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Acolhimento Institucional de pessoas idosas decorrente de altas sociais - a perspectiva das IPSS de Entre Douro e Vouga

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O envelhecimento da população constitui um dos principais desafios das sociedades nos dias de hoje, colocando novas exigências em todos os profissionais envolvidos, nos sistemas de saúde, proteção social e instituições de apoio à população idosa. Neste contexto, as altas sociais têm vindo a assumir cada vez mais relevância, surgindo de casos em que a pessoa idosa se encontra clinicamente apta para ter alta hospitalar, mas não reúne condições sociais, familiares ou até habitacionais para poder regressar ao seu domicílio, o que conduz inevitavelmente ao acolhimento institucional em respostas sociais como as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), especialmente nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). A presente dissertação tem como objetivo principal analisar o acolhimento institucional de pessoas idosas decorrente de altas sociais na perspetiva dos profissionais das IPSS da região Entre Douro e Vouga. Pretende-se compreender os motivos que levam à institucionalização destes idosos após alta hospitalar, os processos de encaminhamento e colaboração entre as entidades envolvidas, o papel dos assistentes sociais neste processo e os principais desafios enfrentados pelas instituições. Foi adotada uma abordagem qualitativa, recorrendo à realização de entrevistas semiestruturadas a profissionais das IPSS com experiência nos processos de altas sociais, que permitiu explorar de forma aprofundada as perceções, práticas, e opiniões dos profissionais, bem como identificar dificuldades e propostas de melhoria para a resposta social em questão. Os resultados evidenciam que a falta de rede de suporte familiar, o elevado grau de dependência funcional, a falta de condições habitacionais adequadas e a insuficiência de respostas sociais de apoio domiciliário são fatores determinantes para a institucionalização dos idosos após alta hospitalar. Destacam-se também dificuldades na articulação entre os serviços de saúde, a segurança social e as IPSS, bem como limitações ao nível de recursos humanos e financeiros. Os assistentes sociais assumem um papel fundamental na avaliação das situações, na mediação com as famílias e cooperação com as entidades envolvidas, procurando sempre encontrar a resposta que mais se adeque a cada situação, respeitando a dignidade, bem-estar e direitos da pessoa idosa. Contudo, existem obstáculos que podem limitar a sua atuação e podem tornar a institucionalização a única solução possível. Espera-se que o estudo contribua para salientar a importância de políticas de apoio à permanência da pessoa idosa no seu domicílio, do investimento em respostas sociais adequadas e da melhoria da articulação interinstitucional, de forma a assegurar uma intervenção mais eficaz, humana e centrada nas necessidades das pessoas idosas em situação de alta social.

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