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IPC-ESTeSC - Dissertações de mestrado

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  • Caracterização clínica e eletroencefalográfica dos doentes com doença de Creutzfeldt-Jakob: um estudo retrospetivo em Portugal
    Publication . Santos Silva, Sara Sofia; Soares, Joana Isabel; Martins de Campos, António; Mendes Ribeiro, José Augusto
  • Tomografia computorizada de dupla energia: avaliação de fraturas - revisão sistemática/metanálise: fraturas da coluna toracolombar
    Publication . Correia, Magda Costa; Monteiro, Mário; Figueiredo, João
    Contexto: As fraturas da coluna toracolombar são frequentes em contexto de trauma e podem estar associadas a morbilidade significativa. A distinção entre fraturas recentes e antigas é clinicamente relevante, sendo o edema da medula óssea um marcador típico de fratura aguda. A Ressonância Magnética (RM) é o método de referência para a sua deteção, mas a sua aplicação em contexto de urgência pode ser limitada por questões logísticas, duração do exame e contraindicações. A Tomografia Computorizada de Dupla Energia (TCDE) tem emergido como alternativa promissora, permitindo a identificação de edema ósseo e, consequentemente, a avaliação de fraturas recentes. Objetivo: Avaliar o desempenho diagnóstico da TCDE na deteção de fraturas toracolombares através da identificação de edema da medula óssea associado a fraturas recentes, utilizando a RM como padrão de referência, e sintetizar quantitativamente a evidência disponível através de uma revisão sistemática e metanálise. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática de estudos publicados entre 2014 e 2025, de acordo com as diretrizes PRISMA, com pesquisa nas bases de dados: PubMed®, B-On, Web of Science™ e Google Scholar®. Foram incluídos estudos em português ou inglês, com texto integral, que comparassem TCDE com RM na avaliação de fraturas toracolombares. A metanálise bivariada foi conduzida com modelo de efeitos aleatórios, estimando-se sensibilidade, especificidade, razões de verosimilhança (RV+ e RV−), diagnostic odds ratio (DOR) e curva ROC sumária (SROC). Discussão: Foram incluídos 19 estudos. A TCDE demonstrou sensibilidade combinada de 89,2% e especificidade combinada de 94,5%, sugerindo elevado desempenho na identificação e exclusão de fraturas, respetivamente. A RV+ elevada, de 16,29, reforçou a utilidade clínica de um resultado positivo, enquanto a RV− de 0,114, indicou redução relevante da probabilidade de fratura perante um resultado negativo, embora sem exclusão absoluta. Observou-se heterogeneidade elevada, refletida pelos valores de 𝜏2 e pela região preditiva alargada na SROC, plausivelmente relacionada com diferenças entre populações, prevalência de fratura, modalidades de TCDE, parâmetros técnicos e experiência dos leitores. Conclusão: A TCDE apresenta bom desempenho diagnóstico na avaliação de fraturas toracolombares quando comparada com a RM, constituindo uma ferramenta útil, particularmente em contextos em que a RM não é imediatamente exequível. Contudo, a variabilidade entre estudos sugere necessidade de padronização técnica e investigação adicional para clarificar os fatores que influenciam o desempenho diagnóstico.
  • Perceção dos doentes relativamente aos exames em ecografia
    Publication . Pimentel, Inês Lopes; Santos, Rute
    Introdução: A ecografia é amplamente utilizada como modalidade de imagem de primeira linha em múltiplos contextos clínicos, sendo geralmente descrita como um método não invasivo, indolor e amplamente disponível. Contudo, a perceção dos doentes relativamente à sua experiência durante o exame, à comunicação com o profissional de saúde e ao papel da ecografia no diagnóstico ainda permanece um pouco por estudar. Objetivos do estudo: O presente estudo teve como objetivo avaliar a perceção dos doentes relativamente à ecografia, incluindo a dor e o desconforto sentidos durante a sua realização, bem como a ansiedade sentida antes e durante, o conhecimento sobre o procedimento e a utilização de radiação ionizante, a interação com o profissional de saúde e a importância atribuída a esta modalidade imagiológica no diagnóstico de diferentes patologias. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, de abordagem quantitativa, realizado através de um questionário disponibilizado através da plataforma google forms, aplicado a uma amostra de conveniência composta por 154 participantes adultos residentes em Portugal. A análise de dados baseou-se em estatística descritiva (frequências absolutas e percentagens). Resultados: Os resultados evidenciam que a ecografia é globalmente percecionada como uma modalidade de imagem indolor e normalmente bem tolerado por quem a realiza, ainda que o desconforto seja mais frequentemente referido em ecografias realizadas em regiões íntimas. A ecografia foi também a modalidade imagiológica associado a menor ansiedade quando comparada com outras modalidades imagiológicas, embora cerca de um quarto dos participantes tenha reportado ansiedade antes ou durante a ecografia. A maioria dos inquiridos conhece corretamente o facto de a ecografia não utilizar radiação ionizante, mas persistem lacunas na literacia. Os participantes valorizam sobretudo a competência técnica, a postura profissional de saúde, a empatia, a clareza da linguagem e o respeito pela privacidade. A ecografia foi maioritariamente considerada essencial ou importante para o diagnóstico. Conclusões: Conclui-se que a perceção positiva da ecografia resulta da combinação entre características técnicas da ecografia e qualidade da comunicação profissional-doente, reforçando a necessidade de cuidados centrados no doente, com investimento contínuo em competências relacionais e de humanização dos cuidados em imagiologia.
  • Do prazer ao abismo: consumo de álcool nos adolescentes versus vulnerabilidade a violência sexual
    Publication . Garcia, Alexandra da Costa Nunes Correia; Teixeira, Filomena
    Enquadramento: Na adolescência o consumo álcool nos contextos recreativos aumenta a probabilidade de os e as jovens se envolverem em relações sexuais não planeadas, bem como de serem vítimas ou autores/as de violência sexual. Objetivo: Implementar e avaliar os efeitos de um Programa de Educação para a Saúde, desenvolvido para a população de adolescentes matriculada numa escola Profissional, para aumentar o seu empoderamento na tomada de decisão informada aquando do consumo de álcool, reduzindo a ocorrência de episódios de violência sexual. Metodologia: Baseada na inquietação resultante dos cuidados prestados em contexto escolar, formulei a questão de investigação “Os e as adolescentes têm conhecimentos sobre a vulnerabilidade a episódios de violência sexual, após o consumo de álcool?”. Para responder à questão, elaborei uma investigação-ação participativa, cuja recolha de dados se alicerçou na pesquisa bibliográfica, na análise documental, na aplicação de questionários e no recurso à metodologia de grupo “World Café”. Considerações finais/implicações para a prática: A implementação do Programa de Educação para a Saúde “Do Prazer ao Abismo”, permitiu consciencializar os e as adolescentes para a vulnerabilidade a episódios de violência sexual, após consumo de álcool em contextos recreativos, bem como desmistificar crenças e mitos que ainda impregnam culturalmente a sociedade. Para além do objetivo atingido nesta investigação, foi gratificante ver o envolvimento crescente dos e das adolescentes nas intervenções, os e as quais serão o nosso futuro empreendedor. No futuro, teremos de incidir na sensibilização de responsáveis dos bares e espaços de diversão noturna, pois só assim conseguiremos envolver as entidades necessárias para, em conjunto, delinearmos intervenções de promoção da saúde.
  • Índice de assimetria bilateral na tarefa SIT-TO-STAND em adultos jovens e saudáveis
    Publication . Figueiredo, Ana Margarida Rocha; Cavalheiro, Luís Manuel Neves da Silva; Sousa, Andreia; Moreira, Juliana
    Introdução: O Sit-to-Stand (STS) constitui uma tarefa funcional quotidiana fundamental para a autonomia. Pela sua relevância na vida diária, a avaliação do movimento durante o STS constitui uma ferramenta útil de avaliação funcional, sobretudo quando analisado com recurso a instrumentos que fornecem indicadores biomecânicos quantitativos como o Índice de Assimetria, permitindo inferir sobre a qualidade do movimento. Apesar da relevância atribuída na literatura a este indicador, a sua caracterização em populações específicas carece de investigação. Objetivos: Caracterizar o índice de assimetria bilateral (IA) na distribuição de carga entre membros inferiores e no deslocamento do centro de pressão (CoP) ao longo das fases e subfases do STS em adultos jovens saudáveis, e avaliar a sua relação com fatores individuais. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional, descritivo-analítico e transversal, no qual participaram 54 adultos jovens saudáveis com uma mediana de 23 anos e intervalo interquartis de 6. Foram analisadas a magnitude do IA para as forças de reação do solo (FRS) e do deslocamento do CoP, com recurso a três plataformas de forças (modelos FP4060-08 e FP4060-10), durante as diferentes fases e subfases da tarefa STS. Foram utilizados para a análise os valores da média e o coeficiente de variação (CV) do IA. Foi ainda avaliada a relação dos fatores sexo, IMC, nível de atividade física e direção da assimetria com o IA, com recurso à correlação de Spearman e modelos de regressão linear múltipla. Resultados: A magnitude do IA variou entre 5-12% nas FRS e 6-13% no deslocamento do CoP, globalmente. A análise detalhada por fases e subfases revelou valores de assimetria superiores e diferenças estatisticamente significativas, principalmente nas subfases da tarefa cuja exigência biomecânica era superior. No que diz respeito ao CV, os valores variaram entre 36 e 75%, tendo sido observadas menos diferenças significativas entre fases. Foram identificadas correlações de fraca magnitude entre os determinantes IMC e nível de atividade física e os valores da magnitude do IA em fases específicas da tarefa, tendo os modelos de regressão linear múltipla revelado uma capacidade explicativa limitada (R² < 0,1). Conclusão: Os resultados demonstraram que adultos jovens saudáveis apresentam um grau de assimetria variável ao longo da execução do STS com um CV elevado entre repetições, reforçando a pertinência de uma análise faseada da tarefa. A identificação de valores consistentes de assimetria permite estabelecer valores de referência para esta população, fundamentais para futuras comparações com populações clínicas. Adicionalmente, a deteção de diferenças estatisticamente significativas entre fases e subfases evidencia o potencial do STS como ferramenta sensível na caracterização do desempenho motor. Por outro lado, os fatores individuais analisados revelaram apenas uma associação limitada e com pouca significância estatística com o IA.
  • Relatório de estágio em fisiopatologia do sono e ventilação não invasiva hospital Senhora da Oliveira de Guimarães
    Publication . Baptista, Mariana; Caseiro, Paulo; Pereira, Telmo; Ferreira, Ana
    Este trabalho integra a avaliação final do Mestrado em Fisiologia Clínica, com especialização em Fisiopatologia do Sono e Ventilação Não Invasiva. Baseia-se na experiência adquirida durante o estágio no Laboratório de Sono e Ventilação Não Invasiva do Hospital da Senhora da Oliveira de Guimarães. O estágio permitiu a participação em diversos exames, como os vários tipos de polissonografia, capnografia, gasometria arterial e titulação de ventilação não invasiva em pacientes adultos. O estágio teve como objetivo principal aprimorar competências, visando a aplicação dos conhecimentos adquiridos na prática hospitalar. Com este relatório pretende-se apresentar o local de estágio, discutir as atividades desenvolvidas e a exposição de dois casos clínicos. A polissonografia é essencial para diagnosticar e caracterizar diversas patologias do sono, além de permitir a definição de estratégias terapêuticas mais eficazes. Embora seja considerada o padrão de referência para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono, o aumento da sua prevalência levou ao desenvolvimento de dispositivos portáteis como alternativas mais práticas e acessíveis para avaliação em ambulatório. A ventilação não invasiva desempenha um papel crucial no tratamento de várias patologias, sendo utilizada tanto em cenários agudos como crónicos, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A sua eficácia deve ser avaliada, sendo fundamental monitorizar as trocas gasosas através de oximetria, capnografia e/ou gasometria arterial. A seleção do modo ventilatório mais adequado e a sua correta parametrização são determinantes para garantir benefícios fisiológicos e clínicos, uma vez que cada algoritmo de ventilação apresenta vantagens e limitações específicas. Cada paciente possui características únicas, o que requer um tratamento personalizado de acordo com a situação clínica, resposta ao tratamento e impacto na qualidade de vida, de forma a maximizar os resultados e a garantir a melhor abordagem terapêutica. O técnico de Cardiopneumologia desempenha um papel fundamental no acompanhamento de pacientes com distúrbios respiratórios do sono, especialmente no contexto da ventilação não invasiva. É imprescindível que possua um conhecimento aprofundado, não apenas sobre os aspetos técnicos da ventilação, mas também sobre as doenças e comorbilidades associadas, bem como os efeitos dos fármacos. Este domínio permite realizar ajustes terapêuticos mais precisos e individualizados, minimizando riscos e maximizando os benefícios do tratamento. Para ilustrar a abordagem clínica na ventilação não invasiva, são apresentados dois casos clínicos acompanhados durante o estágio. O primeiro descreve um paciente com síndrome de apneia obstrutiva do sono e síndrome de obesidade e hipoventilação, submetido a uma aferição de pressão positiva nas vias aéreas em laboratório, para otimização da terapêutica. O segundo caso retrata um paciente que, após o início da terapia com pressão positiva, desenvolveu síndrome de apneia do sono complexa, exigindo uma reavaliação da estratégia ventilatória. Estes casos refletem a necessidade de um acompanhamento individualizado e reforçam a importância da correta seleção e adaptação da terapêutica, garantindo uma abordagem eficaz.
  • Impacto da menopausa nos distúbios do sono: uma scoping review
    Publication . Azevedo, Isabel; Pereira, Telmo
    Introdução: Os distúrbios do sono são queixas recorrentes nas mulheres na pós-menopausa, principalmente os despertares noturnos e as insónias iniciais, e afetam entre 28% a 63% das mulheres. Esta scoping review teve como objetivo descrever o atual conjunto de literatura que avaliou o impacto dos distúrbios do sono na menopausa. Métodos: Foi realizada uma pesquisa sistemática na PubMed, Cochrane and Scielo Library a 19 de fevereiro de 2025. A revisão incluiu estudos observacionais dos últimos 10 anos utilizando polissonografia (PSG) ou actigrafia na menopausa. Os resultados foram extraídos desses artigos. Resultados: A pesquisa identificou 312 estudos, dos quais 223 foram excluídos. Foram lidos os títulos e resumos dos restantes 89 artigos e, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 31 para texto integral. Um total de 26 artigos publicados foram incluídos nesta scoping review. Os distúrbios do sono estudados foram a insónia, a arquitetura do sono, a apneia obstrutiva do sono (AOS), a síndrome da AOS, a síndrome de hipoventilação por obesidade, os distúrbios respiratórios do sono e a síndrome das pernas inquietas. As mulheres na pós-menopausa apresentaram perda de robustez circadiana e agravamento da qualidade do sono, com aumento do estado de vigília após o início do sono e do índice de despertar, bem como diminuição do tempo total de sono e da eficiência do sono. Também os distúrbios respiratórios do sono se tornam mais graves com a idade, sendo que por cada ano adicional na menopausa o Índice Apneia-Hipopneia (IAH) está associado a um aumento de 4% e de 7% na probabilidade de ter um IAH de 15 ou mais. Conclusões: Concluindo, esta revisão revelou interesse no campo do sono para as mulheres na menopausa. Os distúrbios do sono neste grupo de mulheres exigem que as queixas sejam valorizadas e avaliadas adequadamente. Uma vez que as flutuações hormonais causam distúrbios do sono e da respiração, deve ser considerado o tratamento adequado. Estudos futuros devem ser conduzidos para abordar a falta de informação sobre determinadas patologias, como a respiração de Cheyne-Stokes e a apneia central do sono.
  • Desprescrição: perceções em farmácia comunitária
    Publication . Peres, Érica; Silva, Inês; Monteiro, Luis; Cardoso, Carlos
    Introdução: Em Portugal, a maioria dos doentes, especialmente a população mais idosa, apresenta mais do que uma doença crónica, algo conhecido como multimorbilidade. Para diminuir o impacto desta na qualidade de vida e na mortalidade, muitas vezes recorre-se à polifarmacoterapia, podem surgir prescrições inadequadas que incluem a sobreprescrição, subprescrição ou prescrição inadequada, respetivamente na dosagem, duração ou por estarem em desacordo com a necessidade do doente. Desta forma, é necessário considerar e avaliar em que medida são precisas estratégias para garantir que as pessoas estão medicadas de forma adequada, com o objetivo de reduzir os custos sociais do doente e aumentar os ganhos em saúde através da redução do risco de interações medicamentosas. A desprescrição é um processo planeado e supervisionado de interrupção do uso ou de redução da dose de um medicamento, com a intenção de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e reduzir os riscos associados a efeitos adversos. A articulação e ação de todos os profissionais de saúde no sentido de identificar e capacitar os pacientes no acompanhamento da desprescrição é de extrema relevância. O papel dos farmacêuticos comunitários é essencial no acompanhamento regular e na ajuda à gestão da desprescrição, uma vez que são estes o elo de ligação entre diferentes informações. Objetivos: O objetivo deste estudo foi perceber o conhecimento, frequência, crenças e dificuldades dos farmacêuticos comunitários sobre a temática da desprescrição. Métodos: Com este intuito, foi elaborado um questionário para um estudo transversal de âmbito nacional, com distribuição online, sujeito depois a estatística descritiva. Resultados: Foram obtidas 188 respostas válidas de profissionais de saúde: 77,1% do sexo feminino e 22,9% do sexo masculino. A maioria dos inquiridos, concorda que a desprescrição traz grandes benefícios e as grandes barreiras passam pela resistência dos profissionais de saúde, por medo de efeitos adversos ou falta de diretrizes claras, reticência dos doentes, falta de tempo dos profissionais e a inexistência de guidelines ou modelos computacionais que auxiliem o processo de desprescrição. Discussão: Uma das principais limitações deste estudo reside na ausência de validação formal do questionário, na aplicação anónima sem controlo da unicidade das respostas e na pequena amostragem e por conveniência, potencialmente enviesada pela divulgação digital. Conclusão: Este estudo destaca a importância da colaboração interdisciplinar e a necessidade de ferramentas, protocolos e incentivos adequados para uma desprescrição segura, eficaz e centrada no doente.
  • Contaminação microbiológica dos humidificadores usados em ventiloterapia domiciliária
    Publication . Melo, Joana; Caseiro, Paulo
    A ventiloterapia domiciliária é uma intervenção fundamental na gestão de diversas patologias respiratórias, incluindo a Síndrome da apneia obstrutiva do sono, a Síndrome de hipoventilação-obesidade e múltiplas formas de insuficiência respiratória crónica, como a doença pulmonar obstrutiva crónica e as doenças neuromusculares. Contudo, a utilização prolongada de dispositivos ventilatórios, como máscaras e humidificadores, pode favorecer a colonização microbiológica e, potencialmente, contribuir para eventos infeciosos. O presente estudo teve como objetivos avaliar a prevalência de contaminação microbiológica em dispositivos de ventiloterapia domiciliária, identificar os microrganismos isolados, explorar os fatores associados à contaminação e investigar a sua relação com infeções respiratórias. A amostra foi constituída por 100 doentes sob ventiloterapia domiciliária, distribuídos em dois grupos de acordo com a presença ou ausência de humidificador. Foram aplicados questionários relativos às práticas de higiene, características clínicas e sociodemográficas, complementados com inspeção visual dos dispositivos e colheita de amostras microbiológicas da máscara e do humidificador. Os resultados revelaram uma elevada taxa de contaminação nos humidificadores (87,8%) e uma taxa moderada nas máscaras (28,0%). Foram isoladas 54 espécies bacterianas distintas, com predomínio de microbiota cutânea nas máscaras e de microbiota ambiental e oportunista nos humidificadores. Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre a contaminação e variáveis como a frequência de troca da máscara, o estado visual do humidificador e a higiene da máscara. Na análise global, não se observou uma associação estatisticamente significativa entre a contaminação microbiológica e a ocorrência de infeções respiratórias. No entanto, a análise dirigida ao subgrupo de doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica revelou um dado particularmente relevante: a presença de contaminação em qualquer componente do circuito ventilatório associou-se de forma significativa à ocorrência de infeções respiratórias (p = 0,024), sugerindo uma maior vulnerabilidade deste grupo às consequências clínicas da colonização microbiana. Para além desta evidência, a idade avançada, a utilização de máscara oronasal e o maior tempo de exposição à terapêutica ventilatória revelaram-se, de forma transversal, fatores significativamente associados à ocorrência de infeções respiratórias. Este estudo aprofunda a caracterização da carga microbiológica associada à ventiloterapia domiciliária e identifica práticas de manutenção com potencial impacto na segurança clínica dos utilizadores. Os resultados evidenciam a importância de estratégias educativas orientadas para a prevenção da contaminação, especialmente em doentes mais vulneráveis, e sustentam a necessidade de recomendações específicas para a higienização adequada dos dispositivos ventilatórios em contexto domiciliário.
  • Transcranial doppler monitoring of both middle and posterior cerebral arteries can increase microembolic signals detection: a pilot study
    Publication . Pereira, Gilberto; Pereira, Telmo
    Introdução: Os acidentes vasculares cerebrais da circulação posterior representam 15–25% dos eventos isquémicos cerebrais e, embora menos frequentes do que os da circulação anterior, têm relevância clínica devido às dificuldades diagnósticas e ao risco limitação funcional e recorrência de eventos isquémicos. Os sinais microembólicos (MES) detetados por Doppler transcraniano (TCD) associam-se fortemente a aterosclerose de grandes vasos, mas podem ocorrer em várias etiologias. A monitorização de rotina de MES centra-se na avaliação das artérias cerebrais médias (ACM), negligenciando frequentemente as artérias cerebrais posteriores (ACP). O nosso objetivo foi avaliar se a inclusão da monitorização bilateral das ACP ao protocolo de rotina das ACM aumenta o número de MES detetados em doentes com AVC isquémico agudo, bem como analisar a sua relação com a etiologia do mesmo, bem como com a ecogenicicidade das estenoses ateroscleróticas carotídeas, com o grau de estenose arterial a montante, prognóstico funcional dos doentes aos 90 dias e a recorrência de eventos isquémicos até um ano. Métodos: Estudo prospetivo, realizado num único centro, tendo sido incluídos doentes com AVC isquémico agudo de forma consecutiva e com qualquer etiologia, admitidos nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Todos os doentes realizaram monitorização TCD de 30 minutos das artérias cerebrais média (ACM) e posterior (ACP) para deteção de MES. Os MES foram analisados quanto à sua presença e intensidade na análise espetral. Avaliou-se o outcome funcional dos doentes aos 90 dias (escala de Rankin modificada) e a recorrência de AVC, acidente isquémico transitório (AIT) ou embolismo sistémico até 360 dias. Os outcome foram comparados entre os grupos com e sem MES, com análise adicional por etiologia do AVC e presença de estenose arterial no território a montante da artéria monitorizada. O estudo encontra-se registado em ClinicalTrials.gov (ID: 06735274). Resultados: Entre 260 doentes, foram detetados MES em 17 (6,5%), com uma mediana de 3 eventos/hora (IQR 2–15). A deteção foi unilateral em 71% e ipsilateral ao hemisfério afetado em 76%. A monitorização da ACP permitiu identificar 4 casos adicionais positivos para MES (23,5% do total de positivos). Os doentes com MES apresentaram valores mais elevados de NIHSS (p = 0,047). A presença de MES na ACM associou-se a menor probabilidade de independência funcional aos 90 dias (OR ajustado 0,107, IC 95%: 0,022–0,526; p = 0,006). A taxa de recorrência foi de 8,1%, sendo mais elevada nos subgrupos com MES. A presença de MES associou-se a eventos isquémicos (log-rank p = 0,04; HR ajustado para ACP MES-positiva: 15,6, IC 95%: 1,5–157,8; p = 0,02). O número de MES foi mais elevado nos doentes com aterosclerose de grandes vasos (p < 0,01), enquanto a intensidade dos MES foi significativamente superior nos AVC cardioembólicos (p < 0,01). A presença e número de MES aumentaram com a gravidade da estenose, mas a intensidade dos mesmos foi inferior nos doentes com estenose carotídea ou vertebral a montante (p < 0,05). Conclusão: Os nossos resultados demonstram que as características dos MES variam consoante a etiologia do AVC: a aterosclerose de grandes vasos associa-se a maior número de MES mas menor intensidade, enquanto os AVC cardioembólicos apresentam menos MES, mas de maior intensidade. A presença de MES associou-se a maior risco de recorrência quando detetada na ACP e a pior prognóstico funcional quando detetada na ACM. A monitorização da ACP permitiu identificar casos adicionais de MES, reforçando o valor clínico de avaliar ambos os territórios na fase aguda do AVC.