.I.T.) e o equilíbrio (Escala de Equilíbrio de Berg e posturografia). A análise estatística foi realizada através do teste de Wilcoxon (p < 0,05). Resultados: Observaram-se melhorias estatisticamente significativas na mobilidade funcional (TUG: 25,8 ± 24,6 s para 21,2 ± 22,6 s; p = 0,042; r = 0,83), na velocidade da marcha (TM10M: 0,58 ± 0,27 m/s para 0,82 ± 0,41 m/s; p = 0,028; r = 0,99), na endurance (TM6M: 181,7 ± 89,3 m para 290,3 ± 169,2 m; p = 0,028; r = 0,90), no padrão de marcha (G.A.I.T.: 39,3 ± 8,3 para 24,8 ± 12,3; p = 0,027; r = 0,90) e no equilíbrio clínico (EEB: 47,2 ± 10,8 para 52,5 ± 6,1; p = 0,042; r = 0,83). Não se observaram diferenças significativas no equilíbrio laboratorial avaliado por posturografia (p > 0,05). Conclusão: Apesar do reduzido tamanho amostral e da ausência de grupo controlo, os resultados sugerem que a integração do treino com DRMM na FC pode potenciar ganhos na mobilidade funcional, velocidade e endurance da marcha, bem como melhorias qualitativas no padrão de marcha em indivíduos com AVC subagudo. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas no equilíbrio avaliado por posturografia, verificaram-se tendências de melhoria nas medidas clínicas. Estes resultados sugerem que a integração do DRMM na FC pode potenciar ganhos funcionais, justificando estudos futuros com amostras maiores e seguimento a longo prazo.
- Treino de marcha no solo com suspensão de peso na marcha de utentes com doenças neurológicasPublication . Luís, Adriana Mateus Seco; Batista, Isabel Baleia; Brandão, RitaIntrodução: As doenças neurológicas representam uma das principais causas de incapacidade a nível global, frequentemente associadas a alterações da marcha com impacto na funcionalidade e qualidade de vida. O treino de marcha com suporte de peso corporal tem vindo a ganhar relevância na fisioterapia neurológica, sendo o treino ao nível do solo ainda pouco explorado. Objetivo: Mapear e sintetizar a evidência existente sobre a aplicação desta intervenção em populações neurológicas, descrevendo protocolos, resultados e lacunas na literatura. Metodologia: Pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, PEDro, CENTRAL, EBSCO e Web of Science, sem restrição de data. Incluíram-se estudos que analisassem o treino de marcha ao nível do solo com suporte de peso corporal em pessoas com doenças neurológicas. A seleção e extração de dados foram realizadas por revisores independentes, e a qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com as ferramentas de avaliação crítica do Joanna Briggs Institute (JBI), de acordo com o desenho de cada estudo. Resultados: Foram incluídos sete estudos metodologicamente heterogéneos, envolvendo participantes com acidente vascular cerebral (AVC), paralisia cerebral (PC), lesão medular (LM) e doença de Parkinson (DP). No AVC, o treino no solo com suporte de peso promoveu melhorias na independência, velocidade, tolerância ao esforço e simetria da marcha. Na PC destacou-se por ganhos superiores em velocidade, cadência e função motora. Na DP reduziu a severidade, o risco de queda e o freezing, aumentando a tolerância ao esforço. Na LM mostrou efeitos positivos na marcha e força muscular, sem diferenças face ao treino em passadeira. Conclusão: A evidência sobre esta intervenção é escassa, heterogénea e metodologicamente limitada. Apesar dos ganhos observados em diferentes patologias a diversidade de protocolos, amostras reduzidas e outcomes pouco uniformes impedem conclusões robustas. Assim, são necessários ensaios clínicos randomizados de elevada qualidade metodológica, com amostras de maior dimensão, critérios de inclusão e protocolos padronizados, que comparem o treino no solo com suporte de peso corporal com outras modalidades habitualmente utilizadas (como treino em passadeira ou marcha convencional), de forma a consolidar a evidência e clarificar o papel desta intervenção na reabilitação da marcha em neurologia.
- Perceived risk of drowning in Parkinson's DiseasePublication . Soeiro, Ana Beatriz Costa; Bouça-Machado, RaquelIntrodução: A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa que compromete de forma significativa a funcionalidade dos pacientes. A evidência sugere que a DP prejudica a capacidade para nadar, aumentando assim, o risco de afogamento. Um estudo relatou que 49,9% dos pacientes com DP experienciaram um episódio de afogamento (não fatal), contudo, a investigação sobre este tema permanece limitada. Objetivo: Explorar as perceções de risco de afogamento e as estratégias de segurança entre pessoas com DP, cuidadores e profissionais de saúde (PS). Métodos: Foi realizado um inquérito, com participantes recrutados através do CNS – Campus Neurológico, associações nacionais de pacientes e redes sociais. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética do CNS, e todos os participantes forneceram consentimento informado antes de qualquer procedimento do estudo. Resultados: De um total de 228 participantes (115 pessoas com DP; 57 cuidadores; 56 PS) foi reconhecido um risco aumentado de afogamento por 96,4 % (n = 54) dos PS, por 80,7% (n = 46) dos cuidadores e por 57,4% (n=66) das pessoas com DP. Em piscinas de maior profundidade, 55,7% (n=64) dos pacientes dizem sentir-se muito confiantes ou com confiança e 58,3% (n=67) consideram ter um risco baixo ou moderado de afogamento, necessitando apenas de supervisão ocasional. Contextos sem supervisão são apoiados por 42,1% (n = 24) dos cuidadores. As alterações da capacidade de nadar não são discutidas com um PS em 83,4% (n=96) dos pacientes. Entre as medidas de segurança identificadas, a mais reportada por todos os grupos foi supervisão constante (Pessoas com DP: 41,7%, n = 48; Cuidadores: 59,6%, n = 34; PS: 80,4%, n = 45). Em seguida, destaca-se o uso de dispositivos de flutuação referido pelos pacientes (21,7%, n=25) e cuidadores (21,1%, n=12) e a permanência em águas menos profundas mencionada pelos PS (33,9%, n=19). Conclusões: A perceção de risco de afogamento nas pessoas com DP é inferior à dos cuidadores e PS. Além disso, alguns pacientes e cuidadores demonstraram preferência por ambientes aquáticos associados a um maior risco de afogamento, acreditando que apenas uma supervisão ocasional é necessária, não sendo este um tema discutido frequentemente com os PS. As medidas de segurança mais sugeridas foram supervisão constante, dispositivos de flutuação e atividades em águas menos profundas.
