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Caracterização do controlo urinário de homens submetidos a prostatectomia radical no Hospital Fernando Fonseca

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Resumo(s)

Introdução: Em Portugal, o cancro da próstata é a neoplasia mais frequente no sexo masculino e a terceira causa de morte por cancro, representando 19,9% dos novos diagnósticos e 10,7% da mortalidade oncológica masculina. Estima-se que a sua incidência aumente cerca de 22% até 2045. O aumento da sobrevivência tem conduzido a um maior número de homens a viver com sequelas funcionais após prostatectomia radical (PR), entre as quais a incontinência urinária (IU). No Hospital Fernando Fonseca, o Serviço de Medicina Física e Reabilitação implementou uma sessão de educação e intervenção precoce dirigida a estes doentes, cuja avaliação poderá contribuir para o desenvolvimento de percursos de reabilitação mais estruturados. Objetivos: Caracterizar a prevalência e severidade da IU aos 3, 6 e 12 meses após PR; avaliar o seu impacto na qualidade de vida (QdV); e explorar a perceção dos doentes relativamente à sessão educativa e eventuais necessidades de informação adicional. Métodos: Estudo observacional transversal, com 103 homens submetidos a PR e avaliados aos 3 (n=33), 6 (n=35) e 12 meses (n=35) de pós-operatório, cada um avaliado apenas uma vez. A IU foi avaliada através do International Consultation on Incontinence Questionnaire–Short Form (ICIQ-SF) e o impacto na QdV pelo King’s Health Questionnaire (KHQ). A sessão educativa foi avaliada por questionário específico. Resultados: Comparando os três grupos avaliados (3, 6 e 12 meses), verificou-se um aumento da proporção de continência, quer segundo o critério de não utilização de absorventes (33,3%, 51,4% e 57,1%), quer por pontuação nula no ICIQ-SF (15,2%, 17,1% e 31,4%). Observou-se uma redução global da interferência da IU na QdV, com menor impacto aos 12 meses. A maioria dos participantes classificou a sessão como “Muito” útil, embora se tenha verificado diminuição da adesão ao treino domiciliário dos músculos do pavimento pélvico ao longo do tempo. Na questão aberta sobre necessidades adicionais de informação, 81,5% dos que responderam referiram a disfunção erétil. Conclusões: Os resultados reforçam a necessidade de modelos de acompanhamento mais estruturados, precoces e continuados, assentes em abordagens faseadas de reabilitação que integrem intervenção em grupo e apoio individualizado. O estudo contribui para uma melhor compreensão da recuperação funcional após PR e das necessidades desta população crescente, em contexto real do SNS.

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Palavras-chave

Prostatectomia radical Incontinência urinária Fisioterapia em saúde pélvica Treino dos músculos do pavimento pélvico

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