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INMLCF - Comunicações Científicas e Pósteres

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  • Ressurgimento da estricnina como forma de intoxicação? Análise de três casos fatais.
    Publication . Sousa, Lara; Cunha, Sofia Monteiro; Santos, Ângela; Calçada, Diogo; Quintas, Maria José; Taveira, Francisco; Franco, João Miguel; Landeiro e Melo, Paula Isabel; INMLCF
    Introdução: A estricnina é um alcaloide vegetal proveniente das sementes da Strychnos nux vomica, tendo sido bastante utilizado como rodenticida no século XX. No entanto, devido à sua elevada toxicidade, o seu uso foi proibido em muitos países, tendo-se tornado raros os casos de intoxicações por esta substância. Em Portugal já não é comercializada estricnina como raticida desde 1974, mas pode ainda ser encontrada como adulterante de diversas drogas de abuso. A morte ocorre por asfixia, por paralisia dos músculos respiratórios. Objetivos: Os autores apresentam uma análise de 3 casos de intoxicações fatais por estricnina ocorridos no último ano, de indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 59 e 70 anos, encontrados em PCR. Apenas num dos casos foi encontrada carta de despedida junto à vítima. Material e Métodos: A pesquisa/confirmação/quantificação dos medicamentos foi efetuada num equipamento LC-MS/MS da Sciex, em modo MRM, após extração simples das amostras de sangue por precipitação proteica com acetonitrilo. Resultados: A análise do sangue periférico dos 3 casos revelou a presença de estricnina (2510 ng/mL; 3399 ng/mL e 6285 ng/mL). Para além da estricnina apenas foram detetados medicamentos que faziam parte da terapêutica habitual. Discussão: As intoxicações por estricnina são raras, mas potencialmente fatais. A intoxicação por este alcaloide poderá ser acidental ou intencional (suicídio ou homicídio). É importante ressalvar que em nenhum dos casos existia suspeita de intoxicação por estricnina e que em nenhum dos casos foi feita referência à existência de copos ou soluções de preparados junto das vítimas. As concentrações postmortem encontradas foram consistentes com os dados publicados noutros casos de intoxicação fatal por esta substância. Os 3 casos foram concluídos como casos de morte violenta por intoxicação por estricnina. Apenas no caso em que foi encontrada a carta de despedida foi concluído que nada se opunha à etiologia médico-legal suicida. Nos outros dois casos não existiram elementos para se fazer o diagnóstico diferencial entre suicídio/homicídio/acidente. Os casos descritos demonstram que, apesar da sua restrita disponibilidade, ainda é possível encontrar casos de intoxicação por este composto, tendo-se comprovado a importância da sua pesquisa nos métodos de rastreio da rotina laboratorial.
  • Cronómetros do Esqueleto: a metilação de ADN como o novo método da estimativa da idade para remanescentes humanos esqueletizados.
    Publication . Silva, João; Correia Dias, Helena; Afonso Costa, Heloísa; Nascimento, Rui; Corte Real, Francisco; Cainé, Laura; Amorim, António
    Nos últimos anos, a análise da metilação do ADN (DNAm) surgiu como uma ferramenta promissora para a estimativa da idade à morte do indivíduo, em contexto médico-legal e forense. Em situações mais complexas que envolvem remanescentes humanos esqueletizados não identificados, a estimativa da idade à morte é um pilar essencial, ajudando na identificação, mas também no redireccionamento da investigação forense e criminal. Este estudo tem como objetivo aplicar em remanescentes mortais esqueletizados de indivíduos da população portuguesa, o modelo de predição de idade (age prediction model, APM), originalmente desenvolvido em ossos frescos de indivíduos portugueses por Correia Dias et al. (2020). Com este trabalho pretendemos impulsionar o desenvolvimento de novas metodologias para a estimativa da idade em material esquelético mais comprometido, em contexto médico-legal e forense. Uma vez que os ossos são frequentemente o único material biológico disponível em situações em que a morte não tenha sido recente, a estimativa de idade baseada nos níveis de DNAm capturados em ossos oferece vantagens distintas sobre as abordagens morfológicas tradicionais quando os restos mortais estão altamente degradados ou incompletos. Este estudo centra-se na análise dos padrões de DNAm dos genes C1orf132, EDARADD e ELOVL2, que têm mostrado, consistentemente, fortes correlações com a idade cronológica em vários tecidos, incluindo ossos. Dados os desafios inerentes ao ADN degradado em amostras de ossos secos, este projeto desenvolveu e otimizou um protocolo que inclui várias extrações de ADN por amostra e uma etapa de concentração subsequente para maximizar o rendimento e a qualidade do ADN. O ADN foi extraído usando o kit PrepFiler Express BTATM, quantificado com o kit QuantifilerTM Trio e concentrado através de dispositivos de filtro centrífugo Microcon®. A conversão de bissulfito foi efetuada com o kit EZ ADN Methylation-GoldTM, permitindo uma avaliação precisa dos níveis de DNAm nos locais CpG alvo. A fase experimental do projeto envolveu a análise de amostras de ossos de casos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) de 2017 a 2021. Após a extração, quantificação e concentração do ADN, o ADN foi convertido através de bissulfito de sódio e submetido à amplificação por PCR e sequenciação de Sanger para avaliar a DNAm nos CpGs alvo. A correlação entre os níveis de DNAm e a idade cronológica dos indivíduos será analisada estatisticamente com o software IBM SPSS, v.27, usando modelos de regressão linear. O APM tecido-específico previamente desenvolvido em ossos de cadáveres frescos (Correia Dias et al., 2020) será aplicado a ossos de casos forenses do INMLCF. Espera-se que os resultados contribuam para o desenvolvimento de protocolos normalizados estimulando a investigação futura sobre aplicações forenses baseadas na análise da DNAm. Acredita-se que os avanços no domínio da epigenética forense possam apoiar a resolução de casos forenses complexos.
  • Estimativa da idade epigenética em ossos: avaliação dos níveis de metilação de DNA no gene FHL2 por droplet digital PCR
    Publication . Correia Dias, Helena; Manco, Licínio
    A estimativa da idade epigenética é uma abordagem inovadora em contextos forenses, sendo os ossos uma das amostras mais relevantes no campo legal. Nos últimos anos, o nosso grupo construiu vários modelos de predição de idade (age prediction models, APMs), em diferentes tecidos biológicos, usando diferentes metodologias para a análise dos níveis de metilação de DNA (DNAm), nomeadamente sequenciação de Sanger e SNaPshot. Contudo, a avaliação dos níveis de metilação pode ser influenciada pelo método, com consequências na precisão da estimativa da idade. Recentemente, o nosso grupo desenvolveu diversos APMs específicos para amostras de sangue de indivíduos vivos e mortos, utilizando a técnica de droplet digital PCR (ddPCR). O presente trabalho teve como objetivo avaliar os níveis de DNAm do gene FHL2 em ossos de indivíduos portugueses usando a técnica de ddPCR com vista a desenvolver um APM aplicável a laboratórios forenses. Foram recolhidas 26 amostras de ossos (4 mulheres, 22 homens, com idades entre 26 a 80 anos) durante autópsias médico-legais no Serviço de Patologia Forense da Delegação do Centro e do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, depois de consultar o Registo Nacional de Não Dadores, durante o período de 2018 a 2020. Após extração, o DNA foi submetido a conversão por bissulfito de sódio, a que se seguiu a análise com um ensaio duplex-ddPCR visando o DNA metilado e o DNA não-metilado do CpG cg06639320 localizado no gene FHL2, durante o ano de 2024. Os ensaios foram realizados no sistema QX100™ Droplet Digital™ PCR (Bio- Rad, CA, USA). A relação entre a idade cronológica e os níveis de DNAm foi avaliada por regressão linear simples recorrendo ao software IBM SPSS, v.27. Foi obtida uma forte correlação entre os níveis de DNAm e a idade (R = 0,849; P = 4,136 x 10-8), explicando 71% da variação na idade (R2 ajustado). O APM construído com os coeficientes estatísticos revelou um valor médio do desvio entre a idade cronológica e prevista, [mean absolute deviation between chronological and predicted ages (MAD)], de 6,09 anos. A precisão do APM foi avaliada através de 3-fold cross validation obtendo-se uma MAD média de 6,44 anos. Comparando estes resultados com os previamente publicados pelo nosso grupo em ossos para o mesmo CpG usando as técnicas de sequenciação de Sanger e SNaPshot observou-se neste estudo um valor superior de correlação DNAm vs. idade e um valor de MAD inferior, evidenciando um aumento na precisão dos APMs construídos por ddPCR. Os resultados obtidos reforçam a utilidade da ddPCR para a estimativa da idade epigenética. O APM desenvolvido revela melhor precisão na estimativa da idade comparativamente à precisão reportada previamente usando a mesma amostra com diferentes métodos, podendo colocar a técnica de ddPCR como uma das mais promissoras para avaliação de níveis de DNAm a ser implementada em laboratórios forenses.
  • ADN antigo: pequenos passos, mas grandes avanços
    Publication . Correia Dias, Helena; Franco, Magda; Afonso Costa, Heloísa; Nascimento, Rui; Figueiredo, Alexandra; Monteiro, Cláudio; Corte Real, Francisco; Cainé, Laura; Amorim, António
    O estudo do DNA antigo (aDNA) será sempre uma fonte crucial de informação para a história das populações do passado e do futuro. Ao longo dos anos, o estudo do aDNA tem trazido vários obstáculos aos investigadores, os quais têm tentado novas abordagens para conseguir capturar material genético suficiente para as subsequentes análises. Com os diversos avanços tecnológicos, como a sequenciação genética next generation sequencing (NGS) ou massively parallel sequencing (MPS), novas oportunidades têm surgido. Não obstante, o processamento deste tipo de amostra será sempre desafiador devido às condições inerentes do aDNA, mas também certas condicionantes externas como a possível contaminação por ADN moderno ou contaminação laboratorial cruzada, armazenamento (nem sempre feito da forma mais adequada), ou certas condições ambientais, nas quais o material se encontrava antes de ser recuperado. O Laboratório de ADN Antigo do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses tem estudado remanescentes humanos no âmbito de um projeto colaborativo que abrange a investigação de comunidades de pré-história recente, na região centro de Portugal (MEDICE II). O objectivo desta apresentação consiste na explicação sumária do fluxo laboratorial envolvido no processamento de aDNA, e na apresentação de alguns dos resultados obtidos. No Laboratório de ADN Antigo, o processamento das amostras é feito em salas exclusivamente dedicadas para o efeito, e consiste, sumariamente, nos seguintes passos: 1) pré-tratamento da amostra (limpeza mecânica a baixa velocidade, minimizando o risco de degradação de ADN, e fragmentação/obtenção de pó); 2) extração automática de ADN; 3) quantificação de ADN; 4) sequenciação por MPS; 5) análise e interpretação de resultados. Seguindo o fluxo laboratorial descrito, observou-se, para a amostra em estudo, com cerca de 5000 anos, informações relevantes sobre a origem geográfica e o fenótipo do indivíduo. A análise estatística revelou uma percentagem maioritária para o grupo ancestral europeu e, relativamente ao fenótipo, observou-se que seria um indivíduo de olhos azuis, com uma tonalidade de cor de cabelo clara, e com uma coloração de pele intermédia. Não foi possível obter dados estatísticos para a cor do cabelo, nem informação relativa ao sexo. Passos pioneiros têm sido dados no caminho de expandir a investigação em aDNA e trazer novos avanços para a comunidade científica. Tendo em consideração as características particulares do aDNA, e também certos fatores extrínsecos, estes resultados são extremamente promissores. E, é precisamente por esse motivo, que o estudo do aDNA é uma das análises mais desafiadoras, mas também das mais estimulantes para os peritos forenses.
  • Base de Dados de Perfis de ADN como uma ferramenta no auxílio à Investigação criminal
    Publication . Neves Cardoso, Paula Liliana; Bogas, Vanessa; Corte Real Gonçalves, Francisco; Brito, Pedro
  • O retrato de condenados reincidentes inseridos na Base de Dados de Perfis de ADN em 2023
    Publication . Neves Cardoso, Paula Liliana; Bogas, Vanessa; Corte Real Gonçalves, Francisco; Brito, Pedro
  • Caracterização dos arguidos condenados na Base de Dados de Perfis de ADN portuguesa em 2024
    Publication . Bogas, Vanessa; Neves Cardoso, Paula Liliana; José, Andreia; Kullok, Arthur; Fonseca, Juliana; Corte Real Gonçalves, Francisco; Brito, Pedro
    Desde o primeiro registo de dados pessoais na Base de Dados de Perfis de ADN (em 2010) até 31 de dezembro de 2024 a Base de Dados continha 25139 registos, dos quais 16844 pertenciam a condenados (67%). Uma vez que o número de condenados corresponde a uma elevada percentagem dos registos na Base de Dados, anualmente têm sido realizados estudos no sentido de caracterizar esta população. Com o intuito de dar continuidade aos estudos anteriormente realizados, foi analisada a população de condenados inserida na Base de Dados de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2024, procedendo à sua caracterização de acordo com as seguintes variáveis: sexo, idade, nacionalidade e tipo de crime cometido. Para a concretização deste estudo, foram solicitados os registos de todos os condenados inseridos no período acima referido, devidamente anonimizados. Posteriormente, com recurso ao software Excel, os dados foram analisados permitindo a caracterização da população em estudo. Com base nos 2499 registos de condenados inseridos em 2024, verificou-se uma grande prevalência de indivíduos do sexo masculino, de nacionalidade portuguesa, nas faixas etárias dos 30 aos 49 anos de idade. Verificou-se também uma elevada representatividade de indivíduos de países de língua oficial portuguesa, quando comparadas com outras nacionalidades. Relativamente aos tipos de crime associados à população de condenados estudada, observou-se como os mais frequentes, os crimes contra a propriedade, tráfico de estupefacientes, crimes contra a integridade física, crimes de perigo comum e crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual. Com este trabalho verificouse um aumento de 8% no número de registos de condenados inseridos na Base de Dados de Perfis de ADN (BDP-ADN) em 2024, face aos anos anteriores, cujo incremento de registos se mantinha relativamente constante. Relativamente aos parâmetros utilizados para caracterizar a população de condenados inseridos na BDP-ADN portuguesa em 2024, verificou-se que os resultados obtidos para o sexo, idade e tipo de crime cometido, mantiveram-se relativamente constantes, já o mesmo não se observou em relação à nacionalidade. Nesta variável constatou-se um aumento de cerca de 2,3% no número de indivíduos masculinos de nacionalidade brasileira e de 3% no número de indivíduos femininos de nacionalidade brasileira, quando comparado com anos anteriores.
  • A importância dos perfis de profissionais na Base de Dados de ADN
    Publication . Bogas, Vanessa; Neves Cardoso, Paula Liliana; Fonseca, Juliana; José, Andreia; Kullok, Arthur; Corte Real Gonçalves, Francisco; Brito, Pedro
    A 12 de fevereiro de 2008 foi publicada a Lei n. º 5/2008, que aprova a criação e manutenção da Base de Dados de Perfis de ADN portuguesa (BDP-ADN) para fins de identificação civil e criminal. Desde a primeira inserção realizada em 2010 até 31 de dezembro de 2024, o nº de perfis genéticos inseridos na BDP-ADN totalizava 25673, sendo que 63% pertenciam a condenados com a pena igual ou superior a 3 anos, 34% a perfis de amostras problema para investigação criminal, 2% a perfis de profissionais e apenas 1% dizem respeito a perfis de amostras problema para identificação civil, amostras de referência de familiares para investigação civil, voluntários e arguidos em processo criminal pendente. O objetivo das Bases de Dados de Perfis de ADN é auxiliar a justiça contribuindo para a possível resolução de investigações criminais através da detecção de coincidências entre perfis genéticos de amostras de origem desconhecida (amostras biológicas colhidas em local de crime, designadas como amostras problema) e perfis genéticos de origem conhecida (condenados, arguidos em fase de inquérito); assim como auxiliar na identificação civil através de coincidências entre perfis genéticos de amostras colhidas em cadáver de identidade desconhecida e perfis genéticos de objetos pessoais, familiares de pessoas desaparecidas ou com perfis de condenados inseridos, mas também auxiliar na identificação de pessoas amnésicas. Até 31 de dezembro de 2024 foi possível detectar na BDP-ADN 2228 coincidências a nível nacional, das quais cerca de 0,6% das coincidências foram obtidas entre perfis genéticos de amostras problema para investigação criminal com profissionais. Nesta data, a BDP-ADN contava com 583 perfis genéticos de profissionais, cuja interconexão com os perfis genéticos de amostras problema para investigação criminal inseridos resultou em 13 coincidências. Cinco dessas coincidências foram com perfis genéticos singulares e sete com perfis genéticos de mistura. Verificou-se ainda que um dos perfis genéticos de mistura correspondia à combinação de dois perfis de profissionais diferentes, resultando numa coincidência perfeita. De acordo com as recomendações da European Network of Forensic Science Institutes qualquer pessoa que possa contribuir para a contaminação cruzada de amostras biológicas sob investigação deve ter o seu perfil genético inserido numa base de dados de ADN de eliminação laboratorial e na BDP-ADN. O objetivo deste trabalho é enfatizar a importância da inclusão dos perfis genéticos de profissionais na BDP-ADN, levando à detecção de perfis genéticos cujas amostras, em alguma fase do processo (da colheita à determinação de perfil genético), sofreram uma contaminação não detetada, tendo por isso sido assumidas como evidência, e inseridas na BDP-ADN com o propósito de ajudar a resolver um crime.
  • Interconexão e identificação de cadáveres no âmbito da cooperação internacional com recurso à Base de Dados de Perfis de ADN
    Publication . Neves Cardoso, Paula Liliana; José, Andreia; Bogas, Vanessa; Corte Real Gonçalves, Francisco; Brito, Pedro; Kullok, Arthur; Fonseca, Juliana