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- Incontinência urinária em pessoas internadas numa Unidade de Cuidados Continuados em LisboaPublication . Fernandes, Carolina Germano; Costa, Daniela Sofia AlbinoEnquadramento teórico: A incontinência urinária (IU) é uma condição com elevada prevalência em adultos mais velhos, com impacto negativo na funcionalidade e qualidade de vida (QdV). Em contexto de internamento, especialmente em unidades de cuidados continuados e reabilitação, fatores como multimorbilidade, imobilização, cirurgias recentes e alterações funcionais podem aumentar o risco de IU. Apesar da relevância clínica, a investigação sobre a prevalência e os fatores clínicos associados à IU em Portugal nesta população permanece escassa. Objetivos: (1) determinar a proporção de pessoas com IU internadas numa Unidade de Cuidados Continuados (UCC) em Lisboa, (2) caracterizar os seus aspetos sociodemográficos e clínicos, (3) analisar a associação entre a QdV relacionada com a saúde e a IU e (4) explorar fatores clínicos associados à presença de IU. Metodologia: Este estudo observacional transversal incluiu 42 participantes internados no Instituto São João de Deus (ISJD) – Lisboa. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, a Escala de Barthel Modificada (EBM), o International Consultation on Incontinence Questionnaire – Urinary Incontinence Short Form - Versão Portuguesa (ICIQ-SF-VP), o King’s Health Questionnaire (KHQ) e o World Health Organization Quality of Life: Bref (WHOQoL-BREF). Foi determinada a proporção de pessoas com e sem sintomas de IU. Estes dois subgrupos foram analisados através de análises descritivas, inferenciais e testes de regressão logística multivariada. O nível de significância considerado foi de p<0.05. Resultados: A proporção de participantes com IU foi de 47.6%. A amostra era maioritariamente feminina (61.9%; n=26), com média de 80.0 anos e elevada multimorbilidade (83.3%; n=35). Não foram identificadas diferenças significativas entre IU e as variáveis sociodemográficas, clínicas ou dependência funcional entre os dois subgrupos. Entre as variáveis clínicas, apenas a não realização de cirurgia nos últimos três meses apresentou associação significativa multivariada com a presença de IU (p=0.013; OR=6.304; IC95%=1.464-27.148). Conclusão: Cerca de metade das pessoas admitidas nesta UCC reportou sintomas de IU. Estes resultados destacam a importância desta problemática, a necessidade de abordagens multidisciplinares em cuidados agudos e de reabilitação e de investigação futura com amostras maiores e estudos longitudinais.
- Conhecimentos e atitudes dos profissionais de saúde acerca da utilização de suplementos de vitamina D na prevenção e/ou tratamento do cancro da mamaPublication . Marques, Beatriz Valadão; Balteiro, Jorge; Lima, João; Rocha, Maria Clara da Silva PereiraIntrodução: O cancro da mama, em Portugal, destaca-se pela sua elevada prevalência e mortalidade, exigindo, por isso, estratégias eficazes para a prevenção, diagnóstico e tratamento. A vitamina D tem sido associada como possível fator preventivo ou como tratamento coadjuvante neste tipo de cancro. Apesar do crescente interesse científico, o conhecimento dos profissionais de saúde e as suas atitudes neste tema, ainda permanecem pouco exploradas. Objetivo: O principal objetivo ao realizar este estudo foca-se na avaliação do conhecimento e das atitudes e práticas dos profissionais de saúde relativamente à suplementação da vitamina D, na prevenção e/ou tratamento do cancro da mama. Os objetivos específicos pretendem comparar estes dados com as características sociodemográficas, de forma a identificar possíveis diferenças significativas. Metodologia: O presente estudo observacional, transversal e correlacional foi desenvolvido mediante um questionário, que avaliou o conhecimento geral sobre a vitamina D, o conhecimento sobre a influência da vitamina D no cancro da mama e as atitudes e práticas dos profissionais. A recolha de dados foi realizada entre janeiro e abril de 2024, permitindo obter uma amostra de 186 profissionais das diferentes áreas de saúde. Resultados: Os profissionais de saúde em estudo apresentaram um conhecimento geral sobre a vitamina D moderado (Q2=7), e em contrapartida, o conhecimento específico sobre a influência da vitamina D no cancro da mama foi inferior (Q2=3). As habilitações académicas influenciaram significativamente o desempenho dos profissionais, dado que os licenciados destacaram-se nas questões de conteúdo básico e os pós-graduados nas questões de conteúdo fisiológico e clínico. As atitudes e práticas foram globalmente positivas (Q2=13,5), sobretudo nos profissionais que prescrevem e/ou aconselham suplementos. Discussão: Os resultados obtidos refletem um padrão semelhante ao observado nos estudos já existentes, indicando que, embora exista consciência da importância da vitamina D, o conhecimento técnico ainda é insuficiente para a prática de um aconselhamento seguro. A discrepância entre o conhecimento geral e o conhecimento da influência da vitamina D no cancro da mama, reforça a necessidade da formação contínua e da maior integração da evidência científica na prática clínica. As atitudes favoráveis observadas demonstram a predisposição para uma orientação adequada dos doentes, mas falta o domínio técnico, limitando, assim, a qualidade do aconselhamento. Conclusão: A realização deste estudo destaca a importância de reforçar a literacia dos profissionais de saúde sobre a influência da vitamina D na prevenção e/ou tratamento no cancro da mama. Conclui-se que a prática clínica mais alinhada com evidência científica, contribui para um cuidado mais consciente e centrado nas necessidades dos doentes oncológicos.
- O impacto do debriefing estruturado associado à prática simulada: aprimoramento de competências dos EEESMOPublication . Teixeira, Joana Fernandes Quintão; Néné, ManuelaA Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica assume um papel central na prestação de cuidados seguros, de qualidade e sustentados na evidência científica, particularmente em contextos de elevada complexidade clínica. A formação avançada dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica exige estratégias pedagógicas inovadoras que promovam o desenvolvimento integrado de competências técnicas, não técnicas e reflexivas. Neste contexto, a simulação clínica tem-se afirmado como uma metodologia privilegiada, sendo o debriefing um momento estruturado essencial para a consolidação da aprendizagem e integração da experiência na prática clínica. O presente trabalho de projeto foi desenvolvido no âmbito do 1.º Mestrado em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa de Lisboa, tendo como objetivo identificar o impacto do debriefing estruturado associado à prática simulada no desenvolvimento de competências dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica. Trata-se de um estudo de descritivo, de natureza quantitativa, e transversal, desenvolvido com enfermeiros participantes num Curso Avançado de Emergências Obstétricas, envolvendo o planeamento e implementação de um cenário de prática simulada em formato de escape room clínico, baseado na Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde para Partos Seguros, seguido de uma sessão de debriefing estruturado orientada pelo modelo Promoting Excellence and Reflective Learning in Simulation. A avaliação do projeto incluiu a aplicação da Escala de Avaliação do Debriefing associado à Simulação, nas dimensões afetiva, cognitiva e psicossocial. Os resultados demonstram uma perceção globalmente muito positiva do debriefing estruturado, evidenciando contributos relevantes para a reflexão crítica, a segurança psicológica, o trabalho em equipa e a consolidação do conhecimento. Conclui-se que o debriefing estruturado associado à prática simulada constitui uma estratégia pedagógica relevante na formação avançada em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, contribuindo para a qualidade e segurança dos cuidados prestados à mulher, ao recém-nascido e sua família.
