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“Viver com AVC” – Quais as reais necessidades do Sobrevivente crónico?

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Resumo(s)

Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade crónica, com impacto pessoal, familiar e socioeconómico significativo. Apesar dos avanços nos cuidados agudos, a fase pós-alta continua marcada por desafios na adaptação à vida com sequelas, baixa autoeficácia e insuficiência de suporte continuado. A literatura internacional recomenda programas de autogestão para capacitar sobreviventes na gestão da sua condição, promovendo autonomia e qualidade de vida. Contudo, em Portugal, estas abordagens são praticamente inexistentes, o que evidencia uma lacuna na resposta às necessidades desta população. Compreender essas necessidades é fundamental para informar estratégias de intervenção adaptadas ao contexto nacional. Objetivo: Identificar e compreender as reais necessidades do Sobrevivente de AVC crónico (com mais de 6 meses de evolução), que esteve internado no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) e teve alta para casa. Método: Foi realizado um estudo misto com desenho explanatório sequencial. A fase quantitativa incluiu a aplicação de um questionário para recolha de dados sociodemográficos, clínicos e de avaliação do impacto do AVC (SIS 2.0) e da autoeficácia após o AVC (SSEQ-PT) a 111 sobreviventes de AVC (amostra I). Na fase qualitativa foram realizadas entrevistas a 13 participantes (amostra II), selecionados a partir da amostra I. Resultados e Discussão: A amostra I foi constituída por 67 homens e 44 mulheres, dos 24 aos 88 anos de idade. Cerca de 56% encontravam-se afastados definitivamente da vida ativa, encontrando-se 50,4%, dos participantes a auferir rendimentos inferiores a 1000 euros líquidos mensais. A nível clínico, 67 participantes tiveram AVC isquémico, 34 hemorrágico e 10 não sabem, sugerindo baixa literacia em saúde. Cerca de 63,1% dos participantes identificou ter fatores de risco, sendo a HTA a prevalente e 62,2% referiu estar dependente, sendo, na maioria dos casos, o cônjuge o cuidador informal. A perceção global de recuperação foi moderada (média de 53,1/100). A média do grau de autoeficácia após AVC foi de 25,55/39. A análise qualitativa revelou desconhecimento prévio sobre o AVC, sentimentos de choque na transição para o domicílio. Colmatados pelo suporte familiar, apesar da evidente troca de papéis e da dinâmica familiar. Conclusão: O AVC tem um grande impacto na vida de quem o sofre e naqueles que lhe são próximos. Trata-se de uma doença crónica, com evidentes necessidades a longo prazo. Surgem desafios, sentimentos de frustração e ansiedade particularmente na transição para casa. A implementação de um programa de autogestão do AVC no CMRA poderá com este estudo, ser informado pelas reais necessidades dos sobreviventes de AVC que têm alta, promovendo a continuidade da intervenção e um maior grau de autoeficácia, motivação e qualidade de vida dos sobreviventes de AVC.

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AVC Crónico Necessidades Autogestão Autoeficácia Estudo misto

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