EN - LIHM - Linha de Investigação em História Marítima
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Percorrer EN - LIHM - Linha de Investigação em História Marítima por assunto "Armada Portuguesa"
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- Entre a aliança e a adversidade.Publication . Neves, Bruno GonçalvesNa segunda metade do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, assistiu-se ao investimento e desenvolvimento do porto de Brest como a principal base naval no Atlântico para a Marinha francesa. A sua posição geográfica, bem como as características físicas do território, permitia-lhe constituir-se como base de projeção para uma eventual invasão das ilhas britânicas, mas também como ponto de apoio logístico para uma força naval permanente, capaz de ameaçar o comércio marítimo britânico. No século XVIII, com a Guerra da Sucessão Espanhola, e sobretudo durante a denominada Guerra dos Sete Anos, o bloqueio naval de Brest constituiu-se como um dos principais pilares da estratégia naval britânica, forçando os navios franceses a manterem-se no porto, permitindo à Royal Navy a iniciativa e o uso do mar, essenciais para garantir a segurança das ilhas britânicas, da navegação e do comércio marítimo. Com o rebentar da guerra contra a França Revolucionária, em 1793, o bloqueio de Brest e o controlo da navegação no canal da Mancha e mares adjacentes às ilhas britânicas voltou a ser uma prioridade para a Royal Navy. A Coroa Portuguesa foi então chamada a colaborar com a Grã-Bretanha, no quadro da aliança luso-britânica, sendo solicitado o reforço das forças navais britânicas no Mediterrâneo, sob o comando do Almirante Hood. Por iniciativa e insistência do seu Ministro da Marinha, D. Martinho de Melo e Castro, a Coroa Portuguesa entendeu que a futura esquadra de auxílio, a ser constituída pelas principais unidades navais da Armada Portuguesa, deveria antes atuar no Atlântico, bloqueando os portos franceses como Brest e Rochefort, de onde poderiam sair os navios que colocariam em risco o litoral continental português, ilhas atlânticas e, sobretudo, os portos do Brasil, como havia sucedido nos dois anteriores grandes conflitos daquele século. A partir de meados de 1793, até ao início de 1795, os navios portugueses da chamada Esquadra de Auxílio a Inglaterra, ou simplesmente Esquadra do Canal, foram sujeitos às maiores provações, resultantes da constante variação de ventos e frequentes tempestades, obrigando a procurar proteção nos portos e fundeadouros da costa sudoeste britânica. Mas, também aqui encontravam frequentes ameaças, pois fortes correntes, baixios e outros perigos, ou simplesmente o erro ao falhar a correta aproximação a terra, acabavam por provocar a perda de navios por encalhe e naufrágio, como sucedeu com a fragata portuguesa São Rafael, em 31 de agosto de 1794, nos baixios à entrada do Solent, o canal da Ilha de Wight. Com a presente comunicação pretende-se identificar os principais desafios que a navegação no canal da Mancha representava para os navios da esquadra portuguesa, bem como caracterizar a sua ação e opções tomadas de acordo com os mesmos.
