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  • Intoxicação por fentanil ilícito – Análise de um caso
    Publication . Tarelho, Sónia; Stasyuk, Mykola; Castro, André Lobo; Melo, Paula; Sousa, Lara; Teixeira, Helena; Santos, Agostinho; Franco, João Miguel
    O fentanil é um opióide depressor do sistema nervoso central. É prescrito para o controlo da dor crónica e grave, de lesões nervosas, traumas graves, entre outros. Paralelamente, também é sintetizado ilegalmente e usado como uma droga recreativa, muitas vezes misturado com heroína ou cocaína. Na Europa, desde a sua primeira deteção em 2012, foram notificados ao EMCDDA (European Monitoring Centre for Drugsand Drug Addiction) um total de 24 novos casos de fentanil. A maioria destes foi reportada a partir do início de 2016, tendo sido detetados 6 casos até setembro de 2017, nenhum deles em Portugal. Desde 2013 que o fentanil e seus análogos têm estado associados a mortes em todos os estados dos EUA e na Europa, e a prescrição indevida de opióides e a sua produção ilegal são fenómenos crescentes e já sobejamente discutidos. Assim, atualmente, há uma enorme preocupação com a relação entre essa substância e o aumento alarmante do número de overdoses relacionadas com o consumo de substâncias opióides. Os autores apresentam o primeiro caso ocorrido no norte de Portugal onde o fentanil foi detetado em amostras post-mortem, como resultado do seu uso ilícito. Um homem de 31 anos foi encontrado morto num quarto de hotel, com um saco plástico a cobrir na cabeça, preso à volta do pescoço com cordão de nylon e fita adesiva. Encontrava-se com um leitor de MP4 com auriculares ligados, com os terminais por baixo do saco, como se tivessem caído das cavidades auriculares. O cadáver mostrava sinais de desidratação e todos os achados apontavam para uma etiologia suicida. No local foram encontrados blisters vazios de Alprazolam, juntamente com um espelho contendo resíduos de um pó branco e dois sacos de plástico pequenos transparentes, um deles contendo também um pó branco. Foram enviadas amostras de sangue cardíaco para o SQTF para processamento analítico, assim como os pós mencionados. A identificação e a quantificação do fentanil em amostras de sangue post-mortem foi realizada num GC-MS-single quad (LD = 3 ng / mL), após procedimento extrativo por extração em fase sólida. Os pós também foram identificados como Fentanil por GC-MS-single quad sem procedimento de extração. A análise ao sangue foi positiva para alprazolam [123 ng / mL] e para o insuspeitado fentanil [158 ng / mL]. Em Portugal, é a primeira vez que o fentanil é detetado em amostras post-mortem em contexto de uso ilícito, e o relatório da autópsia sugere que, tendo em conta todas as evidências, tudo aponta para uma morte num contexto de suicídio, sem sinais de lesões capazes de conduzir à morte provocadas por terceiros. Combinando os resultados toxicológicos com os achados da autópsia, bem como as informações policiais, não é possível excluir a morte por intoxicação por fentanil, tendo ainda em associação outro agente depressor do sistema nervoso central. Este resultado está alinhado com a realidade encontrada noutros países, sugerindo que o uso ilícito de opióides sintéticos, nomeadamente o fentanil, representa um problema crescente de saúde pública, exigindo vigilância em vários campos, incluindo autoridades fiscalizadoras, entidades governamentais e toxicologistas, para citar alguns, a fim de ser possível levar a cabo a contenção do consumo crescente deste tipo de substâncias.