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Romantização da Tristeza no Cinema: Os mecanismos de representação da tristeza

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Esta investigação parte da vivência pessoal da tristeza como ponto de partida para uma reflexão estética, política e social sobre as formas de representação desta emoção na cultura. Através de uma abordagem interseccional que cruza género, afetos e imagem, analiso como a tristeza — enquanto experiência legítima e necessária — é sistematicamente reprimida ou estetizada por estruturas normativas, nomeadamente o patriarcado e o olhar masculino (male gaze). A presente pesquisa propõe-se, assim, a pensar a tristeza não como sinal de fraqueza, mas como um estado de coragem e resistência subjetiva. Recorrendo a autoras como bell hooks, Florence Williams e Sophie K. Rosa, problematizo os modos como o sistema patriarcal condiciona a expressão emocional, particularmente a partir da infância, promovendo uma cisão entre sentir e mostrar, sobretudo no caso dos homens. A repressão do choro e da vulnerabilidade torna-se um instrumento de manutenção de papéis de género e perpetuação de desigualdades emocionais, afetando profundamente o desenvolvimento da empatia e das relações interpessoais. No campo do cinema, exploro o impacto do male gaze, conforme proposto por Laura Mulvey, na construção de imagens de sofrimento feminino marcadas pela passividade, sensualidade e idealização. Através da análise de obras cinematográficas, identifico os códigos visuais que compõem a chamada "estética da tristeza" — como planos contemplativos, uso de cores frias, acting neutro e enquadramentos que fetichizam o colapso emocional feminino. Estes dispositivos não só normalizam uma determinada forma de "estar triste", como moldam a perceção social do sofrimento e da sua legitimidade. Enquanto artista-investigadora, proponho uma experimentação audiovisual que procura contrariar estas normas visuais e afetivas. Através da auto-representação e da criação de imagens fora do registo hegemónico, investigo se é possível habitar a tristeza de forma crítica e transformadora, ampliando o seu potencial expressivo e político. O projeto fílmico resultante deste processo assume um caráter de contra-narrativa, abrindo espaço para uma pedagogia sensível da emoção, que desafia os limites estabelecidos entre força e fraqueza, sujeito e objeto, ver e sentir. Este trabalho é, assim, uma tentativa de contribuir para a construção de novas linguagens visuais e afetivas, mais éticas e conscientes, que devolvam à tristeza a sua complexidade, legitimidade e potência de transformação individual e coletiva.

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Palavras-chave

tristeza male gaze representação feminismo visual oscilação

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