| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 986.9 KB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A desigualdade de género nas instituições militares portuguesas, como o Exército Português e a Guarda Nacional Republicana (GNR), continua a ser uma realidade que desafia a plena igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Embora a participação feminina tenha aumentado nas últimas décadas, persistem barreiras estruturais e culturais que dificultam o acesso a cargos de chefia e liderança, refletindo estereótipos de género e atitudes sexistas. Este estudo tem como objetivo avaliar e comparar os níveis de resiliência entre homens e mulheres no Exército e na GNR, analisar as perceções relativas às atitudes sexistas hostis e benevolentes, e identificar através de metodologia qualitativa, barreiras e estratégias que influenciam a inclusão feminina.
A amostra foi composta por 54 participantes, sendo 30 do sexo masculino (55,6%) e 24 do sexo feminino (44,4%), com idades compreendidas entre 24 e 55 anos. Através de uma abordagem mista, foram utilizados a Escala Breve de Resiliência (EBR), o Inventário de Sexismo Ambivalente (ASI/AMI), complementados por duas questões abertas. O procedimento incluiu a aplicação de um questionário online, após consentimento informado, e a análise dos dados foi realizada através do software IBM SPSS Statistics®, recorrendo a estatística descritiva, teste de Student e análise qualitativa de conteúdo. Os resultados não revelaram diferenças significativas na resiliência entre géneros, nem entre instituições. Contudo, os homens revelaram atitudes de sexismo ambivalente mais elevadas em relação às mulheres. Esta ambivalência manifestou-se numa discrepância de percepção: em comparação com os homens, as mulheres interpretaram as atitudes masculinas como mais hostis, e os homens autoavaliaram-se como mais benevolentes, em comparação com a perspetiva das mulheres. A análise qualitativa evidenciou uma perceção geral de igualdade formal de oportunidades – ainda que coexistam desigualdades subtis associadas à maternidade e à cultura organizacional – evidenciando um desfasamento crucial entre a percepção de igualdade e a persistência de atitudes sexistas implícitas. Conclui se que é necessária uma transformação cultural que promova a inclusão e a valorização da liderança feminina, reforçando políticas institucionais e programas de formação orientados para a igualdade e a resiliência organizacional.
