Percorrer por autor "Neves, Filipa Oliveira"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Os laços da violência : a influência da vinculação e das experiências nas relações próximas na perpetração de violênciaPublication . Neves, Filipa Oliveira; Neves, Ana Cristina Sabino Pestana; Almeida, Iris Sofia Balbino de; Monteiro, SusanaA violência nas relações de intimidade (VRI) constitui um fenómeno complexo e multifatorial, com consequências severas ao nível psicológico, relacional e social. Estudos indicam que fatores como a vinculação insegura e experiências relacionais negativas podem estar na origem de comportamentos agressivos em contexto íntimo. A compreensão dos padrões vinculatórios e das vivências interpessoais revela-se fundamental para identificar perfis de risco associados à perpetração de violência, permitindo a construção de estratégias de intervenção ajustadas. Esta investigação teve como objetivo explorar de que forma os estilos de vinculação e as experiências em relações próximas influenciam a perpetração de comportamentos violentos em relações íntimas por parte de adultos. Especificamente, pretende-se: (i) comparar os estilos de vinculação entre indivíduos que já perpetraram e não perpetraram violências nas relações de intimidade; (ii) analisar a relação entre os estilos de vinculação e as experiências em relações próximas; e (iii) avaliar a influência conjunta destes fatores na ocorrência de comportamentos agressivos. A amostra foi composta por 341 adultos (255 pessoas não perpetradoras; 86 pessoas perpetradoras), com idades entre os 18 e os 62 anos, recrutados através de amostragem não probabilista em ambiente online. A identificação das pessoas perpetradoras de violência foi realizada com base no autorrelato de comportamentos violentos previamente definidos. Recorreu-se a uma metodologia quantitativa, com aplicação da Escala de Vinculação do Adulto (EVA) e da Escala de Experiências em Relações Próximas (ERP). Os participantes perpetradores revelaram níveis significativamente mais elevados de ansiedade na vinculação e da preocupação nas ERP, sugerindo uma maior insegurança relacional e hipersensibilidade à rejeição. Não foram encontradas diferenças significativas nas dimensões de evitação ou nos estilos de vinculação como categorias. Verificaram-se correlações fortes entre ansiedade e preocupação, especialmente no grupo das pessoas perpetradoras, indicando maior reatividade emocional e instabilidade nos vínculos afetivos. Os resultados sugerem que a vinculação ansiosa e experiências relacionais marcadas por preocupação constituem fatores de risco para a perpetração de violência nas relações de intimidade. Estes dados reforçam a importância de incluir a avaliação da vinculação e das ERP nos contextos clínicos e forenses, com vista à deteção precoce de perfis de risco e à definição de estratégias preventivas e interventivas mais eficazes.
