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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: A atividade ocupacional dos bombeiros envolve exposição a esforço físico intenso, turnos prolongados, calor, fumos, substâncias tóxicas e restrições no acesso à casa de banho, fatores que podem influenciar a saúde do trato urinário inferior. Objetivo: Analisar a relação entre a atividade ocupacional dos bombeiros, a saúde do trato urinário inferior e a prática de atividade física. Métodos: Realizou-se um estudo observacional, analítico e transversal, com uma amostra de bombeiros portugueses. O tamanho amostral mínimo foi previamente estimado em 379 participantes, tendo a recolha de dados foi efetuada através do Microsoft Forms, recorrendo a uma grelha de caracterização sociodemográfica e ocupacional, ao International Consultation on Incontinence Questionnaire – Urinary Incontinence Short Form (ICIQ-UI SF) e ao Global Physical Activity Questionnaire (GPAQ). A análise estatística incluiu estatística descritiva e inferencial, considerando um nível de significância de 5%. Resultados: A amostra global incluiu 550 respostas, das quais 533 foram consideradas válidas para a caracterização sociodemográfica, ocupacional e clínica. Amostra maioritariamente do sexo masculino (68,3%). A maioria referiu praticar atividade física (73,5%) e 78,4% cumpriam as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Relativamente às alterações miccionais, 43,9% reportaram necessidade de suster a vontade de urinar durante uma ocorrência, 32,1% referiram permanecer mais de duas horas sem vontade de urinar, 11,4% indicaram urgência miccional e 3,9% perdas urinárias. Entre os participantes com dados válidos no ICIQ-UI SF, 69,4% foram classificados como continentes e 30,6% apresentaram algum grau de sintomatologia urinária, sobretudo leve ou moderada. Não se verificaram associações estatisticamente significativas entre a gravidade da incontinência urinária e os anos de serviço, o tipo de vínculo à corporação, o cumprimento das recomendações de atividade física, os domínios do GPAQ ou exposição percebida a fatores de risco ocupacionais. Observou-se uma tendência de associação entre a perceção de exposição a turnos rotativos e a gravidade da incontinência urinária (p = 0,080). Conclusão: Embora não tenham sido identificadas associações estatisticamente significativas entre as principais variáveis analisadas, os resultados evidenciam sintomas e comportamentos miccionais relevantes nesta população. A retenção voluntária da micção durante ocorrências, as dificuldades de acesso à casa de banho e a tendência observada relativamente aos turnos rotativos sugerem que a saúde do trato urinário inferior deve ser considerada nos programas de vigilância e promoção da saúde ocupacional dos bombeiros.
Descrição
Palavras-chave
Bombeiros Atividade ocupacional Trato urinário inferior Atividade física Saúde pélvica
