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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: O boreout é um fenómeno que afeta muitas pessoas no ambiente de trabalho e ocorre
quando um profissional se sente subestimulado e entediado. A falta de desafios, as tarefas monótonas,
repetitivas e a sensação de não estar a utilizar todo o seu potencial, podem causar impacto na
motivação e satisfação profissional, o que pode ter consequências negativas não só para o individuo,
mas também para as organizações, uma vez que trabalhadores entediados são menos produtivos,
menos engajados e mais propensos a procurar oportunidades noutros lugares.
Assim, tendo em conta, que as tarefas e as condições em que são realizadas podem desencadear
sentimentos negativos ou, pelo contrário, conduzir à realização pessoal, o principal objetivo deste
trabalho é compreender a relação entre estados afetivos no trabalho e o boreout.
Método: Optou-se por uma abordagem quantitativa, transversal, descritiva e correlacional. Foi
aplicado numa amostra de 663 trabalhadores um questionário composto por: (a) dados
sociodemográficos; (b) dados profissionais; (c) WBOS de Poirier et al. (2021) para avaliar o boreout;
(d) PANAS-VRP de Galinha et al. (2014) para medir os estados afetivos; (e) um conjunto de questões
de natureza profissional.
Resultados: Os principais resultados obtidos foram: (a) existe uma relação moderada e negativa entre
o boreout e o afeto positivo (AP); (b) existe uma relação moderada e positiva entre o boreout e o afeto
negativo (AN); (c) a amostra estudada revela níveis baixos de boreout; (d) a amostra apresenta bons
níveis de AP e níveis baixos de AN; (e) trabalhadores solteiros, divorciados, viúvos e separados
apresentam níveis mais elevados de boreout; (f) trabalhadores sem filhos revelam níveis mais altos de
boreout; (g) trabalhadores com níveis de escolaridade mais elevados apresentam valores mais altos de
boreout; (h) trabalhadores em regime flexível ou remoto estão mais suscetíveis ao boreout; (i)
trabalhadores sem contrato de efetividade revelam valores mais altos de boreout; (j) trabalhadores com
rendimento mensal mais baixo estão mais suscetíveis a desenvolver boreout; (k) as mulheres
apresentam níveis mais elevados de AN; (l) as gerações mais jovens apresentam níveis mais altos de
boreout; m) os baby boomers apresentam níveis mais baixos de AN, quando comparados com as
gerações Y e Z.
Discussão: Os resultados obtidos revelaram que a amostra estudada apresenta níveis baixos de boreout
e, portanto, não se podem considerar trabalhadores entediados, subestimulados e desinteressados. Os
estados afetivos demonstraram ter um impacto significativo no bem-estar dos trabalhadores.
Conclusão: Sendo o boreout um risco de doença psicossocial, a intervenção preventiva deve ser
prioritária. Quando detetado, é importante que se intervenha rapidamente, de modo a diminuir os
riscos de saúde para os trabalhadores, assim como os custos financeiros para as organizações. É
importante que existam boas práticas de GRH que permitam intervir nos processos-chave e na
estratégia da organização, de modo a assegurar ambientes de trabalho mais construtivos, saudáveis e
produtivos.
Descrição
Palavras-chave
Boreout Tédio no trabalho Estados afetivos no trabalho Gestão de pessoas Gerações
