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Orientador(es)
Resumo(s)
Introdução:
A estricnina é um alcaloide vegetal proveniente das sementes da Strychnos nux vomica, tendo sido bastante utilizado como rodenticida no século XX. No entanto, devido à sua elevada toxicidade, o seu uso foi proibido em muitos países, tendo-se tornado raros os casos de intoxicações por esta substância. Em Portugal já não é comercializada estricnina como raticida desde 1974, mas pode ainda ser encontrada como adulterante de diversas drogas de abuso.
A morte ocorre por asfixia, por paralisia dos músculos respiratórios.
Objetivos:
Os autores apresentam uma análise de 3 casos de intoxicações fatais por estricnina ocorridos no último ano, de indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 59 e 70 anos, encontrados em PCR. Apenas num dos casos foi encontrada carta de despedida junto à vítima.
Material e Métodos:
A pesquisa/confirmação/quantificação dos medicamentos foi efetuada num equipamento LC-MS/MS da Sciex, em modo MRM, após extração simples das amostras de sangue por precipitação proteica com acetonitrilo.
Resultados:
A análise do sangue periférico dos 3 casos revelou a presença de estricnina (2510 ng/mL; 3399 ng/mL e 6285 ng/mL). Para além da estricnina apenas foram detetados medicamentos que faziam parte da terapêutica habitual.
Discussão:
As intoxicações por estricnina são raras, mas potencialmente fatais. A intoxicação por este alcaloide poderá ser acidental ou intencional (suicídio ou homicídio). É importante ressalvar que em nenhum dos casos existia suspeita de intoxicação por estricnina e que em nenhum dos casos foi feita referência à existência de copos ou soluções de preparados junto das vítimas.
As concentrações postmortem encontradas foram consistentes com os dados publicados noutros casos de intoxicação fatal por esta substância. Os 3 casos foram concluídos como casos de morte violenta por intoxicação por estricnina. Apenas no caso em que foi encontrada a carta de despedida foi concluído que nada se opunha à etiologia médico-legal suicida. Nos outros dois casos não existiram elementos para se fazer o diagnóstico diferencial entre suicídio/homicídio/acidente.
Os casos descritos demonstram que, apesar da sua restrita disponibilidade, ainda é possível encontrar casos de intoxicação por este composto, tendo-se comprovado a importância da sua pesquisa nos métodos de rastreio da rotina laboratorial.
Descrição
Palavras-chave
Estricnina Intoxicações fatais
Contexto Educativo
Citação
Melo, Paula; Sousa, Lara; Cunha, Sofia Monteiro; et al. Ressurgimento da estricnina como forma de intoxicação? Análise de três casos fatais. In: 23º Congresso Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. INMLCF, 2025
