IPC-ESTeSC - Dissertações de mestrado
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- Relatório de estágio em fisiopatologia do sono e ventilação não invasiva hospital Senhora da Oliveira de GuimarãesPublication . Baptista, Mariana; Caseiro, Paulo; Pereira, Telmo; Ferreira, AnaEste trabalho integra a avaliação final do Mestrado em Fisiologia Clínica, com especialização em Fisiopatologia do Sono e Ventilação Não Invasiva. Baseia-se na experiência adquirida durante o estágio no Laboratório de Sono e Ventilação Não Invasiva do Hospital da Senhora da Oliveira de Guimarães. O estágio permitiu a participação em diversos exames, como os vários tipos de polissonografia, capnografia, gasometria arterial e titulação de ventilação não invasiva em pacientes adultos. O estágio teve como objetivo principal aprimorar competências, visando a aplicação dos conhecimentos adquiridos na prática hospitalar. Com este relatório pretende-se apresentar o local de estágio, discutir as atividades desenvolvidas e a exposição de dois casos clínicos. A polissonografia é essencial para diagnosticar e caracterizar diversas patologias do sono, além de permitir a definição de estratégias terapêuticas mais eficazes. Embora seja considerada o padrão de referência para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono, o aumento da sua prevalência levou ao desenvolvimento de dispositivos portáteis como alternativas mais práticas e acessíveis para avaliação em ambulatório. A ventilação não invasiva desempenha um papel crucial no tratamento de várias patologias, sendo utilizada tanto em cenários agudos como crónicos, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A sua eficácia deve ser avaliada, sendo fundamental monitorizar as trocas gasosas através de oximetria, capnografia e/ou gasometria arterial. A seleção do modo ventilatório mais adequado e a sua correta parametrização são determinantes para garantir benefícios fisiológicos e clínicos, uma vez que cada algoritmo de ventilação apresenta vantagens e limitações específicas. Cada paciente possui características únicas, o que requer um tratamento personalizado de acordo com a situação clínica, resposta ao tratamento e impacto na qualidade de vida, de forma a maximizar os resultados e a garantir a melhor abordagem terapêutica. O técnico de Cardiopneumologia desempenha um papel fundamental no acompanhamento de pacientes com distúrbios respiratórios do sono, especialmente no contexto da ventilação não invasiva. É imprescindível que possua um conhecimento aprofundado, não apenas sobre os aspetos técnicos da ventilação, mas também sobre as doenças e comorbilidades associadas, bem como os efeitos dos fármacos. Este domínio permite realizar ajustes terapêuticos mais precisos e individualizados, minimizando riscos e maximizando os benefícios do tratamento. Para ilustrar a abordagem clínica na ventilação não invasiva, são apresentados dois casos clínicos acompanhados durante o estágio. O primeiro descreve um paciente com síndrome de apneia obstrutiva do sono e síndrome de obesidade e hipoventilação, submetido a uma aferição de pressão positiva nas vias aéreas em laboratório, para otimização da terapêutica. O segundo caso retrata um paciente que, após o início da terapia com pressão positiva, desenvolveu síndrome de apneia do sono complexa, exigindo uma reavaliação da estratégia ventilatória. Estes casos refletem a necessidade de um acompanhamento individualizado e reforçam a importância da correta seleção e adaptação da terapêutica, garantindo uma abordagem eficaz.
- Impacto da menopausa nos distúbios do sono: uma scoping reviewPublication . Azevedo, Isabel; Pereira, TelmoIntrodução: Os distúrbios do sono são queixas recorrentes nas mulheres na pós-menopausa, principalmente os despertares noturnos e as insónias iniciais, e afetam entre 28% a 63% das mulheres. Esta scoping review teve como objetivo descrever o atual conjunto de literatura que avaliou o impacto dos distúrbios do sono na menopausa. Métodos: Foi realizada uma pesquisa sistemática na PubMed, Cochrane and Scielo Library a 19 de fevereiro de 2025. A revisão incluiu estudos observacionais dos últimos 10 anos utilizando polissonografia (PSG) ou actigrafia na menopausa. Os resultados foram extraídos desses artigos. Resultados: A pesquisa identificou 312 estudos, dos quais 223 foram excluídos. Foram lidos os títulos e resumos dos restantes 89 artigos e, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 31 para texto integral. Um total de 26 artigos publicados foram incluídos nesta scoping review. Os distúrbios do sono estudados foram a insónia, a arquitetura do sono, a apneia obstrutiva do sono (AOS), a síndrome da AOS, a síndrome de hipoventilação por obesidade, os distúrbios respiratórios do sono e a síndrome das pernas inquietas. As mulheres na pós-menopausa apresentaram perda de robustez circadiana e agravamento da qualidade do sono, com aumento do estado de vigília após o início do sono e do índice de despertar, bem como diminuição do tempo total de sono e da eficiência do sono. Também os distúrbios respiratórios do sono se tornam mais graves com a idade, sendo que por cada ano adicional na menopausa o Índice Apneia-Hipopneia (IAH) está associado a um aumento de 4% e de 7% na probabilidade de ter um IAH de 15 ou mais. Conclusões: Concluindo, esta revisão revelou interesse no campo do sono para as mulheres na menopausa. Os distúrbios do sono neste grupo de mulheres exigem que as queixas sejam valorizadas e avaliadas adequadamente. Uma vez que as flutuações hormonais causam distúrbios do sono e da respiração, deve ser considerado o tratamento adequado. Estudos futuros devem ser conduzidos para abordar a falta de informação sobre determinadas patologias, como a respiração de Cheyne-Stokes e a apneia central do sono.
- Desprescrição: perceções em farmácia comunitáriaPublication . Peres, Érica; Silva, Inês; Monteiro, Luis; Cardoso, CarlosIntrodução: Em Portugal, a maioria dos doentes, especialmente a população mais idosa, apresenta mais do que uma doença crónica, algo conhecido como multimorbilidade. Para diminuir o impacto desta na qualidade de vida e na mortalidade, muitas vezes recorre-se à polifarmacoterapia, podem surgir prescrições inadequadas que incluem a sobreprescrição, subprescrição ou prescrição inadequada, respetivamente na dosagem, duração ou por estarem em desacordo com a necessidade do doente. Desta forma, é necessário considerar e avaliar em que medida são precisas estratégias para garantir que as pessoas estão medicadas de forma adequada, com o objetivo de reduzir os custos sociais do doente e aumentar os ganhos em saúde através da redução do risco de interações medicamentosas. A desprescrição é um processo planeado e supervisionado de interrupção do uso ou de redução da dose de um medicamento, com a intenção de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e reduzir os riscos associados a efeitos adversos. A articulação e ação de todos os profissionais de saúde no sentido de identificar e capacitar os pacientes no acompanhamento da desprescrição é de extrema relevância. O papel dos farmacêuticos comunitários é essencial no acompanhamento regular e na ajuda à gestão da desprescrição, uma vez que são estes o elo de ligação entre diferentes informações. Objetivos: O objetivo deste estudo foi perceber o conhecimento, frequência, crenças e dificuldades dos farmacêuticos comunitários sobre a temática da desprescrição. Métodos: Com este intuito, foi elaborado um questionário para um estudo transversal de âmbito nacional, com distribuição online, sujeito depois a estatística descritiva. Resultados: Foram obtidas 188 respostas válidas de profissionais de saúde: 77,1% do sexo feminino e 22,9% do sexo masculino. A maioria dos inquiridos, concorda que a desprescrição traz grandes benefícios e as grandes barreiras passam pela resistência dos profissionais de saúde, por medo de efeitos adversos ou falta de diretrizes claras, reticência dos doentes, falta de tempo dos profissionais e a inexistência de guidelines ou modelos computacionais que auxiliem o processo de desprescrição. Discussão: Uma das principais limitações deste estudo reside na ausência de validação formal do questionário, na aplicação anónima sem controlo da unicidade das respostas e na pequena amostragem e por conveniência, potencialmente enviesada pela divulgação digital. Conclusão: Este estudo destaca a importância da colaboração interdisciplinar e a necessidade de ferramentas, protocolos e incentivos adequados para uma desprescrição segura, eficaz e centrada no doente.
- Contaminação microbiológica dos humidificadores usados em ventiloterapia domiciliáriaPublication . Melo, Joana; Caseiro, PauloA ventiloterapia domiciliária é uma intervenção fundamental na gestão de diversas patologias respiratórias, incluindo a Síndrome da apneia obstrutiva do sono, a Síndrome de hipoventilação-obesidade e múltiplas formas de insuficiência respiratória crónica, como a doença pulmonar obstrutiva crónica e as doenças neuromusculares. Contudo, a utilização prolongada de dispositivos ventilatórios, como máscaras e humidificadores, pode favorecer a colonização microbiológica e, potencialmente, contribuir para eventos infeciosos. O presente estudo teve como objetivos avaliar a prevalência de contaminação microbiológica em dispositivos de ventiloterapia domiciliária, identificar os microrganismos isolados, explorar os fatores associados à contaminação e investigar a sua relação com infeções respiratórias. A amostra foi constituída por 100 doentes sob ventiloterapia domiciliária, distribuídos em dois grupos de acordo com a presença ou ausência de humidificador. Foram aplicados questionários relativos às práticas de higiene, características clínicas e sociodemográficas, complementados com inspeção visual dos dispositivos e colheita de amostras microbiológicas da máscara e do humidificador. Os resultados revelaram uma elevada taxa de contaminação nos humidificadores (87,8%) e uma taxa moderada nas máscaras (28,0%). Foram isoladas 54 espécies bacterianas distintas, com predomínio de microbiota cutânea nas máscaras e de microbiota ambiental e oportunista nos humidificadores. Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre a contaminação e variáveis como a frequência de troca da máscara, o estado visual do humidificador e a higiene da máscara. Na análise global, não se observou uma associação estatisticamente significativa entre a contaminação microbiológica e a ocorrência de infeções respiratórias. No entanto, a análise dirigida ao subgrupo de doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica revelou um dado particularmente relevante: a presença de contaminação em qualquer componente do circuito ventilatório associou-se de forma significativa à ocorrência de infeções respiratórias (p = 0,024), sugerindo uma maior vulnerabilidade deste grupo às consequências clínicas da colonização microbiana. Para além desta evidência, a idade avançada, a utilização de máscara oronasal e o maior tempo de exposição à terapêutica ventilatória revelaram-se, de forma transversal, fatores significativamente associados à ocorrência de infeções respiratórias. Este estudo aprofunda a caracterização da carga microbiológica associada à ventiloterapia domiciliária e identifica práticas de manutenção com potencial impacto na segurança clínica dos utilizadores. Os resultados evidenciam a importância de estratégias educativas orientadas para a prevenção da contaminação, especialmente em doentes mais vulneráveis, e sustentam a necessidade de recomendações específicas para a higienização adequada dos dispositivos ventilatórios em contexto domiciliário.
- Transcranial doppler monitoring of both middle and posterior cerebral arteries can increase microembolic signals detection: a pilot studyPublication . Pereira, Gilberto; Pereira, TelmoIntrodução: Os acidentes vasculares cerebrais da circulação posterior representam 15–25% dos eventos isquémicos cerebrais e, embora menos frequentes do que os da circulação anterior, têm relevância clínica devido às dificuldades diagnósticas e ao risco limitação funcional e recorrência de eventos isquémicos. Os sinais microembólicos (MES) detetados por Doppler transcraniano (TCD) associam-se fortemente a aterosclerose de grandes vasos, mas podem ocorrer em várias etiologias. A monitorização de rotina de MES centra-se na avaliação das artérias cerebrais médias (ACM), negligenciando frequentemente as artérias cerebrais posteriores (ACP). O nosso objetivo foi avaliar se a inclusão da monitorização bilateral das ACP ao protocolo de rotina das ACM aumenta o número de MES detetados em doentes com AVC isquémico agudo, bem como analisar a sua relação com a etiologia do mesmo, bem como com a ecogenicicidade das estenoses ateroscleróticas carotídeas, com o grau de estenose arterial a montante, prognóstico funcional dos doentes aos 90 dias e a recorrência de eventos isquémicos até um ano. Métodos: Estudo prospetivo, realizado num único centro, tendo sido incluídos doentes com AVC isquémico agudo de forma consecutiva e com qualquer etiologia, admitidos nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Todos os doentes realizaram monitorização TCD de 30 minutos das artérias cerebrais média (ACM) e posterior (ACP) para deteção de MES. Os MES foram analisados quanto à sua presença e intensidade na análise espetral. Avaliou-se o outcome funcional dos doentes aos 90 dias (escala de Rankin modificada) e a recorrência de AVC, acidente isquémico transitório (AIT) ou embolismo sistémico até 360 dias. Os outcome foram comparados entre os grupos com e sem MES, com análise adicional por etiologia do AVC e presença de estenose arterial no território a montante da artéria monitorizada. O estudo encontra-se registado em ClinicalTrials.gov (ID: 06735274). Resultados: Entre 260 doentes, foram detetados MES em 17 (6,5%), com uma mediana de 3 eventos/hora (IQR 2–15). A deteção foi unilateral em 71% e ipsilateral ao hemisfério afetado em 76%. A monitorização da ACP permitiu identificar 4 casos adicionais positivos para MES (23,5% do total de positivos). Os doentes com MES apresentaram valores mais elevados de NIHSS (p = 0,047). A presença de MES na ACM associou-se a menor probabilidade de independência funcional aos 90 dias (OR ajustado 0,107, IC 95%: 0,022–0,526; p = 0,006). A taxa de recorrência foi de 8,1%, sendo mais elevada nos subgrupos com MES. A presença de MES associou-se a eventos isquémicos (log-rank p = 0,04; HR ajustado para ACP MES-positiva: 15,6, IC 95%: 1,5–157,8; p = 0,02). O número de MES foi mais elevado nos doentes com aterosclerose de grandes vasos (p < 0,01), enquanto a intensidade dos MES foi significativamente superior nos AVC cardioembólicos (p < 0,01). A presença e número de MES aumentaram com a gravidade da estenose, mas a intensidade dos mesmos foi inferior nos doentes com estenose carotídea ou vertebral a montante (p < 0,05). Conclusão: Os nossos resultados demonstram que as características dos MES variam consoante a etiologia do AVC: a aterosclerose de grandes vasos associa-se a maior número de MES mas menor intensidade, enquanto os AVC cardioembólicos apresentam menos MES, mas de maior intensidade. A presença de MES associou-se a maior risco de recorrência quando detetada na ACP e a pior prognóstico funcional quando detetada na ACM. A monitorização da ACP permitiu identificar casos adicionais de MES, reforçando o valor clínico de avaliar ambos os territórios na fase aguda do AVC.
- Distúrbios respiratórios do sono em transplante pulmonar - revisão sistemáticaPublication . Gabriel, Andreia; Caseiro, PauloIntrodução: O transplante pulmonar é realizado em pacientes com insuficiência respiratória crónica com terapêutica médica otimizada, para os quais não existe outra terapêutica alternativa, possibilitando aumentar a sua qualidade de vida e sobrevivência. Segundo a International Society for Heart and Lung Transplantation, a patologia cardiovascular representa 4,5% das causas de morte após o primeiro ano da realização do transplante pulmonar. A Síndrome de Apneia do Sono constitui um problema de saúde pública, sendo considerada um fator de risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares. Objetivo: Realizar revisão sistemática incluindo artigos que versem sobre distúrbios respiratórios do sono em indivíduos que realizaram transplante pulmonar, averiguando quais os distúrbios respiratórios do sono mais prevalentes nesta população e, também, sugerir oportunidades de melhoria para estudos futuros. Metodologia: Foram utilizadas diferentes combinações de palavras-chave para pesquisa de artigos nos motores de pesquisa Pubmed e Cochrane Library (última pesquisa realizada em fevereiro 2025). Como critérios de inclusão refere-se realização de polissonografia depois da realização de transplante pulmonar, sem utilização de ventilação (continuous positive airway pressure, auto-continuous positive airway pressure, bilevel positive airway pressure), artigos publicados entre 2000 e 2024 e de livre acesso. O critério de exclusão utilizado foi artigos redigidos em outras línguas que não português, inglês e espanhol. Resultados: A pesquisa obteve 1974 resultados dos quais apenas 8 foram considerados elegíveis para a elaboração da revisão sistemática. Globalmente, obteve-se uma amostra total constituída por 448 indivíduos, dos quais 106 apresentavam resultados de polissonografia antes do transplante pulmonar. Foram, também, obtidos resultados para a escala de sonolência de Epworth, pressão de dióxido de carbono através de avaliação transcutânea, medicação e tratamento dos distúrbios respiratórios do sono. Conclusão: Os distúrbios respiratórios do sono são prevalentes no transplante pulmonar, tendo-se verificado uma prevalência mínima de 36%. A apneia obstrutiva do sono é o principal distúrbio respiratório do sono encontrado nesta revisão sistemática. Pelo número limitado de artigos, sugere-se realização de mais estudos com amostras de maiores dimensões e com seguimento das mesmas.
- Relatório de estágio em ultrassonografia cardíacaPublication . Resende, Liliana; Castanheira, Joaquim; Pires, NunoIntrodução Este relatório de estágio aborda a aplicabilidade da ultrassonografia cardíaca no diagnóstico e controlo de diversas patologias cardiovasculares, com ênfase nas técnicas de imagem e sua evolução ao longo dos anos. Contextualiza-se a relevância da ultrassonografia no cenário médico atual, especialmente à luz dos recentes avanços tecnológicos. Objetivo No âmbito do Mestrado em Fisiologia Clínica, a realização do estágio dec ultrassonografia cardíaca tem como objetivo analisar variáveis demográficas e ecocardiográficas, bem como a apresentação e discussão de 2 casos clínicos de relevância clínica, entre os exames realizados no Hospital Distrital da Figueira da Foz. Resultados Relativamente à casuística do estágio a amostra é constituída por 218 doentes e foram recolhidos os dados referentes aos achados ecocardiográficos de 217 ecocardiogramas transtorácicos e 1 ecocardiograma transesofágico. Foram também analisados 2 casos clínicos com utilização da ecocardiografia como meio complementar de diagnóstico, relativo a um doente de 86 anos com quadro clínico compatível com tamponamento cardíaco e um doente de 62 anos com suspeita de foramen oval patente. Discussão A análise da casuística mostrou que as alterações ecocardiográficas patológicas encontradas com maior frequência se referem género masculino com idades superior a 60 anos. Os 2 estudos de caso apresentados ilustram a aplicabilidade prática das técnicas abordadas, demonstrando a sua utilidade em contextos clínicos reais. Relatório de estágio em ultrassonografia cardíaca Conclusão Destaca-se a relevância da ecocardiografia como ferramenta essencial no diagnóstico e controlo de doenças cardíacas, bem como a sua contribuição para o avanço da cardiologia e da medicina em geral.
- Precisão da área valvula aórtica projetada em doentes com estenose aórtica de baixo fluxo-baixo gradiente: revisão sistemáticaPublication . Santos, Cristina; Castanheira, Joaquim; Pereira, Telmo; Campos, Diana; Fernandes, SolangeIntrodução: Um grande desafio da estenose aórtica (EAo) é a diferenciação entre a EAo grave “verdadeira” e a pseudo-estenose em doentes com baixo fluxo e baixo gradiente. Vários critérios foram propostos para diferenciar estes dois subgrupos, no entanto as alterações no gradiente médio (GM) e na área valvular durante o ecocardiograma de stress com dobutamina (ESD) dependem da magnitude do aumento de fluxo. Para ultrapassar esta limitação, foi proposto estimar área da válvula aórtica (AVA) para um fluxo transvalvular normalizado. Objetivo: Avaliar a acurácia e validade da utilização da área valvular aórtica projetada (AVAproj) como ferramenta para diferenciar entre EAo grave “verdadeira” e pseudoestenose durante o ESD. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa de literatura usando as seguintes palavras-chave, assim como associações entre elas: projected aortic valve area, aortic stenosis, flow rate, stress echocardiography, dobutamine stress echocardiography, low-gradient severe aortic stenosis, stroke volume index, transvalvular flow rate, low flow-low gradient aortic stenosis, procurando todos os estudos randomizados e não randomizados sobre o uso da AVAproj. Resultados: A pesquisa resultou na seleção de 4 estudos observacionais publicados entre 2006 e 2018 com um total de 429 doentes com EAo grave ou pseudo-grave. Foi notada uma grande variabilidade metodológica e estatística dos estudos pelo que não foi possível fazer uma meta-análise dos dados. Apesar da grande heterogeneidade, o global dos dados sugere que a AVAproj apresenta os melhores valores de sensibilidade, especificidade e percentagem correta de classificação, permitindo reclassificar em média 9 em cada 10 doentes. Conclusão: O cálculo da AVAproj poderá ajudar na reclassificação e tomada de decisão clínica nos doentes com gravidade da EAo dúbia.
- Aplicabilidade do strain auricular esquerdo como parâmetro de avaliação da função diastólica e o seu valor preditivo na doença renal crónica – revisão da literatura e meta-análisePublication . Flores. Inês; Castanheira, Joaquim; Figueiredo, João PauloIntrodução: Apesar das aplicações clínicas promissoras dos parâmetros de strain da aurícula esquerda (sAE), poucos estudos têm validado o seu papel na doença renal crónica (DRC). Com esta meta-análise pretendemos sintetizar a evidência científica disponível, relativa à relação entre os valores obtidos para o sAE e o estadio de DRC, analisando o seu impacto diagnóstico e preditivo, procurando simultaneamente responder à seguinte questão: Será que o sAE se correlaciona com o estadio da DRC? Metodologia: Realizámos uma meta-análise de estudos realizados em doentes renais, com idade superior a 18 anos, que realizaram ecocardiograma transtorácico bidimensional, com avaliação de sAE por speckle tracking. A identificação de estudos foi realizada com recurso às bases de dados PubMed, Web of Science e Google Scholar, até 15 de agosto de 2024. A qualidade dos estudos foi avaliada pelas ferramentas da Escala Newcastle-Otawa e da National Institute of Health. A análise estatística foi realizada pelo software IBM SPSS Statistics versão 30. Os estadios de DRC foram agrupados da seguinte forma: 1 e 2 (grupo 1), 3a e 3b (grupo 2) e 4 e 5 (grupo 3). As diferenças médias entre casos e controlos foram expressas como effect size (ES) (diferenças médias não padronizadas - DMNP), com intervalos de confiança (ICF) de 95%. Tendo em conta a estratificação de estadios, foi realizada uma meta-análise por subgrupos. Adicionalmente, foi conduzida uma meta-regressão, de forma a investigar o impacto dos parâmetros avaliados nas diferenças observadas entre os estudos. Resultados: Foram incluídos 14 estudos, com 4341 doentes renais. Os nossos resultados estatísticos demonstram, de forma consistente, que independentemente do estadio da DRC, os doentes renais apresentam valores reduzidos de sAE reservatório (sAEr) (ES: -12,139, ICF 95%: -14,494 a -9,785, p < 0,001), e de sAE conduto (sAEcd) (ES: -10,682, ICF 95%: -15,503 a -5,861, p < 0,001). A estratificação por subgrupos revelou que nos estadios 1 e 2 da DRC, os únicos parâmetros ecocardiográficos associados à DRC foram o sAEr, com valores significativamente menores nos doentes renais vs. controlos (ES: -7,972, IC 95%: - 13,412 a -2,533, p = 0,004), e a velocidade máxima da onda A do fluxo transmitral, com valores significativamente mais elevados nos doentes renais vs. controlos (ES: 61,169, IC 95%: 50,554 a -71,785, p < 0,001). Nos estadios 3a e 3b da DRC, todas as variáveis analisadas, à exceção da fração de ejeção (Fej.) do ventrículo esquerdo (VE), apresentaram diferenças estatisticamente significativas relativamente aos grupos de controlo. Nos estadios 4 e 5 da DRC, todas as variáveis analisadas, à exceção da velocidade máxima da onda E do fluxo transmitral, apresentaram diferenças estatisticamente significativas, relativamente aos grupos de controlo. A meta-regressão identificou fatores associados à variabilidade do sAEr entre estudos. A heterogeneidade residual demonstrou que as variáveis moderadoras selecionadas explicaram 77,4% da respetiva variabilidade entre os estudos. Discussão: O sAEr foi a única variável ecocardiográfica, independente do ritmo cardíaco, alterada desde o estadio inicial da doença, emergindo como um potencial preditor de disfunção diastólica, de eventos adversos cardiovasculares major, mortalidade e de declínio da taxa de filtração glomerular. A sua integração em algoritmos de estratificação pode ser determinante no prognóstico de doentes renais. Doentes renais crónicos apresentam menores valores de sAEr e de sAEcd, quando comparados com os controlos. No entanto, não podemos deixar de referir que, apesar de aplicarmos estratégias analíticas para reduzir a heterogeneidade nos estudos, a mesma não foi totalmente eliminada. Também alguns estudos revelaram escassez de resultados estatísticos, essenciais para alguns modelos meta-analíticos, bem como tamanhos de amostras relativamente diferentes.
- Avaliação de fraturas com recurso a TC de dupla energiaPublication . Barbosa, Inês; Monteiro, Mário; Figueiredo, João PauloIntrodução: As fraturas são lesões ósseas que consistem na perda da continuidade óssea. O edema da medula óssea é normalmente uma resposta a uma lesão. No caso de ser uma fratura pode ser fundamental para a identificação da mesma. Embora a radiografia seja o exame de primeira linha, pode não revelar edema ósseo. A Tomografia Computorizada é uma das modalidades de referência no diagnóstico de fraturas nomeadamente a Tomografia Computorizada de Dupla Energia, através do pós-processamento de imagens em Bone Marrow. Objetivo: A investigação teve como intuito avaliar as vantagens do recurso à Tomografia Computorizada de Dupla Energia com pós-processamento de imagens em Bone Marrow quando se pretende diagnosticar fraturas. Material e Métodos: O estudo é composto por uma amostra de base hospitalar constituída por 50 exames de Tomografia Computorizada, recolhidos através do PACS do Hospital da Luz Coimbra, cujos doentes recorreram ao serviço de imagiologia com suspeita de fratura. As imagens foram pós-processadas em Bone Marrow. De seguida, elaborou-se um questionário, que foi respondido por 4 avaliadores (com 20 anos de experiência). Após a recolha de dados e introdução dos mesmos numa base de dados no IBM SPSS Statistics foi realizada a sua análise através de estatística descritiva e testes de hipóteses. Resultados: A maioria dos achados imagiológicos foram traços de fratura, sendo 26,6% fraturas da tibiotársica. A presença de artefactos foi apenas de 2,0%. Verificou-se que as imagens pós-processadas em Bone Marrow, para além de possuírem uma boa qualidade, apresentavam correspondência com as imagens de Tomografia Computorizada. Os avaliadores concordaram que a adição deste pós-processamento contribuiu significativamente para a análise das imagens, facilitando a identificação de fraturas. Conclusão: Recorrer a imagens de Tomografia Computorizada pós-processadas em Bone Marrow revelou ser uma mais-valia quando o objetivo é diagnosticar pequenas fraturas.
