Percorrer por autor "Morais, Bruno Alexandre Ribeiro"
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- Herança do trauma : uma revisão sistemática sobre experiências adversas na infância e a sua conexão com atos de agressão sexual na idade adultaPublication . Morais, Bruno Alexandre Ribeiro; Soeiro, CristinaAs experiências adversas na infância (ACEs), incluindo abuso físico, emocional, negligência (física e emocional) e disfunção familiar, constituem todos fatores de risco significativos para o desenvolvimento de comportamentos antissociais na idade adulta. Em Portugal, os crimes sexuais tiveram um aumento significativo de 72% entre 2020 e 2024, aclamando a uma urgência para a compreensão de mecanismos etiológicos subjacentes à perpetração de violação. O presente estudo realizou uma revisão sistemática da literatura de modo a analisar a relação entre as experiências adversas na infância e a prática de crimes de violação na idade adulta, identificando os principais tipos de adversidade e os fatores mediadores associados. Para isso, esta foi conduzida segundo as diretrizes PRISMA, com pesquisa realizada entre maio e setembro de 2025 nas bases de dados B-On, PsycNet, PubMed, Sage. De um total inicial de 2516 artigos, foram selecionados 14 estudos que cumpriram todos os critérios de elegibilidade estabelecidos, abrangendo amostras de agressores sexuais adultos masculinos condenados por crimes de violação ou agressão sexual, com recurso a instrumentos validados para a avaliação de ACEs. Os resultados da recolha demonstram que os agressores sexuais apresentaram médias de ACEs significativamente superiores (M = 4,85) comparativamente à população geral, com pelo menos 66% dos violadores a referirem ter sofrido quatro ou mais experiências adversas na infância. Os tipos de ACEs mais prevalentes incluem o abuso físico (30%), abuso sexual (17,5%), abuso psicológico (12,5%) e negligência emocional (12,5%). Além disso, Violadores evidenciam odds ratio até 13 vezes superior para abuso verbal e quatro vezes superior para negligência emocional, confirmando uma relação de dose-resposta entre o número acumulativo de ACEs e o risco de perpetração sexual. Identificou-se ainda mediadores psicossociais críticos, nomeadamente défices de empatia, distorções cognitivas, desregulação emocional, vergonha, masculinidade hostil e perturbações de personalidade antissocial presentes em violadores e outros agressores sexuais. Em conclusão, a evidência reforça a associação robusta entre as experiências adversas na infância e a perpetração de violação na idade adulta, sublinhando a necessidade de avaliação sistemática das ACEs em contextos forenses e clínicos. Os resultados apontam para um reforço de intervenções preventivas baseadas no trauma, direcionadas à interrupção do ciclo de vitimização-ofensa.
