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Abstract(s)
O período da Guerra Fria foi caracterizado não só pelo conflito
como também pela identidade. Com efeito existia então uma confrontação
entre actores idênticos (os Estados), meios idênticos (as
armas nucleares) e acima de tudo objectivos concorrentes (a ideologia).
Agora essa unidade terminou. Um conflito de contornos bem
definidos cedeu o lugar a conflitos difusos e indefinidos que estão
presentes não apenas entre Estados como também no mundo social e
laboral. Tomando como exemplo a China antigar o autor descreve como uma
privação súbita de inimigo pode ser a fonte de uma crise de identidade e
de perda de sentido. Foi precisamente o que sucedeu no período do pós
guerra fria. Os conflitos que irromperam desde então são, na opinião do
autor, resultado de uma procura de significado e de ausência de um
projecto. São referidas três crises - Curdistão, Bósnia e Somália - como
exemplos de falta de ajustamento entre meios e objectivos na política
humanitária.
Presentemente os Estados procuram não ser submetidos a uma globalização
que ameaça sufocar a sua liberdade de acção, tentam evitar
envolver-se e procuram espaços de fuga. Esta fuga é essencialmente
de natureza económica e tem como resultado a falta de cooperação
internacional que é paradoxalmente realçada pelo fim das superpotências,
fim este ao qual os próprios Estados Unidos não constituiram
excepção.
Outra justificação para a fuga ou para o retraimento pode ser encontrada
na lógica dos custos. A falta de envolvimento é frequentemente justificada
pelos custos excessivos, quando a verdadeira causa é novamente a falta
de um projecto, de pensar para o futuro.
Description
Keywords
Política internacional Guerra fria, 1947-1989 Pós-guerra fria
