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Constituindo a Federação Russa uma entidade geopolítica com uma dimensão territorial e potencial único à escala global, tal é naturalmente gerador de uma vontade estratégica proporcional, a qual no entanto ao longo da sua milenar história nem sempre foi temperada pelas suas também imensas limitações.
Esta permamente luta entre o “querer” e a capacidade necessária para o concretizar,
e especialmente o nem sempre conhecimento exato da fronteira entre ambas, assume-se
ela mesma como um fator que marca substancialmente o pensamento estratégico das
suas elites.
Atualmente poder-se-á afirmar, sem grande margem de erro, que o país se encontra numa nova fase de recuperação da sua influência estratégica, processo que no entanto apenas é possível devido à alavancagem possibilitada pelos seus recursos naturais.
Contudo, o fenómeno de descompartimentação que se tem registado à escala global,
incidindo inicialmente no plano económico, mas rápida e progressivamente potenciado
pela geopolítica e geoestratégia que naturalmente o tendem a acompanhar e complementar, encerra ele mesmo maior número de dinâmicas limitativas para a consecução do
processo de reconquista pela Federação Russa do anterior status no plano internacional,
do que oportunidades que a favoreçam. Neste contexto, a gestão eficiente e harmónica
da tipologia das respostas a estas dinâmicas contrárias por parte da Federação Russa,
constituirá porventura o maior desafio que se colocará à matriz decisória das suas elites neste novo ciclo de reafirmação que o país experimenta.
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Geopolítica Geoestratégia Política interna Política externa Rússia
