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Authors
Abstract(s)
As sociedades contemporâneas testemunham os efeitos negativos do stress
sobre a saúde, existindo evidências empíricas do relacionamento recíproco
entre stress e doença (infeciosas, crónicas, cardiovasculares, cancro) (Iwasaki
& Mannell, 2000). Por outro lado, Walden (2007) sublinha que o stress varia de
acordo com as circunstâncias de vida e Rode et al. (2012) acrescentam que as
pessoas com incapacidade apresentam taxas mais elevadas de problemas de
saúde relacionados com o stress do que a população em geral. Neste
contexto, surge o lazer como mecanismo de coping, como instrumento
restaurador e benéfico para a saúde (Caldwell, 2005; Wijndaele et al., 2007).
Assim, considerando o turismo como uma marcante atividade recreacional em
tempo de lazer na vida das pessoas, e uma oportunidade de relaxamento e
interação social (Richards, et al., 2010), pensou-se na possibilidade do turismo
acessível ser um recurso de coping para gerir o stress na incapacidade.
É com base na atualidade e pertinência destas reflexões que se
estabeleceram duas metas para este trabalho: compreender o relacionamento
entre turismo, stress e coping para os indivíduos com incapacidade, e
desenvolver bases empíricas para fins terapêuticos e para o desenvolvimento
de novos produtos turísticos, numa lógica biopsicossocial (biológica ou física,
psicológica e social). Especificamente, pretende-se identificar fontes de stress
para as pessoas com incapacidade e as suas respostas de coping, e explicar
como o turismo atua nas dimensões biopsicossociais do stress-coping.
Para atingir estes objetivos utilizou-se uma metodologia mista, suportada por
uma revisão de literatura aprofundada, que consistiu na realização de um
estudo qualitativo e outro quantitativo. No primeiro, recorreu-se à técnica de
focus groups para cada tipo de incapacidade em análise, motora (N=6),
auditiva (N=7) e visual (N=6), e no segundo, procedeu-se à aplicação de
inquéritos por questionário a pessoas com incapacidade motora e sensorial
(N=306), cujo questionário consistiu na adaptação e ajuste das ECL (Escalas
de Coping através do Lazer) ao contexto do Turismo Acessível.
Os resultados indicam que a principal fonte de stress dos indivíduos com
incapacidade é a própria incapacidade em conjugação com a sociedade,
demonstrando-se a prevalência de estratégias baseadas na interação social
para a resolução de problemas, em detrimento de outras. Por sua vez,
apuram-se os benefícios do turismo, cujas mais-valias no âmbito das
dimensões biopsicossociais destes indivíduos em particular, são também
discutidas. Conclui-se, portanto, que o turismo acessível é um novo formato de
stress-coping para a população com incapacidade, suportando o reequilíbrio e
harmonização dos seus recursos pessoais e sociais, contribuindo
positivamente para a sua saúde e bem-estar global, servindo de base ao
desenvolvimento de novos produtos turísticos adequados e direcionados para
as necessidades específicas desta população e ao planeamento de
intervenções terapêuticas alternativas no contexto da sua reabilitação.
Description
Keywords
Turismo Acessível Incapacidade Stress-Coping Accessible Tourism Disability Stress-Coping