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Abstract(s)
Este estudo surge do interesse em compreender as implicações psicossociais advindas da
gravidez tardia na fase avançada de vida, tendo em conta o aumento do número de gestantes
acima dos 35 anos de idade que se verificou nos últimos anos (Gomes, Donelli, Piccinini,&
Lopes, 2008). Para o efeito, averiguou-se a experiência da gravidez tardia em mulheres
portuguesas com idade igual ou superior a 65 anos, contemplando, também, a experiência dos
últimos filhos. Trata-se de um estudo qualitativo que contou com a participação de 15 mães com
idades compreendidas entre os 66 e os 95 anos (média = 75.7, DP = 8.38) e 15 últimos filhos
com idades entre os 26 e os 50 anos (média = 35.3, DP = 6.33). Para a recolha dos dados foram
realizadas entrevistas semiestruturadas, separadamente a mães e aos respetivos últimos filhos,
que depois de transcritas foram analisadas através de técnicas de análise de conteúdo com
recurso ao programa NVivo Plus, versão 11. Face ao material colectado emergiram quatro
categorias correspondentes à experiência das mães (Gravidez, Geração Sandwich, Os filhos
"pra quem Deus falou" e Generatividade comprometida) e três correspondentes à experiência
dos últimos filhos (Relação com a descendência, Relação com a fratria e Relação com os pais).
A experiência da gravidez tardia foi relatada como um evento de vida comum para a época, mas
ainda assim encarado como uma situação estressora, por algumas mães, devido ao facto de ter
sido acidental, a sentimentos de vergonha e a receios de complicações gestacionais. Algumas
das mães entrevistadas encontravam-se no início da meia-idade quando engravidaram pela
última vez, fase de transição marcada pela reavaliação dos objetivos e aspirações (Lachman &
James, 1997, cit. por Papalia, Olds, & Feldman, 2006), o que obrigou à reestruturação do
sistema familiar. Na ótica dos últimos filhos, por, na maioria dos casos, existir uma grande
diferença de idades com os restantes irmãos, verificou-se um afastamento no que concerne à
relação com os irmãos mais velhos, bem como a existência de algumas diferenças educativas.
Quanto à relação com os pais, a adolescência foi a fase apontada como mais marcante devido à
dificuldade em abordar determinados assuntos com os progenitores. Verificou-se também a
existência de receios ao longo do curso de vida destes filhos (e.g.,morte dos progenitores),
assim como preocupações presentes relacionadas com o processo de envelhecimento das mães,
nomeadamente as implicações da sua idade avançada na relação com os netos. Estes últimos
filhos apresentaram uma consciencialização do tempo que ainda dispõem com a mãe,
principalmente nos casos em que já se verificou perda de outros familiares, manifestando-se sob
comportamentos reais de ansiedade e numa luta ativa para manterem as mães sãs (Drenovsky &
Meshyock, 2000, cit. por Neves, 2008).
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Keywords
Envelhecimento feminino Maternidade tardia Gravidez tardia