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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: As perturbações da deglutição estão presentes numa percentagem elevada de
crianças com Paralisia Cerebral (PC). Pela gravidade das alterações motoras e cognitivas associadas
às perturbações de deglutição, o acompanhamento de um cuidador é indispensável. É importante
que o cuidador tenha conhecimento sobre as perturbações da deglutição das crianças que
acompanha e quais as melhores estratégias para garantir a eficácia e a segurança da alimentação.
Objetivo: O objetivo primário foi analisar a perceção dos cuidadores sobre as perturbações da
deglutição em crianças moçambicanas institucionalizadas com PC. O objetivo secundário foi
analisar a relação entre os fatores demográficos (idade e escolaridade) e as perceções dos
cuidadores sobre as perturbações de deglutição. Método: O estudo foi dividido em três fases: a
primeira fase consistiu na adaptação linguístico-cultural do questionário intitulado "Questionário
para cuidadores de pacientes com sequelas de AVC", em português do Brasil para o português
europeu, a segunda fase consistiu no rastreio das perturbações da deglutição nas crianças com PC
institucionalizadas, e a terceira fase consistiu na aplicação do questionário a cuidadores formais. A
recolha de dados foi realizada em dois orfanatos em Maputo que acolhem a crianças com PC.
Resultados: Participaram 51 cuidadores (50 do sexo feminino), com idades compreendidas entre 42
e 55 anos, que atendiam 67 crianças diagnosticadas com PC, com idades compreendidas entre 5 e 16
anos. A totalidade dos participantes já tinha recebido informações quanto aos cuidados a ter na
alimentação das crianças com PC, mediante formações e orientação de colegas profissionais das
áreas de nutrição, reabilitação e dos cuidadores mais experientes. A maioria eram cuidadores
formais com o ensino básico de escolaridade (86,2% são auxiliares de ação educativa). A maioria
dos participantes (41,2%) considerou a administração de alimentos líquidos mais difícil quando
comparada com sólidos (27,5%). A estratégia de bater nas costas (100%) e de bater no peito (65%)
foram as mais utilizadas pelos cuidadores em situações de engasgamento. Encontraram-se
correlações estatisticamente significativas (p0,05) entre fatores demográficos (idade e escolaridade)
e as perceções dos cuidadores relativamente à identificação de sintomas, atitudes a adotar aquando
da deglutição e perante o engasgamento, início da alimentação e dificuldades específicas como
cuidador. Conclusão: Os cuidadores formais de ambos orfanatos tem conhecimentos sobre as
perturbações da deglutição na PC, contudo, muitas das suas práticas para contornar as dificuldades
na alimentação destas crianças não são adequadas. O estudo demonstra, ainda, que a qualidade da
perceção está relacionada com o nível de escolaridade e com a idade dos cuidadores formais dos
orfanatos. Os cuidadores ainda necessitam de apoio para a melhoria dos cuidados prestados ao nível
da alimentação de crianças com PC de modo a minimizar os riscos de aspiração e a garantir um
processo de deglutição mais seguro.
Descrição
Palavras-chave
Paralisia cerebral Perturbações da deglutição Perceção Cuidador informal
