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- “Viver com AVC” – Quais as reais necessidades do Sobrevivente crónico?Publication . Pina, Maria João de Oliveira; Carreira, João Casaca; Pereira, Carla MendesIntrodução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade crónica, com impacto pessoal, familiar e socioeconómico significativo. Apesar dos avanços nos cuidados agudos, a fase pós-alta continua marcada por desafios na adaptação à vida com sequelas, baixa autoeficácia e insuficiência de suporte continuado. A literatura internacional recomenda programas de autogestão para capacitar sobreviventes na gestão da sua condição, promovendo autonomia e qualidade de vida. Contudo, em Portugal, estas abordagens são praticamente inexistentes, o que evidencia uma lacuna na resposta às necessidades desta população. Compreender essas necessidades é fundamental para informar estratégias de intervenção adaptadas ao contexto nacional. Objetivo: Identificar e compreender as reais necessidades do Sobrevivente de AVC crónico (com mais de 6 meses de evolução), que esteve internado no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) e teve alta para casa. Método: Foi realizado um estudo misto com desenho explanatório sequencial. A fase quantitativa incluiu a aplicação de um questionário para recolha de dados sociodemográficos, clínicos e de avaliação do impacto do AVC (SIS 2.0) e da autoeficácia após o AVC (SSEQ-PT) a 111 sobreviventes de AVC (amostra I). Na fase qualitativa foram realizadas entrevistas a 13 participantes (amostra II), selecionados a partir da amostra I. Resultados e Discussão: A amostra I foi constituída por 67 homens e 44 mulheres, dos 24 aos 88 anos de idade. Cerca de 56% encontravam-se afastados definitivamente da vida ativa, encontrando-se 50,4%, dos participantes a auferir rendimentos inferiores a 1000 euros líquidos mensais. A nível clínico, 67 participantes tiveram AVC isquémico, 34 hemorrágico e 10 não sabem, sugerindo baixa literacia em saúde. Cerca de 63,1% dos participantes identificou ter fatores de risco, sendo a HTA a prevalente e 62,2% referiu estar dependente, sendo, na maioria dos casos, o cônjuge o cuidador informal. A perceção global de recuperação foi moderada (média de 53,1/100). A média do grau de autoeficácia após AVC foi de 25,55/39. A análise qualitativa revelou desconhecimento prévio sobre o AVC, sentimentos de choque na transição para o domicílio. Colmatados pelo suporte familiar, apesar da evidente troca de papéis e da dinâmica familiar. Conclusão: O AVC tem um grande impacto na vida de quem o sofre e naqueles que lhe são próximos. Trata-se de uma doença crónica, com evidentes necessidades a longo prazo. Surgem desafios, sentimentos de frustração e ansiedade particularmente na transição para casa. A implementação de um programa de autogestão do AVC no CMRA poderá com este estudo, ser informado pelas reais necessidades dos sobreviventes de AVC que têm alta, promovendo a continuidade da intervenção e um maior grau de autoeficácia, motivação e qualidade de vida dos sobreviventes de AVC.
- Reabilitação Vestibular no idosoPublication . Santos, Ana Marta Eugénio dos; Tomás, Diogo JoãoIntrodução: O envelhecimento está associado a alterações estruturais e funcionais do sistema vestibular, manifestando-se em tonturas, vertigens, desequilíbrio, instabilidade postural e insegurança na marcha, aumentando a suscetibilidade a quedas e com impacto na qualidade de vida no idoso. A reabilitação vestibular (RV) tem emergido como uma intervenção eficaz para melhorar os sintomas, a estabilidade postural, a funcionalidade e a qualidade de vida, mantendo benefícios clínicos mesmo em idades mais avançadas. Porém, subsiste uma insuficiente caracterização dos protocolos e das medidas de avaliação dirigidas a esta população. Objetivos: Mapear e caracterizar a RV em idosos e os respetivos resultados, assim como descrever as características dessa população e identificar os instrumentos de medida utilizados. Método: Uma scoping review foi conduzida de acordo com as diretrizes metodológicas do Joanna Briggs Institute e Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews Checklist and Explanation. A literatura existente foi identificada com recurso às bases de dados Cochrane Center Register of Controlled Trials, PubMed e Physiotherapy Evidence Database. Foram incluídos estudos experimentais e observacionais, em português, inglês e francês em adultos com ≥65 anos e cuja intervenção referisse explicitamente o uso da RV na aceleração e otimização de mecanismos de compensação, com pelo menos uma medida de resultados relacionada com os efeitos da RV. Foram excluídos estudos secundários, literatura cinzenta ou não revista por pares, estudos sem acesso ao texto integral e intervenções exclusivamente baseadas em manobras mecânicas de reposicionamento. A triagem de títulos, resumos e textos completos, extração de dados e avaliação crítica foram realizadas por dois investigadores independentes. Resultados: Foram incluídos vinte e três estudos publicados entre 2001 e 2024, sendo 61% ensaios clínicos com aleatorização, envolvendo idosos com patologia vestibular diagnosticada ou com a presença de algum tipo de sintomatologia compatível com disfunção vestibular. Identificaram-se 33 protocolos de RV: 12 com intervenções instrumentalizadas, incluindo posturografia, realidade virtual, estimulação optocinética, reabilitação assistida por computador, exergames, estimulação transcraniana e sistemas de substituição vestibular eletrotátil; e 21 com estratégias não instrumentalizadas, das quais 16 baseadas em protocolos previamente descritos na literatura. O instrumento de medida mais utilizado foi o Dizziness Handicap Inventory, seguido pela Escala de Confiança no Equilíbrio Específica para a Atividade, Sensory Organization Test Computerized Dynamic Posturography, Dynamic Gait Index e Timed Up and Go Test. Observou se uma tendência para resultados superiores nos protocolos que incluíram intervenções instrumentalizadas, sobretudo em parâmetros relacionados com a estabilidade postural. As III intervenções não instrumentalizadas revelaram também efeitos positivos na estabilidade postural, gravidade dos sintomas, incapacidade e confiança no equilíbrio. Conclusão: A RV parece apresentar resultados positivos no idoso, com melhorias sobretudo na estabilidade postural. Contudo, a heterogeneidade das metodologias, amostras e intervenções limita a interpretação dos resultados e dificulta a sua transposição para a tomada de decisão clínica.
- Avaliação do efeito da reabilitação cardíaca na função ventricular esquerda e direitaPublication . Cruz, Andreia Raquel Rodrigues; Castanheira, Joaquim; Bastos, José Mesquita; Figueiredo, João PauloIntrodução: a reabilitação cardíaca é uma intervenção multidisciplinar essencial na recuperação de doentes após evento cardíaco agudo, insuficiência cardíaca, “device” (cardioversor desfibrilhador implantável/ dispositivos de ressincronização cardíaca) ou angor refratário. É um programa abrangente que integra treino físico, modificação de fatores de risco, sessões psicoeducativas, visando melhorar a qualidade de vida, aumentar a capacidade funcional, prevenir novos eventos e reduzir reinternamentos. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da reabilitação cardíaca (fase II) na função ventricular esquerda e direita, num grupo de doentes com fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) < 50%, seguidos na Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, após evento cardíaco agudo ou insuficiência cardíaca crónica, identificando os parâmetros ventriculares mais influenciados e o seu valor preditivo para a capacidade de exercício. Métodos: realizou-se um estudo observacional e retrospetivo não aleatório com amostra de base hospitalar de doentes seguidos na Unidade de Reabilitação Cardíaca (fase II), entre setembro de 2021 e dezembro de 2024. Foram definidos 2 grupos: intervenção (n=30) que integrou o programa e um de controlo (n=30) que não participou. Dentro de cada grupo foram distinguidos doentes com doença arterial coronária e insuficiência cardíaca crónica. Recolheram-se dados demográficos, antropométricos, fatores de risco e variáveis obtidas no ecocardiograma transtorácico, prova de esforço cardiopulmonar e análises laboratoriais. Ambos os grupos realizaram os exames de diagnóstico em dois momentos (antes – M1 e após 12 semanas das sessões – M2) à exceção do grupo de controlo, que não realizou prova de esforço cardiopulmonar. Resultados: no grupo de intervenção, verificou-se um aumento estatisticamente significativo da FEVE entre M1 e M2 (p < 0,001), sobretudo nos doentes com doença arterial coronária (p=0,001). Na prova de esforço cardiopulmonar, observaram-se aumentos significativos no consumo máximo de oxigénio previsto (VO₂ previsto), VO2 previsto absoluto, consumo de oxigénio de pico (VO₂ pico), pulso máximo de O₂, carga e frequência cardíaca máxima (p<0,05). O NT-proBNP diminuiu significativamente após as sessões (p <0,001). Observaram-se correlações positivas e estatisticamente significativas: FEVE e VO₂ pico (r = 0,516; p = 0,004); FEVE e pulso máximo de O₂ (r = 0,488; p = 0,006); velocidade sistólica do anel tricúspide (onda S') e VO₂ pico (r = 0,562; p = 0,002). Verificou-se uma correlação negativa e estatisticamente significativa entre VO₂ pico e índice de massa do ventrículo esquerdo (r = -0,380; p = 0,046). Doentes com NT-proBNP “alterado” apresentaram valores significativamente inferiores de FEVE em comparação com doentes com NT-proBNP “não alterado” (p < 0,001). Conclusão: a reabilitação cardíaca (fase II) melhorou significativamente a função ventricular esquerda e a capacidade de exercício, particularmente em doentes com doença arterial coronária, com aumentos na FEVE e no VO₂ pico e redução do NT-proBNP. As correlações entre parâmetros ecocardiográficos e de exercício sugerem que a FEVE e o VO₂ pico podem servir como indicadores preditivos da resposta à reabilitação, reforçando a sua importância na recuperação funcional e prevenção de novos eventos cardiovasculares em doentes com FEVE< 50%.
- Relatório de estágio em ultrassonografia cardíacaPublication . Cardoso, António Miguel Parreira; Castanheira, Joaquim; Martins, Tiago Emanuel PeixotoIntrodução: O ecocardiograma transtorácico de repouso é o meio complementar de diagnóstico de imagem mais utilizado na prática clínica em cardiologia. Para além de permitir uma avaliação morfológica e funcional do coração, avalia também a sua hemodinâmica de forma não invasiva. Por vezes, pode ser necessário recorrer a outras modalidades ecocardiográficas, como o ecocardiograma transesofágico e ecocardiograma transtorácico de sobrecarga, destinadas a indicações clínicas mais específicas. Objetivos: Realização de estágio na área de ultrassonografia cardíaca, no âmbito do Mestrado em Fisiologia Clínica, na Unidade Local de Saúde de Matosinhos – Hospital Pedro Hispano, E.P.E. Métodos: Análise estatística descritiva de variáveis demográficas e ecocardiográficas e exposição de dois casos clínicos de interesse abordados no período de estágio, durante o normal funcionamento do laboratório de ecocardiografia. Resultados: Num total de 382 exames de ecocardiografia, 349 corresponderam a ecocardiogramas transtorácicos de repouso, 23 a ecocardiogramas transesofágicos e 10 a ecocardiogramas transtorácicos de sobrecarga. Foram também analisados dois casos clínicos de interesse: o primeiro caso clínico aborda um paciente com doença coronária isquémica conhecida, que realiza ecocardiograma de sobrecarga para estratificação de risco após enfarte agudo do miocárdio do tipo 2; o segundo caso clínico aborda um paciente com diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica que realizou um ecocardiograma transtorácico de repouso para cálculo de score de risco de morte súbita cardíaca e, posteriormente, um ecocardiograma transesofágico por endocardite infeciosa de prótese valvular em posição mitral. Conclusões: O ecocardiograma possibilita, por diversos motivos clínicos, sejam eles motivados por patologias cardíacas e/ou sistémicas, a recolha de uma variedade de dados de forma rápida, por vezes com a necessidade de recorrer a técnicas mais avançadas. Assim, é considerado como um meio complementar de diagnóstico de imagem de primeira linha na estratificação de risco, auxílio e tomada de decisão terapêutica.
