EM - IUEM - Psicologia Forense e Criminal
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Entradas recentes
- Comparação das distorções cognitivas entre abusadores sexuais de crianças e adolescentes e consumidores de material de exploração sexual de criançasPublication . Neves, Catarina Alexandra Bessa Ferreira; Soeiro, CristinaA presente revisão sistemática de literatura teve como principal objetivo analisar a natureza, desenvolvimento e impacto das distorções cognitivas em dois grupos de abusadores sexuais: indivíduos que praticam abuso sexual de contacto com crianças e adolescentes, e consumidores de material de exploração sexual de crianças (MESC). Através da metodologia PRISMA, foram incluídos 15 estudos quantitativos, qualitativos, teóricos e meta-analíticos, oriundos de contextos clínicos, prisionais e comunitários maioritariamente ocidentais. Os artigos selecionados incidiram sobre amostras predominantemente masculinas e adultas, com escassez de dados transversais sobre mulheres. Os resultados demonstram que as distorções cognitivas têm um papel central como mecanismos de racionalização, minimização do dano e negação das consequências do abuso. Nos abusadores de contacto, predominam narrativas distorcidas de afeto, consentimento ilusório e externalização de culpa, frequentemente associadas a contextos familiares disfuncionais e défices de empatia. Entre consumidores de MESC, identifica-se uma forte dissociação moral, sustentada por crenças de anonimato, minimização do impacto e ausência percebida de vítimas reais, o que evidencia o papel do contexto digital na estruturação das justificações. As limitações dos estudos recaem em amostras reduzidas, prevalência de autorrelato e falta de validação de instrumentos para o contexto lusófono. Conclui-se que a eficácia da avaliação e da intervenção depende da adaptação à especificidade das características e do contexto do abusador, recomendando-se uma abordagem clínica e forense diferenciada, bem como o desenvolvimento de instrumentos culturalmente validados e estudos longitudinais para acompanhar a evolução das distorções cognitivas e avaliar a eficácia das intervenções.
- Virtual and real paths : uma revisão sistemática sobre fatores de risco de reincidência criminal em ofensores MASC e mistosPublication . Dias, Raquel Maria Gonçalves; Soeiro, Cristina; Gonçalves, Marta MatosThe present work is a systematic review aimed at identifying and comparing risk factors for criminal recidivism among child sexual exploitation material (CSEM) offenders and mixed offenders, as well as critically analyzing the main risk assessment instruments applied to these groups. Twenty-four articles, selected in accordance with the PRISMA protocol, were reviewed, ensuring methodological rigor and scientific quality. The research, predominantly originating from Canada, the United States, Australia, the United Kingdom, and Germany, reveals that fifteen studies compare risk profiles between CSEM and mixed offenders, eight focus on risk assessment instruments, and one deals exclusively with CSEM offenders. The samples are mostly comprised of adult males, with average ages between 30 and 40 years, highlighting demographic homogeneity and posing a significant limitation to the generalizability of the results. Findings show that, while CSEM offenders tend to present lower levels of antisocial behavior, greater relational/professional stability, and recidivism almost exclusively in the online sphere, mixed offenders exhibit more impulsivity, psychosocial pathology, and both digital and physical recidivism. The CPORT stands out as the reference instrument for CSEM offenders; for mixed offenders, it is recommended to combine structured tools (STATIC-99R, SVR-20, STABLE/ACUTE-2007) with digital assessment instruments. Limitations remain relating to the diversity of samples and the integration of dynamic psychosocial factors. This review underscores the need for differentiated, multidimensional, and culturally sensitive approaches to assessment and intervention, recommending the development of multicentre longitudinal studies and instruments adapted to the digital reality and the psychosocial complexities characteristic of these sexual offense profiles.
- Por detrás da perpetração de violência nas relações de intimidade : o trauma na infância e a vinculação na idade adultaPublication . Duarte, Maria João Parrulas; Neves, Ana Cristina Sabino Pestana; Almeida, Iris Sofia Balbino de; Monteiro, SusanaA violência nas relações de intimidade (VRI) é um fenómeno mundial, que compreende comportamentos violentos ao nível emocional, físico, sexual, social e económico, praticados por uma pessoa que a vitima mantém ou manteve uma relação. Atendendo à prevalência do fenómeno, é importante perceber quais as variáveis que influenciam a prática de violência, como o trauma na infância e a vinculação na idade adulta. Os estudos sobre a prática de violência nas relações de intimidade, o trauma na infância e os estilos de vinculação na idade adulta, a nível nacional são escassos. Assim, o presente estudo teve como principal objetivo explorar a relação entre o trauma na infância, os estilos de vinculação na idade adulta e a perpetração de violência. A amostra desta investigação é composta por 341 participantes da população geral, maioritariamente do sexo e género feminino, solteiros com idades compreendidas entre os 18 e 78 anos. Dos 341 participantes, 86 reportaram ter tido comportamentos violentos nas relações de intimidade. As experiências traumáticas na infância foram avaliadas através do Questionário de Trauma na Infância – Versão breve (CTQ). Já a vinculação na idade adulta, foi avaliada através da Escala de Vinculação Adulta (EVA). Os resultados do presente estudo revelaram uma relação entre o trauma na infância e a vinculação na idade adulta e que as pessoas que perpetram VRI apresentam níveis mais elevados de trauma na infância. Verificou-se também que o trauma emocional apresenta um papel mediador na relação entre a vinculação ansiosa na idade adulta e a perpetração de VRI. Estes resultados permitem concluir que o trauma na infância e a vinculação têm influencia no comportamento violento. Contudo, sugerem que a vinculação ansiosa apenas influencia a VRI se estiver associada à ocorrência de trauma emocional.
- Santos ou pecadores? A associação entre a tríade negra e os fundamentos moraisPublication . Fernandes, Margarida Caçador; Soeiro, CristinaEnquadramento: A moralidade é fenómeno multifatorial, influenciado por fatores de natureza psicológica, cultural e de personalidade. Os traços da Tríade Negra da personalidade, as diferenças de género e a forma como os indivíduos valorizam os fundamentos morais, parecem modular significativamente os padrões de julgamento e comportamento ético. Por esse motivo, a análise da interação entre estas dimensões é fundamental para a compreensão e explicação da valorização dos fundamentos morais propostos pela Teoria dos Fundamentos Morais (MFT). Objetivos: O objetivo da presente investigação é analisar de que modo os traços da Tríade Negra influenciam a adesão aos fundamentos morais propostos na MFT e o papel do sexo biológico nesta relação, numa amostra da população geral. Participantes: A amostra utilizada na presente investigação é composta por 103 participantes, do sexo biológico feminino (n = 68; 66%) e masculino (n = 35; 34%), com idades compreendidas entre os 18 e os 77 anos de idade (M = 36.09; DP = 12.817). A grande maioria dos participantes são portugueses (n = 94; 91.3%). Método e Procedimentos: A recolha de dados foi realizada através de um protocolo de investigação totalmente online através da plataforma Google Forms, constituído por um questionário sociodemográfico e dois instrumentos de avaliação psicológica: o The Short Dark Triad (SD3; Jones & Paulhus, 2013; traduzido e adaptado por Fernandes, Santos & Soeiro, 2024) e o Moral Foundations Questionnaire (MFQ-30; Graham et al., 2008; versão portuguesa de Frias, 2011; Costa, 2020). Resultados: Níveis mais elevados de Narcisismo estão associados a menor valorização de fundamentos morais individualizantes, enquanto o Maquiavelismo se associa a maior adesão a fundamentos morais grupais. O sexo biológico não moderou estas associações, mas as mulheres valorizaram mais os fundamentos individualizantes e os homens mais o de Autoridade. Os traços da Tríade Negra mostram, assim, influência diferenciada sobre os padrões de adesão moral. Conclusão: Estes dados reforçam que traços de personalidade socialmente disfuncionais influenciam de forma distinta os padrões de adesão moral, destacando a necessidade de estudos futuros mais abrangentes e culturalmente diversificados.
- Childhood experiences, adult trauma, and psychoemotional factors : a comparative study between first responders and the general populationPublication . Matos, Ana Francisca Mália; Almeida, TelmaBackground: Adverse childhood experiences (ACEs) are associated with increased vulnerability to trauma, emotional regulation difficulties (ERD), and general poorer mental health. In contrast, positive childhood experiences (PCEs) play a protective role, promoting the development of adequate emotional regulation and mental health. In first responders (FRs), the cumulative impact of trauma can be amplified. Objectives: This research analyzes the associations between ACEs, PCEs, and psychoemotional factors, comparing FRs with the general population, and examines the prevalence and impact of childhood experiences and adult trauma on both outcomes. Participants: The sample consists of 296 Portuguese participants (149 from the general population, aged 18 to 68, and 147 FRs, aged 20 to 63. Method: An investigation protocol was used, with a sociodemographic questionnaire, the Adverse Childhood Experiences Questionnaire (ACE), the Benevolent Childhood Experiences Scale (BCEs), the Difficulties in Emotional Regulation Scale – Short Form (DERS-SF), the Brief Symptom Inventory 18 (BSI-18), a Traumatic Events Checklist (TEC), and a Risk Exposure Checklist (REC). Results: This research reveals positive correlations between ACEs and ERD, symptomatology, exposure to adult trauma, and its impact, and negative correlations between PCEs and ACEs, ERD, and symptomatology. In FRs, occupational trauma is also positively linked with ACEs, exposure to adult trauma, and its impact. The general population shows more ERD and symptomatology, while FRs show more child physical abuse and a higher exposure to adult trauma and its impact. Age, some ACEs, PCEs, and the impact of traumatic events are predictors of ERD. Age, some ACEs, and some ERD dimensions predict the impact of traumatic events. Moreover, age, sex, socioeconomic status, emotional neglect, PCEs, and the impact of traumatic events are predictors of symptomatology. PCEs moderate the relationship between ERD and the impact of traumatic events in FRs. PCEs also moderate the link between ACEs and symptomatology and the relationship between trauma in adulthood and symptomatology among the general population. Conclusion: These findings highlight the role of ACEs, PCEs, and trauma on ERD and mental health, emphasizing some differences regarding both populations. This research underscores the need to explore and develop tailored prevention and intervention measures to reduce ACEs, ERD, and symptomatology and to promote PCEs, thereby enhancing the mental health of individuals.
- Dos pixéis à predação : uma revisão sistemática das perturbações mentais, parafilicas e do comportamento sexual compulsivo em agressores sexuais mistos e onlinePublication . Marques, Tatiana Banza; Soeiro, CristinaA investigação científica sobre os agressores sexuais online tem ganho crescente relevância, em particular na distinção entre os indivíduos cujo comportamento engloba posse, produção e distribuição de material de exploração sexual de crianças (MESC) e aqueles que, de forma mista, combinam o consumo de conteúdos digitais ilícitos com o abuso sexual presencial de crianças. A literatura aponta para diferenças relevantes entre estes grupos, sobretudo no que respeita às perturbações mentais, parafílicas e do comportamento sexual compulsivo (PCSC), dimensões que se revelam centrais para a compreensão do comportamento sexual desviante e do risco de reincidência. Esta revisão sistemática examina a literatura sobre agressores sexuais online, com especial enfoque em indivíduos envolvidos com material de exploração sexual de crianças (MESC) e agressores sexuais mistos, considerando a prevalência das variáveis relacionadas com perturbações mentais, parafilicas e do comportamento sexual compulsivo. Os resultados revelam perfis psicopatológicos complexos. Os agressores de MESC apresentam maior sintomatologia de depressão, ansiedade e dificuldades nas competências interpessoais. Por sua vez, os agressores sexuais mistos apresentam níveis mais elevados de perturbações de personalidade (e.g. bordeline), interesses sexuais desviantes, pedo-hebephilia e comportamentos sexuais compulsivos, incluindo masturbação compulsiva, promiscuidade e uso problemático de pornografia. As parafilias são predominantes em ambos os grupos, mas mais consistentes e extensivas em amostras clínicas e prisionais. Estes resultados evidenciam a necessidade de avaliações psicopatológicas multidimensionais e padronizadas, capazes de distinguir perfis de risco entre agressores de MESC e agressores mistos. A investigação reforça a importância de estratégias de prevenção e intervenção direcionadas, especialmente no caso de agressores mistos, caracterizados por maior risco de reincidência e escalada de comportamentos sexuais desviantes.
- Relationship between childhood adversity, cyberstalking, internet usage habits, emotional regulation and symptomatologyPublication . Canha, Inês Marcos; Almeida, TelmaBackground: Adverse childhood experiences (ACEs) have negative consequences for individuals and significantly contribute to prolonged internet exposure. Additionally, the rapid evolution of the internet has led to the emergence of new types of online victimization, such as cyberstalking. Cyberstalking, in turn, tends to have a significant impact on the victim’s life, on the victim’s emotional regulation abilities, and mental health. Objective: This study aims to analyze the relationships among ACEs, internet use habits, cyberstalking in adulthood, emotion regulation difficulties, and symptomatology. It also sought to compare victims and non-victims of cyberstalking regarding these variables and identify the predictors of depression and anxiety. Participants: The sample consists of 248 participants aged 18-70 years (M = 33.97, SD = 13.33), including 101 non-victims and 147 victims of cyberstalking. Method: A sociodemographic questionnaire, the Adverse Childhood Experiences Scale (ACEs), a checklist that assesses internet usage habits, the Cyber Obsessional Pursuit, the Difficulties in Emotional Regulation Scale – Short Form (DERS-SF), and the Brief Symptom Inventory 18 (BSI-18) were administered. Results: Statistically significant correlations were found between all instruments, except between ACEs and internet usage habits. When comparing the groups of cyberstalking victims and non-victims, the former presented higher levels of ACEs, internet usage habits, difficulties in emotion regulation, as well as depression and anxiety symptoms. In addition, the regression analyses allowed us to conclude that lack of emotional awareness, restricted access to effective emotion regulation strategies, and anxiety are predictors of depression. In contrast, sex and depression predicted higher levels of anxiety. Conclusion: The study concluded that childhood adversity is associated with online victimization. It also found that cyberstalking has consequences for victims in terms of symptomatology. In this sense, this study emphasizes the need to develop prevention and intervention strategies for cyberstalking victims to mitigate the consequences of this type of victimization.
- Relationship between childhood adversity, positive thoughts, and symptomatology : a comparative study between victims and non-victims of non-consensual intimate image-sharingPublication . Pereira, Rúben Alexandre Martins Canário dos Santos; Almeida, TelmaBackground: Non-consensual intimate image-sharing (NCII) is a form of digital sexual abuse that involves distributing intimate images without consent, often as an act of revenge, humiliation, or control. This violation can lead to severe psychological issues, including depression, anxiety, and social isolation. Research shows that promoting positive thinking, self-compassion, and social support can play a crucial role in recovery, helping survivors rebuild self-esteem and emotional resilience. Objectives: Examine the relationships between adverse childhood experiences, psychological distress, and positive thinking skills; compare victims and non-victims of NCII regarding these variables; and identify the predictive variables of depression, anxiety, and somatization. Method and Procedures: The sample consisted of 197 participants aged 18-78 years (M = 40.8, SD = 14.52). Data were collected through an online research protocol, which included a sociodemographic questionnaire, the Adverse Childhood Experiences (ACEs) questionnaire, the Non-Consensual Intimate Image-Sharing Victimization Checklist (NCII), the Brief Symptoms Inventory (BSI-18), and the Positive Thinking Skill Scale (PTSS). Results: Results reveal that NCII victimization is often perpetrated by intimate partners or acquaintances. Victims reported higher levels of emotional and sexual abuse, psychological distress, and somatization. Emotional abuse, sexual abuse, and emotional neglect are predictors of depression; exposure to domestic violence and family mental illness or suicide are predictors of anxiety; and biological sex, emotional abuse, neglect, and NCII victimization are predictors of somatization. Conclusion: The findings of this study highlight the need for prevention strategies that promote digital literacy, healthy relationship education, and awareness of the importance of consent in intimate contexts. The identification of NCII victimization and adverse childhood experiences should be integrated into mental health assessments. At the same time, interventions should emphasize resilience and adaptive coping to support recovery and post-traumatic growth.
- Violência nas relações íntimas, vinculação e psicopatologia : um estudo com perpetradores adultosPublication . Câmara, Mariana de Jesus Arruda; Neves, Ana Cristina Sabino Pestana; Almeida, Iris Sofia Balbino de; Matias, AndreiaA Violência nas Relações Íntimas (VRI) constitui um problema social e de saúde pública, abrangendo comportamentos físicos, psicológicos e sexuais de controlo e agressão entre parceiros íntimos. Em Portugal, é juridicamente enquadrada no artigo 152.º do Código Penal, sob a designação de violência doméstica. A partir da segunda metade do século XX, a investigação científica assinalava que a VRI era um problema social, com caraterísticas específicas, especialmente a partir dos anos 80 (Ventura et al., 2013). Em Portugal, a consciencialização sobre este fenómeno começou a ganhar destaque no início dos anos 90 (Ventura et al., 2013). A ausência de afeto e a instabilidade nas relações interpessoais, particularmente nas relações íntimas (Silva, 2014) e especialmente as relações que incluem violência, revelam psicopatologias das pessoas perpetradoras e exigem que sejam acionados meios de proteção institucionais e pessoais para as vítimas (Pereira, 2025). A investigação sobre a VRI, pode ser abordada por várias teorias. O presente estudo incide sobre os sintomas psicopatológicos e os estilos de vinculação na idade adulta, para compreender o modelo de relações íntimas. A ocorrência VRI, demonstra mal-estar nas relações e é necessário entender o que as partes envolvidas procuram nas relações afetivas e emocionais. Os objetivos da investigação foram comparar perpetradores e não perpetradores em relação a sintomas psicopatológicos, e a estilos de vinculação, a relação entre tipos de vinculação e sintomas psicopatológicos e por último averiguar como os estilos de vinculação e os sintomas psicopatológicos são preditores de VRI. Foram aplicados os instrumentos de avaliação psicológica - Escala de Vinculação do Adulto e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos - a 341 participantes, que no total foram classificados, 255 (74.8%) como não perpetradores de VRI e 86 (25.2%) como perpetradores. Concluímos pela existência de estilos de vinculação, amedrontado e preocupado como preditores de comportamentos agressivos e de existência de sintomas psicopatológicos como obsessões/compulsões e ideação paranóide como preditoras de VRI.
- Contributo para o desenvolvimento de uma escala de avaliação de risco de maus-tratos parentaisPublication . Menino, Joana Alves; Neves, Ana Cristina Sabino Pestana; Almeida, Iris Sofia Balbino de; Baúto, RicardoOs maus-tratos infantis revelam ser uma problemática global de saúde pública, apresentando uma prevalência mundial elevada que pode impactar negativamente a saúde e bem-estar psicossocial da criança ou jovem. Se o desenvolvimento normativo da criança pode ser afetado pelos maus-tratos, a avaliação dos fatores de risco parentais é fundamental para que seja possível prevenir ou intervir nestes casos. Os fatores de risco podem ser classificados em vários níveis (individual, interpessoal, comunitário e social) e a interação entre estas categorias origina e/ou mantem a perpetração de maus-tratos parentais. No contexto português ainda não foi desenvolvido um instrumento de avaliação de risco de maus-tratos parentais. Todavia, com o conhecimento científico deste fenómeno e com revisões sistemáticas recentes, existem condições para iniciar a elaboração desse recurso. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo contribuir para a produção de uma escala de avaliação de risco para casos de maus-tratos parentais e realizar uma análise preliminar dos conteúdos da escala. Recorrendo ao estudo de casos, a amostra foi composta por cinco casos distintos. A aplicação da escala foi pertinente nos cinco casos possibilitando a atribuição de um nível de risco de maus-tratos parentais, como também, foi um contributo para o avanço científico no que concerne os maus-tratos infantis e a sua avaliação.
