ESEP - Dissertações de Mestrado
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Percorrer ESEP - Dissertações de Mestrado por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "03:Saúde de Qualidade"
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- Influência dos ambientes de prática de enfermagem no comprometimento organizacional e intenção de saída dos enfermeirosPublication . Ribeiro, Anabela Garrido; Ribeiro, OlgaAs organizações de saúde enfrentam atualmente um cenário de elevada complexidade, marcado pelo aumento da procura de cuidados, pela necessidade de garantir padrões de excelência e pela contenção de recursos financeiros. Neste contexto, a gestão em enfermagem assume-se como determinante para a sustentabilidade das instituições, sendo os enfermeiros um grupo profissional crucial, dada a sua representatividade e impacto direto na qualidade assistencial. No setor da hospitalização privada, tais desafios adquirem contornos ainda mais específicos, devido à forte competitividade e às exigências de produtividade, o que acentua a vulnerabilidade organizacional e reforça a importância de estratégias que assegurem a retenção e valorização destes profissionais. Assim, compreender de que forma os ambientes de prática de enfermagem influenciam o comprometimento organizacional e a intenção de saída torna-se essencial para sustentar políticas de gestão eficazes e estratégias de retenção. Este estudo teve como objetivo analisar a influência dos ambientes de prática de enfermagem no comprometimento organizacional e na intenção de saída dos enfermeiros em contexto hospitalar privado. Desenvolveu-se um estudo quantitativo, observacional, transversal e descritivo-correlacional, realizado com 228 enfermeiros de um grupo hospitalar privado em Portugal. A recolha de dados ocorreu entre abril e agosto de 2025, através de um questionário eletrónico, composto por variáveis sociodemográficas/ profissionais e por três instrumentos validados para o contexto português: SEE-NursingPractice – Shortened Version; Questionário de Commitment Organizacional e Escala de Intenção de Saída. Os resultados revelaram uma perceção globalmente positiva dos ambientes de prática, destacando-se a autonomia profissional e a colaboração interprofissional como dimensões fortes, mas evidenciando fragilidades no envolvimento dos enfermeiros em políticas institucionais e na utilização de indicadores de qualidade. O comprometimento organizacional foi predominantemente afetivo, configurando-se como principal preditor da retenção, enquanto a intenção de saída apresentou valores baixos a moderados, mais elevados entre profissionais jovens, com vínculos precários e menor qualificação académica. Verificaram-se correlações significativas, ambientes de prática mais favoráveis associaram-se a maiores níveis de comprometimento e a menor intenção de saída. Conclui-se que investir em ambientes de prática positivos, na valorização da formação avançada e na estabilidade contratual são estratégias essenciais para reforçar o compromisso organizacional e reduzir a intenção de saída em contexto privado. O papel do enfermeiro gestor é central neste processo, através de liderança transformacional, reconhecimento profissional e políticas de gestão inclusivas. Este estudo contribui para preencher a lacuna de conhecimento sobre hospitalização privada em Portugal, oferecendo evidência útil para a gestão em enfermagem e para a sustentabilidade organizacional.
- Motivação e absentismo: Um estudo com enfermeiros em Unidades de Cuidados IntensivosPublication . Fernandes, Joana Filipa Morais; Prata, Ana PaulaO absentismo laboral em enfermagem constitui um desafio relevante para a gestão dos serviços de saúde, sobretudo em contextos de elevada exigência como as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Este fenómeno, multifatorial e complexo, compromete o bem-estar dos profissionais e afeta a qualidade, a segurança e a continuidade dos cuidados. Paralelamente, a motivação profissional é apontada como um fator protetor, influenciando positivamente a assiduidade, a produtividade e a retenção dos enfermeiros. O presente estudo, integrado no Health Work International Project (HWOPI), RISE-Health, teve como objetivos identificar os fatores que contribuem para o absentismo em enfermeiros de UCI, avaliar a relação entre o absentismo e as variáveis sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros em UCI, identificar os fatores de motivação dos enfermeiros em UCI, avaliar a relação entre a motivação e as variáveis sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros em UCI, e avaliar a relação entre o absentismo e a motivação em enfermeiros em UCI. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, exploratório, transversal e correlacional. A recolha de dados foi realizada num hospital do Norte de Portugal, através de um questionário sociodemográfico e profissional, da Escala de Fatores de Absentismo Laboral (EFAL) (Murcho & Jesus, 2014) e da Escala Multi-Factorial de Motivação no Trabalho (Multi-Moti) (Ferreira et al., 2006). Os resultados revelaram que os fatores de absentismo mais destacados foram o cansaço e o desgaste físico e emocional e que a motivação associada à realização/poder foi a dimensão mais valorizada, refletindo a importância do reconhecimento e da competência profissional. Em contrapartida a motivação ligada à organização do trabalho apresentou menor concordância, sobretudo em aspetos relacionados com remuneração e condições organizacionais. Embora tenham surgido associações entre algumas variáveis sociodemográficas e motivacionais, a relação direta entre motivação e absentismo mostrou-se limitada, confirmando a natureza multifatorial do fenómeno. Conclui-se que a motivação, embora relevante, não explica isoladamente o absentismo, sendo necessária uma abordagem integrada que considere condições laborais, fatores pessoais e organizacionais. Este trabalho reforça o papel do enfermeiro gestor na promoção de ambientes motivadores e contribui para a reflexão científica e prática sobre a gestão de recursos humanos em enfermagem.
