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Orientador(es)
Resumo(s)
Intodução: A angina crónica é uma doença cardiovascular comum que afeta a população mundial, causando incapacidade significativa e interferindo nas atividades diárias. Entre as diferentes abordagens terapêuticas, a ranolazina está incluída.
Os autores apresentam um caso de um indivíduo de 71 anos de idade encontrado já cadáver, num pasto agrícola, em posição de decúbito ventral. Junto à vítima encontrava-se uma garrafa vazia de licor de mel. Na autópsia, o hábito interno revelou que o estômago continha cerca de 150 ml de papa alimentar com múltiplos fragmentos não digeridos e a presença de 14 comprimidos brancos e de forma oval, idênticos entre si, discretamente digeridos.
Material e Métodos: Dada a presença de comprimidos no estômago, um estudo inicial num equipamento de LC-MS/MS com espectrometria de massa do tipo QTOF, permitiu identificar a presença do prinicipio activo ranolazina. No procedimento analítico de determinação de ranolazina, as amostras biológicas foram previamente extraídas por precipitação proteica, utilizando 0,1 mL de amostra, e posteriormente analisadas por LC-MS/MS. A separação cromatográfica foi efetuada com uma coluna de fase reversa e uma fase móvel, em gradiente, constituída por formato de amónia aquoso 2mM e por metanol, a um fluxo de 0,4 mL/min. Na análise por MS/MS foi utilizado um triplo quadrupolo com ionização por electrospray (ESI). A aquisição de dados por monitorização de reações múltiplas (MRM) foi utilizada na deteção e quantificação de ranolazina (RT= 5,26), de acordo com as seguintes transições: m/z 428,2>279,2 e m/z 428,2>98,1, em modo ESI positivo.
Resultados e Discussão: Para a quantificação de ranolazina foi utilizada uma curva de calibração com concentrações compreendidas entre 10 a 200 ng/mL e controlos ajustados a essa gama de trabalho. Os resultados toxicológicos revelaram a presença de ranolazina nas amostras de sangue periférico (49 ng/mL) e de sangue cardíaco (1302 ng/mL). A restante perícia laboratorial revelou a presença de benzodiazepinas: alprazolam (76 ng/mL), diazepam (154 ng/mL) e nordiazepam (30 ng/mL) em concentrações terapêuticas, e a presença de um diurético : furosemida (52 ng/mL). A amostra de sangue foi positiva para etanol (1,79 g/L).
Conclusões: Foi crucial o apoio na identificação dos comprimidos encontrados no estômago permitindo assim o desenvolvimento do método de confirmação e quantificação de ranolazina. Deste modo, os autores salientam a importância da pesquisa deste fármaco no sentido de complementar a perícia laboratorial.
Tendo em consideração os dados necrópsicos, a informação clínica e circunstancial facultada ao GMLF dos Açores e os resultados toxicológicos, o perito forense atribuiu, como causa de morte, uma intoxicação medicamentosa e alcoólica.
Descrição
Poster apresentado no 23º Congresso Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, INMLCF, IP, Aveiro, 16-18 out 2025
Palavras-chave
Ranolazina Angina de peito LC-MS/MS
