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Participação ocupacional em crianças de 1º ciclo

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Resumo(s)

Resumo: Introdução: Ao longo do 1.º ciclo do ensino básico, as crianças enfrentam novas rotinas e exigências que desafiam a sua participação nas ocupações diárias. A forma como a criança processa os estímulos que recebe do exterior tem impacto no seu comportamento e a forma como usa o seu tempo tem impacto no seu desenvolvimento, na sua saúde e bem-estar. Atualmente os meios digitais são uma presença incontornável no nosso dia a dia, com impacto no que fazemos e como fazemos. Objetivo: Analisar a relação entre a participação ocupacional, o processamento sensorial e o tempo de exposição a ecrãs em crianças do 1.º ciclo do ensino básico, com desenvolvimento típico. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, correlacional e transversal. A amostra foi constituída por 58 crianças com idades entre os 6 e os 10 anos. Foram utilizados três instrumentos: o Questionário de Participação nas Ocupações da Infância (PICO-Q), o Perfil Sensorial 2 – a criança, e um questionário sociodemográfico com foco na exposição a ecrãs. A análise estatística foi realizada com recurso ao SPSS (v.30), recorrendo à correlação de Spearman. Resultados: Os resultados indicaram uma participação ocupacional globalmente positiva, com altos níveis de frequência e satisfação relatados pelos cuidadores. No entanto, emergiram dificuldades mais evidentes nas atividades de vida diária, hábitos e rotinas e tarefas académicas — domínios que exigem maior autorregulação e planeamento. Verificaram-se correlações estatisticamente significativas entre estas dificuldades e padrões sensoriais menos funcionais, como registo sensorial reduzido, evitamento e sensibilidade aumentada. Relativamente ao tempo de exposição a ecrãs, observou-se que todas as crianças da amostra utilizavam dispositivos digitais. Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre maior tempo de ecrã e maiores dificuldades ao nível da atenção e regulação emocional, assim como padrões de registo sensorial reduzido e maior sensibilidade. Conclusão: Os dados obtidos destacam a importância de reconhecer precocemente sinais de disfunção sensorial em crianças com desenvolvimento típico, dada a sua influência direta na participação funcional. A necessidade de limitar o tempo de ecrã e de promover experiências ocupacionais ricas, estruturadas e sensorialmente significativas mostra-se igualmente relevante. Estes resultados sugerem que a colaboração entre profissionais de saúde, famílias e escolas pode potenciar o envolvimento das crianças nas suas rotinas diárias, contribuindo para um desenvolvimento mais equilibrado e autónomo.

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Palavras-chave

Participação ocupacional Processamento sensorial Tempo de ecrã Crianças 1º Ciclo do ensino básico

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