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As doenças crónicas representam atualmente um importante desafio de saúde pública, cuja incidência tem vindo a aumentar, em particular devido ao envelhecimento progressivo da população. A Doença Renal Crónica (DRC) destaca-se entre estas condições, afetando uma larga faixa da população, caracterizando-se por um percurso clínico complexo, com repercussões profundas na saúde e qualidade de vida da pessoa doente. O diagnóstico de DRC exige uma reorganização da vida diária, implicando diversas alterações no estilo de vida dos doentes. A aceitação da nova condição torna-se crucial para a adesão eficaz ao regime terapêutico num contexto frequentemente marcado por exigências rigorosas, como alterações no padrão alimentar, limitação na ingestão de líquidos, elevada carga medicamentosa, entre outros fatores que desafiam a capacidade de adaptação da pessoa. A perda da função renal implica a realização de um tratamento que substitua essa função com o objetivo de manter o equilíbrio do organismo e remover produtos tóxicos. Para lidar melhor com estas alterações e minimizar o seu impacto negativo, é essencial compreender o seu processo e os cuidados inerentes. Este relatório, desenvolvido no âmbito do mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica, visa refletir o percurso formativo do desenvolvimento de competências especializadas, com base na prática clínica supervisionada em contexto de hemodiálise através de uma metodologia descritiva e reflexiva. A discussão de dois casos clínicos permite analisar criticamente a prática profissional, evidenciando a importância dos cuidados de enfermagem especializados na identificação precoce das necessidades de adaptação e na capacitação para o autocuidado. Neste processo, o suporte emocional e a comunicação assumem-se como ferramentas fundamentais para o estabelecimento de uma relação terapêutica, para além das componentes técnicas baseadas na mais recente evidência científica como a gestão dos sintomas físicos. A integração da componente teórica com a prática clínica traduz-se numa atuação mais crítica, autónoma e fundamentada, evidenciando o papel do enfermeiro especialista enquanto facilitador de processos de transição, promotor do autocuidado e da humanização dos cuidados à pessoa em situação crónica. O presente relatório constitui, assim, o reflexo de um percurso de crescimento pessoal e profissional, alicerçado numa prática especializada e centrada na pessoa.
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Keywords
Doença Crónica Doença Renal Crónica Enfermeiro Especialista Adaptação
