Browsing by Author "Ricarte, Ivan"
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- Barreiras para a implementação do prontuário eletrónico do pacientePublication . Galvão, Cristiane; António, Maira; Ricarte, IvanIntrodução: Por muitos anos, várias iniciativas de implementação de prontuários eletrónicos do paciente (PEP) vêm ocorrendo em todo o mundo, com a promessa de substituir completa e vantajosamente os registos de pacientes em papel. No entanto, o suporte eletrónico ainda é subutilizado. Objetivo: Avaliar quais são as principais barreiras à implementação e ao amplo uso do PEP. Métodos: Foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE e CINAHL por artigos publicados desde 2014 que faziam referências a facilitadores e barreiras ao PEP. Os artigos selecionados foram submetidos à análise temática para identificar as principais barreiras e dificuldades. Resultados: Dos 1.982 artigos resultantes da busca, foram selecionados 30 artigos publicados entre 2014 e 2019 para análise temática. Esses artigos abordaram iniciativas de 11 países diferentes, principalmente dos Estados Unidos (nove artigos) e do Canadá (cinco). As iniciativas abordaram principalmente os contextos hospitalares (12) e de atenção primária (nove). Em relação aos métodos houve um equilíbrio, com 14 artigos elaborados com abordagem quantitativa, 14 trabalhos com abordagem qualitativa e com dois artigos utilizando métodos mistos. A análise identificou 122 citações para barreiras em torno de oito temas principais: financeiro, infraestrutura, planeamento, operacional, interoperabilidade, profissional, confiança e público. Desses temas foram recorrentes os aspetos operacionais (42 citações) e profissionais (32). Entre os aspetos operacionais, os principais problemas foram a inadequação dos sistemas aos requisitos (como recursos não adequados para outros profissionais que não os médicos) e problemas de usabilidade (como interfaces complexas para realizar a entrada de dados). Entre os aspetos profissionais, a principal barreira estava relacionada ao treinamento (insuficiente ou inadequado), seguido de questões de resistência dos profissionais às mudanças e limitações da alfabetização. Conclusão: Mudar esse cenário requer sistemas que atendam e conquistem profissionais de saúde.
- Barreiras para a prática da enfermagem baseada em evidências no BrasilPublication . Galvão, Cristiane; Fernandes, Vivian; Ricarte, Ivan; Carmona, FábioIntrodução – Profissionais de enfermagem constituem grande parte da força de trabalho dos sistemas de saúde, motivo pelo qual estudos têm observado as barreiras enfrentadas por esses profissionais para o uso de evidências. Dentre elas são listadas pela literatura internacional: falta de apoio administrativo, falta de confiança em evidências em saúde, tempo insuficiente no trabalho para ler e implementar novas ideias, ausência de autonomia dos enfermeiros para alteração dos procedimentos clínicos, disponibilidade limitada de evidências em enfermagem, distância entre o meio académico e a prática clínica, cultura organizacional cristalizada e falta de treinamentos. Objetivos – Considerando-se estudos produzidos em outros países, objetivou-se verificar quais são as principais barreiras para a prática da enfermagem baseada em evidência em um contexto hospitalar brasileiro. Métodos – A pesquisa teve caráter quantitativo e obteve a participação de 100 enfermeiros que atuam em um hospital público, universitário, de referência nacional, que atende condições de alta complexidade, localizado no Brasil. Os participantes responderam a um questionário demográfico e a um questionário sobre o uso de evidências no contexto clínico. O estudo seguiu as diretrizes brasileiras de ética em pesquisa com seres humanos. Resultados – As dez principais barreiras para a prática da enfermagem baseada em evidências, mencionadas pelos participantes, foram: 1) a remuneração recebida não incentiva a prática baseada em evidências; 2) no local de trabalho não há tempo para acessar evidências; 3) no local de trabalho não há treinamentos sobre práticas baseadas em evidências; 4) no local de trabalho não há métodos de ensino que facilitem a prática baseada em evidências; 5) no local de trabalho não há uma política para a prática baseada em evidências; 6) no local de trabalho não há recursos tecnológicos que facilitem a prática baseada em evidências; 7) no local de trabalho não há incentivo à prática baseada em evidências; 8) no local de trabalho não há sistemas de apoio à pesquisa de evidências; 9) no local de trabalho, a cultura organizacional não facilita a prática baseada em evidências; 10) no local de trabalho, a gestão e a hierarquia organizacional não facilitam a prática baseada em evidências. Conclusões – Os resultados encontrados no Brasil são similares aos resultados encontrados em outros países. Porém, observa-se que os participantes brasileiros delegam, sobretudo, ao contexto institucional as barreiras para a prática da enfermagem baseada em evidências. A simples disponibilização de evidências em bases de dados especializadas ou em plataformas governamentais não garante que os profissionais de saúde façam uso dessas evidências durante a assistência em saúde. As unidades de saúde precisam desenvolver estratégias específicas para o uso de evidências no contexto clínico.
- Citações e fator de impacto não refletem relevância clínica da informação em saúdePublication . Ricarte, Ivan; Galvão, Cristiane; Carmona, Fábio; Santos, DanielleO grande volume de publicação de artigos científicos sobrecarrega os profissionais da saúde que desejam seguir os princípios da prática de saúde baseada em evidência. Para avaliar se a quantidade de citações do artigo e o fator de impacto do periódico estão associados à relevância clínica da informação, considerando a perspectiva dos profissionais da saúde que assistem diretamente a pacientes, este estudo comparou citações recebidas por 26 artigos científicos, bem como o fator de impacto dos periódicos nos quais foram publicados, com a avaliação feita diretamente por profissionais sobre a relevância da informação contida nesses artigos para sua prática clínica. Os resultados obtidos demonstram que há baixa correlação entre a percepção da relevância clínica por profissionais e citações ou fator de impacto. Portanto, essa medida de relevância clínica reflete aspectos diferentes da quantidade de citações e pode ser utilizada em processos de translação de conhecimento e outras avaliações do impacto da pesquisa.
- De blogs a dados abertos: um estudo de caso na disseminação de informação em saúdePublication . Ricarte, Ivan; Hagiwara, Karina; Galvão, CristianeIntrodução: A atual transição da Web para a Web Semântica, com informação disponibilizada também no formato de dados abertos e conectados, permite a integração da informação de distintas fontes, possibilitando o seu uso em novas aplicações e expandindo horizontes de conhecimento. A informação em saúde disponibilizada na Web não pode estar alheia a essa transição. Objetivo: Avaliar o esforço necessário e os potenciais benefícios envolvidos na tradução de informação em saúde disseminada em um blog para o formato de dados abertos. Método: Foi realizado um estudo de caso com um blog de disseminação de informação em saúde. Para as publicações desse blog foram desenvolvidos um modelo de representação em formato de dados abertos e uma aplicação de software para traduzir as informações para esse modelo. O resultado foi avaliado em termos de qualidade da informação, possibilidades de acesso à informação e conexões com outras fontes de dados. Resultados: O blog selecionado foi o Fale com o Dr. Risadinha, que dissemina informação sobre a saúde de crianças e adolescentes para o público leigo. No momento da realização deste estudo de caso, o blog continha 479 publicações, todas em português. Um modelo da informação do blog foi desenvolvido em Unified Modeling Language, contemplando aspetos genéricos, comuns a qualquer blog, e específicos, presentes nas publicações do blog selecionado. Os elementos desse modelo foram expressos usando RDF (Resource Description Framework), o arcabouço para a representação de dados abertos na Web Semântica. Nesse modelo RDF foram utilizados, quando possível, vocabulários padronizados como Semantically-Interlinked Online Communities, Dublin Core e Friend of a friend. A aplicação de software para traduzir as publicações para esse modelo de dados abertos foi desenvolvida em Java. Das 479 publicações foram derivadas 15.812 triplas RDF, às quais foram agregadas 605 conexões a recursos da DBpedia. Todos esses factos puderam ser consultados e analisados usando a linguagem de consulta SPARQL, bem como aplicações desenvolvidas em qualquer linguagem de programação com recursos para manipular dados em RDF, como Java, Python e R. Discussão e conclusões: Além dos benefícios já propagados e associados à disseminação de dados abertos, como a integração com dados provenientes de outras fontes, este estudo mostrou que há benefícios para os editores do blog, na forma de avaliações sobre a consistência e a qualidade da informação. Por outro lado, ficaram evidentes os limites do processamento automático. Nesse sentido, a atuação de um profissional da informação como mediador nesse processo é essencial para explorar devidamente o potencial dos dados abertos conectados. Tal profissional deve ter clara compreensão dos modelos de informação usados para a representação de dados abertos e conhecer os seus principais vocabulários, ontologias e conjuntos de dados disponíveis.
- Disseminando evidências em saúde em linguagem simples nas mídias sociaisPublication . Galvão, Cristiane; Carmona, Fábio; Ricarte, IvanIntrodução – Dadas as diferentes crises económicas, sociais e humanitárias, mudanças populacionais, urbanização rápida, pobreza e escassez de força de trabalho em saúde em diferentes localidades, os países têm se esforçado para garantir que os recursos destinados à saúde sejam gastos com sabedoria. Consequentemente, cada vez mais as tecnologias de informação e comunicação são utilizadas em todos os países e em todos os níveis de atenção em saúde para levar informações para os pacientes e a população em geral a fim de que a assistência em saúde seja de melhor qualidade e consiga chegar a um número maior de pessoas de forma equitativa. Objetivos – Este artigo apresenta um projeto cujo objetivo é disseminar evidências em saúde, em linguagem simples, para pacientes e população leiga e pobre falante da língua portuguesa, empregando-se tecnologias de informação e comunicação, com destaque para mídias sociais. Métodos – O projeto emprega instrumentos para coleta de dados quantitativos e qualitativos. A seleção das temáticas para as quais são construídos resumos de evidência considera o perfil epidemiológico de crianças e adolescentes atendidos em um hospital de alta complexidade, bem como dúvidas postadas pela população nas plataformas do projeto. Para a elaboração dos resumos de evidência há uma equipa treinada, formada por docentes do campo da saúde e da informação, bem como estudantes do campo da saúde. Para a construção dos resumos de evidência são empregadas bases de evidências como UpToDate, Dynamed, Access Medicine e PubMed via Pico. Antes de sua publicação nas plataformas, os resumos produzidos são revisados por especialistas. O público leitor pode avaliar cada evidência disponibilizada por meio de instrumento específico. No momento, o projeto está empregando várias plataformas como Blogger, Facebook e Twitter. Resultados – Ao longo de vinte meses, de 18 de abril de 2016 a 13 de dezembro de 2017, foram disseminados nas plataformas do projeto 272 resumos de evidência em linguagem simples sobre condições de saúde e seus tratamentos. O número total de acessos às plataformas do projeto foi de 149.579. Os três resumos de evidência mais acessados até o presente focaram: suicídio (2.407 acessos); linfoma não Hodgkin (1.831 acessos); e transtorno opositivo desafiador (1.345 acessos). Os países que mais acessaram as plataformas do projeto foram: Brasil, Estados Unidos, Rússia, Alemanha e Portugal. Conclusão – Os acessos realizados por pessoas que estão em diferentes países parecem demonstrar que a disponibilização de evidências em saúde em linguagem simples e em língua portuguesa vem suprir demandas transnacionais de falantes desse idioma, assim como demonstram que as tecnologias de informação e comunicação podem ser eficientes em levar informação em saúde a um grande número de pessoas. Assim, entende-se que o emprego de mídias sociais para a disseminação de evidências em saúde pode levar os resultados obtidos pela ciência ao grande público.
- Métricas em Ciência AbertaPublication . Ricarte, IvanMétricas são cotidianamente utilizadas para avaliar e comparar grandezas de distintas naturezas. Em medidas básicas, como distâncias expressas em metros e períodos de tempos expressos em minutos, ou em situações envolvendo múltiplas variáveis, como a decisão de uma instituição financeira em oferecer crédito a um cliente, as métricas estão presentes nas mais diversas avaliações e tomadas de decisão. Em ciência não é diferente. Toda a pesquisa científica é constantemente avaliada, seja na fase de conceção, durante a busca por financiamento, seja na divulgação de seus resultados, por meio das publicações em revistas científicas. Pesquisadores também são constantemente avaliados, em solicitações de auxílio, em concursos ou em avaliações para promoção. A avaliação da ciência tem sido focada nas publicações dos resultados de pesquisa. Inicialmente era usual ter como métrica a simples quantidade de publicações de um pesquisador. Desde o advento da tecnologia que permitiu registrar e processar as citações em artigos científicos, contabilizar a quantidade de citações atribuídas a cada artigo, tornou-se a base para um amplo elenco de indicadores para avaliar a relevância de pesquisas, de pesquisadores, de revistas científicas, de instituições e até de países. Assim como o próprio modelo de ciência, as métricas para avaliação de pesquisas com base na contagem de publicações e de citações têm sido alvo de críticas. Em relação à contagem de publicações, questionamentos são colocados em virtude do surgimento de revistas científicas «predadoras» e por práticas como fatiar resultados de pesquisa até a menor unidade publicável. No que se refere à utilização de citações, não é claro que toda a referência a um outro trabalho de pesquisa seja um endosso de sua relevância. Com o modelo corrente de acesso pago a artigos científicos há ainda fortes interesses comerciais ligados a ter um trabalho ou uma revista com maior quantidade de citações. Ademais, também há relatos de práticas antiéticas no sentido de induzir melhores medidas baseadas em citações não apenas para pesquisadores, mas também para revistas científicas. Em contraposição ao padrão competitivo de pesquisas induzido pelo modelo tradicional da ciência, o modelo de Ciência Aberta valoriza a cooperação entre pesquisadores. Desse modo, a ênfase da divulgação da pesquisa não está concentrada na publicação final dos resultados de pesquisa, mas pode envolver também outras etapas, como o compartilhamento de dados e a própria elaboração das publicações referentes aos resultados. Assim, são necessárias novas métricas que permitam avaliar não apenas o alcance da divulgação pública das pesquisas, mas também o próprio processo da pesquisa. Neste trabalho analisaremos por que as métricas tradicionais para a ciência não são adequadas para o modelo de Ciência Aberta. Também apresentaremos algumas métricas alternativas viabilizadas pelas tecnologias atuais que vêm sendo propostas para esse modelo, com base na avaliação direta da sociedade e na repercussão dos trabalhos em redes sociais.
