EUVG - Dissertações do Mestrado em Medicina Interna de Animais de Companhia
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- Contributo de Técnicas Complementares Aplicadas à Citologia para o Diagnóstico de Peritonite Infecciosa Felina na Forma Não EfusivaPublication . Magalhães, Mário Bruno; Santos, Marta Susana Amaro dosIntrodução: a PIF na sua forma não efusiva é uma doença de difícil diagnóstico devido à ausência de testes não invasivos suficientemente sensíveis e específicos. O método gold-standard para a confirmação da doença é a deteção do antigénio FCoV em tecidos através de imunohistoquímica (IHQ). Contudo, este diagnóstico é muitas vezes realizado apenas post-mortem. No presente estudo investigou-se o contributo de técnicas complementares à citologia, nomeadamente citobloco e cytospin, associadas à imunomarcação para a deteção do antigénio FCoV em amostras colhidas de forma minimamente invasiva. Material e Métodos: inclui-se prospectivamente gatos com suspeita de PIF não efusiva, selecionados com base em critérios clínico-laboratoriais e imagiológicos. A colheita de amostras foi realizada por punção ecoguiada de órgãos-alvo (fígado, rim, linfonodos mesentéricos e baço). As amostras foram processadas para citologia convencional, citobloco e cytospin, seguindo-se a aplicação de imunomarcação para deteção do FCoV. A confirmação do diagnóstico de PIF foi realizada através de IHQ em tecidos de necropsia ou pela resposta ao tratamento com Remdesivir. Resultados: foram incluídos 6 gatos, cinco dos quais com confirmação de PIF; nestes animais pelo menos uma das técnicas complementares à citologia foi positiva. A imunocitoquímica (ICQ) aplicada às preparações de cytospin apresentou boa sensibilidade na deteção do antigénio FCoV em macrófagos; a representatividade celular foi menor no citobloco. A aplicação de ICQ em esfregaços citológicos previamente corados foi positiva em 2 dos 5 casos de PIF. Discussão: os resultados sugerem que a citologia associada a técnicas de imunomarcação pode ser uma ferramenta útil para o diagnóstico pre-mortem da PIF não efusiva. A ICQ em cytospin mostrou-se uma técnica sensível e por isso promissora. Neste estudo, ficou demonstrado que diagnóstico de PIF pode ser obtido em esfregaços citológicos previamente corados — o que contraria evidência prévia que indicava a total perda da antigenicidade do FCoV após coloração citológica. A principal limitação do estudo foi a baixa celularidade dos lavados da agulha, o que afetou a obtenção de um citobloco representativo. Conclusão: este estudo reforça o papel das técnicas complementares à citologia no diagnóstico da PIF não efusiva. A ICQ aplicada a cytospin revelou-se a técnica mais sensível, enquanto a imunomarcação de esfregaços previamente corados demonstrou, pela primeira vez, utilidade para o diagnóstico de PIF. A implementação de um protocolo padronizado para colheita e processamento de amostras, especialmente dos lavados da agulha, poderá contribuir para melhorar a capacidade diagnóstica e, consequentemente, apoiar a decisão clínico-terapêutica em gatos com PIF.
- Proteínas de Fase Aguda e Biomarcadores de Stresse Oxidativo em Gatos com LinfomaPublication . Rezende, Érico Augusto; Vilhena, Hugo Corte-RealO linfoma é um dos tumores mais comuns em gatos e pode desenvolver-se em qualquer tecido. A etiologia é multifatorial, e ainda não completamente conhecida, mas diferentes fatores (isolados ou em associação) têm sido implicados na carcinogénese do linfoma felino, incluindo agentes infecciosos, inflamatórios, genéticos, alimentares e inalatórios, a idade, entre outros. A sua apresentação clínica é muito variada, e dependente do órgão ou tecido que é afetado pelo linfoma. Em muitos casos o diagnóstico é rápido e assertivo, no entanto, em alguns casos é desafiador. Da mesma forma, a resposta ao tratamento, e consequentemente o prognóstico, são variáveis e também influenciados por diversos fatores relacionados com o tumor, o animal, o tutor e a disponibilidade de métodos de tratamento. A identificação de biomarcadores que possam ser úteis no diagnóstico, na monitorização da evolução da doença e/ou da resposta ao tratamento, no prognóstico, e que possam ser potenciais alvos terapêuticos é de extrema importância em oncologia humana e veterinária. As proteínas de fase aguda (PFA) e os parâmetros de stresse oxidativo têm sido estudados como biomarcadores de diferentes doenças em medicina humana e veterinária, incluindo em doenças oncológicas. No entanto, a informação científica disponível sobre a resposta inflamatória aguda e o estado oxidativo em gatos com linfoma é escassa. Assim, o presente estudo teve como principais objetivos avaliar a resposta das PFA e a resposta antioxidante em gatos com linfoma de alto grau. No presente estudo foram incluídos 36 gatos, dos quais 24 gatos com linfoma de alto grau e 12 gatos clinicamente saudáveis (grupo controlo). As PFA proteína sérica amilóide A (SAA), Haptoglobina (Hp), butirilcolinesterase (BChE) e fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF 1), e os biomarcadores de stresse oxidativo tiol sérico total (Tiol) e capacidade antioxidante total (TAC) determinada através de três métodos diferentes (TEAC, CUPRAC e FRAP), foram determinados em amostras de soro dos animais doentes (colhidas no momento do diagnóstico e antes da administração de qualquer tratamento) e dos animais do grupo controlo. No momento do diagnóstico, os animais doentes apresentaram concentrações séricas de SAA significativamente superiores, e de IGF 1, BChE, TEAC e CUPRAC significativamente inferiores aos animais saudáveis. Para além disso, no momento do diagnóstico, os animais doentes com efusão pleural apresentaram níveis séricos de BChE significativamente inferiores aos dos animais sem efusão. Adicionalmente, a concentração sérica de IGF 1 foi significativamente inferior em gatos doentes infetados por FIV e FelV do que nos animais não infetados, e em gatos doentes não castrados do que em gatos doentes castrados. Os resultados obtidos no presente trabalho sugerem que a SAA, BChE, IGF 1, TEAC e CUPRAC poderão ser biomarcadores clinicamente úteis em gatos com linfoma. No entanto, estudos futuros envolvendo um maior número de animais e com monitorização da concentração sérica destes analitos ao longo da progressão da doença serão necessários para melhor compreender a sua aplicação na prática clínica.
- Evaluation of the Familiarity and Adherence of Veterinary Medical Care Centres in Portugal to Gold Standard Guidelines for the Handling and Administration of Chemotherapeutic Drugs in Companion AnimalsPublication . Magalhães, Laura Santa-Pissarra Barreto de; Figueira, Ana Catarina Pais dos SantosChemotherapy is essential in the treatment of neoplasms in animals. However, due to the mutagenic, teratogenic and carcinogenic risks of these agents, their handling is considered an occupational hazard. Therefore, strict biosafety protocols have been established to protect patients, healthcare professionals and the environment. This study aimed to evaluate whether veterinary professionals (veterinarians and veterinary nurses) in Portugal are aware of and follow safety protocols for the preparation and administration of chemotherapeutic drugs in companion animals. For this purpose, an anonymous questionnaire with 41 multiple-choice questions and one open-ended question was created, following the recommendations of the American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM) consensus and the guidelines of the European College of Veterinary Internal Medicine of Companion Animals (ECVIM-CA) regarding the safety measures to be taken when handling these drugs. This questionnaire was distributed to various Veterinary Medical Care Centers (VMCC) in Portugal via the Google Forms platform. In total, 200 responses were obtained, of which 148 were from veterinarians and 50 from veterinary nurses. In two questionnaires, the professional category of the responder was not indicated. The results of this study revealed that although most veterinarians and veterinary nurses in Portugal were aware of most of the safety recommendations for handling chemotherapeutic drugs, adherence to these guidelines is low. Different factors contributed significantly to the non-compliance with safety protocols, namely lack of interest in the field, the respondent not being responsible for the management of oncological clinical cases, the type of VMCC, the frequency of chemotherapy sessions at the VMCC, the lack of awareness of associated risks and the incomplete coverage of this topic during academic training. Additionally, the main challenges reported by professionals in the final open-ended question included lack of adequate infrastructures for preparation and administration of chemotherapy, absence of adequate equipment and the high cost of safety materials, which may compromise proper adherence to safety standards.
- Helmintoses Intestinais de Cão e Gato na Cidade de MatosinhosPublication . Oliveira, Fabrício Moreira Cesar de; Sousa, Sérgio Eduardo Ramalho deAs helmintoses intestinais que afetam cães e gatos desempenham um papel significativo devido à sua ampla distribuição mundial e ao impacto que representam. Na Saúde Pública, estas parasitoses estão associadas a zoonoses que podem causar diversas doenças em seres humanos, especialmente em populações vulneráveis, como crianças, idosos e indivíduos imunossuprimidos. Além disso, a contaminação ambiental por ovos e larvas de parasitas em espaços públicos, como parques e jardins, intensifica o risco de transmissão, representando um desafio sanitário. No que respeita aos próprios animais, estas infeções comprometem diretamente o bem-estar e a qualidade de vida, provocando sintomas como perda de peso, anemia, diarreia, vómitos e, em casos graves, obstruções intestinais ou mesmo a morte. O impacto é ainda mais significativo em animais jovens, debilitados ou não tratados, aumentando a sua vulnerabilidade a outras doenças. Este estudo analisa a prevalência de helmintes intestinais e avalia, através de um inquérito realizado junto dos tutores, os hábitos e cuidados dispensados aos animais que foram atendidos em um Hospital Veterinário situado na Cidade de Matosinhos (Porto). No Norte de Portugal, em especial na Cidade de Matosinhos, não existem estudos sobre helmintoses intestinais em cães e gatos em Clínicas e Hospitais Veterinários. Para este estudo, foi escolhido o método de flutuação de Willis, tendo a vantagem de ser relativamente barato, podendo ser realizado nas dependências do próprio Hospital e não invasivo para os animais. Um total de 90 cães e 30 gatos foi avaliado quanto à presença de helmintoses intestinais durante um período de 4 meses. A percentagem global de animais positivos para helmintose intestinal foi de 6,2%. Os helmintes mais comuns detetados no grupo canino foram os Ancilostomídeos (5,6%) e Toxocara canis (1,1%). Desses parasitas detetados, Toxocara canis representa o maior risco zoonótico. Em relação aos felinos foi encontrado um total de 2,5% (1/40) animais parasitados por Toxocara cati. Os resultados podem indicar um risco zoonótico, especialmente no caso de Toxocara canis e Toxocara cati. Grande parte da população de cães e gatos deste estudo frequenta regularmente o hospital veterinário, mas a ocorrência de parasitas intestinais evidencia a necessidade de controlos parasitários mais eficazes, exames fecais regulares e a remoção das fezes do solo, em prol da saúde pública e animal.
