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Enquanto que a democracia varre o globo, da América Latina à África,
da Ásia ao antigo bloco de Leste, o Médio Oriente aparece como uma
excepção neste movimento geral da História. As fracas manifestações
de liberalização que surgiram são respostas fracas a desenvolvimentos
oriundos de fora da região, nomeadamente a vitória do Ocidente sobre
o comunismo e a derrota militar do Iraque. No debate sobre o papel
do Islão na vida política das sociedades árabes, duas correntes se
confrontam: a primeira vê o Islão como uma força hostil ao Ocidente
e em rota de colisão com este. Os defensores desta corrente argumentam que as tentativas de promoção dos ideais democráticos no
mundo árabe são vãs, pois não existe uma convergência de valores
entre as duas culturas. O mundo árabe não está preparado para a
democracia e, por isso, é preferível manter no poder os actuais regimes
autoritários: a abertura prematura dos regimes políticos e a participação dos Islamistas no jogo político, permite-lhes explorar as vantagens do sistema democrático até capturarem o poder. Para a segunda
corrente, deve ser dada aos Islamistas a oportunidade de ocuparem o
poder. Para uns, a vaga Islamista é irresistível, uma força da História.
O exercício do poder teria um efeito moderador sobre os Islamistas,
limando a sua retórica excessiva, pondo-os face a face com os seus
limites, forçando-os a saber negociar e encontrar plataformas de entendimento com outras forças políticas e sociais.
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Democracia Islamismo Mundo Arabe
