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Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução: As disfunções do pavimento pélvico (DPP) afetam um elevado número de mulheres
adultas e reduzem significativamente a sua qualidade de vida (QV), mas devido à falta de
padronização dos estudos, é difícil determinar a sua real prevalência. Investigadores e clínicos
direcionam a sua atenção para as DPP de apenas um compartimento da pélvis, perdendo a visão
holística da saúde pélvica das mulheres, que podem apresentar em simultâneo Incontinência
Urinária de Esforço (IUE), Bexiga Hiperativa (BH), Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) e/ ou
Incontinência Anal (IA). A utilização de questionários abrangentes pode facilitar este processo.
Este estudo teve como objetivo realizar a tradução, adaptação transcultural e validação do
Epidemiology of Prolapse and Incontinence Questionnaire (EPIQ para o português europeu.
Métodos: A primeira fase incluiu a tradução e adaptação cultural, determinação de validade de
conteúdo por um painel de 7 peritos e teste piloto com 20 mulheres (10 com DPP e 10 sem DPP).
Na segunda fase, 100 mulheres (50 com DPP e 50 sem DPP) responderam à versão final do EPIQ
e testaram-se as propriedades de medida. A análise de dados foi realizada com recurso ao
Microsoft Excel e ao SPSS. Resultados: Oito dos 69 itens do EPIQ obtiveram IVC < 0,80. Em
relação a características sóciodemográficas, os dois grupos amostrais revelaram-se
relativamente homogéneos, exceto no índice de massa corporal (IMC). Foram excluídas 45
mulheres. Validade de diagnóstico: o teste de Mann-Whitney U demonstrou diferenças
estatisticamente significativas e clinicamente relevantes entre grupos (p>0,01), com a dimensão
do efeito r a variar entre 0,308 e 0,849. O domínio com maior prevalência foi a IUE (74%).
Validade de construto: os índices indicam qualidade de ajustamento excelente (χ² (1) = 0,064; p
= 0,800), χ²/gl = 0,064. Os índices CFI (1,000), IFI (1,009) e TLI (1,058) superam os valores de
referência recomendados (≥ 0,95) e as cargas fatoriais padronizadas revelaram-se positivas e
estatisticamente relevantes para todas as dimensões: BH (β = 0,839), IUE (β = 0,747), POP (β =
0,507) e IA (β = 0,341). Validade de critério: verificou-se correlação de Pearson forte e positiva
entre a “QV” do EPIQ e a “Função da Bexiga” do APFQ (r = 0,678, p < 0,001), bem como entre
“DD” e “Função Intestinal” (r = 0,704, p < 0,001). Verificou-se correlação elevada entre os
domínios de prolapso de ambos os instrumentos (r = 0,838, p < 0,001), e entre “IA” e “Função
Intestinal” (r = 0,711, p < 0,001). O teste-reteste foi realizado com um intervalo médio de
13,87±4,02 dias no grupo com DPP e verificou-se uma elevada consistência temporal das
dimensões do EPIQ, com CCI a variar entre 0,664 e 0,957 (p<0,001). Consistência interna: o Alpha
de Cronbach foi elevado para os domínios QV (0,921), DD (0,839), IUE (0,838), BH (0,787) e total
do EPIQ (0,820). Conclusão: A versão portuguesa do EPIQ demonstra adequada validade e
Vera Filipa Ferreira Baldaia Dias
IV
fiabilidade para ser usado na prática clínica e investigação como um instrumento de triagem e
determinação de prevalência de DPP em mulheres adultas.
Descrição
Palavras-chave
Epidemiology of Prolapse and Incontinence Questionnaire (EPIQ) Disfunção do Pavimento Pélvico Incontinência Urinária de Esforço Bexiga Hiperativa Prolapso de Órgãos Pélvicos Incontinência Anal
