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Actualmente, já se espera que o pai acompanhe a companheira durante o trabalho de parto e nascimento. A sua presença, na sala de partos, traz vivências que poderão interferir no processo de transição para a parentalidade. O desconhecimento sobre a forma como a figura paterna vivencia este momento e as condições facilitadoras e inibidoras por ele percepcionadas, tendo por base a teoria das transições proposta por Meleis [et al.] (2000), encaram-se como incógnitas evidentes no trabalho de parto e nascimento, na região do Tâmega e Sousa.
Com esta investigação pretendeu-se atingir os seguintes objectivos: descrever as vivências paternas no trabalho de parto e nascimento durante o processo de transição para a parentalidade; compreender o processo de transição para a parentalidade paterna, a partir das experiências vivenciadas no trabalho de parto e nascimento e identificar as condições facilitadoras ou inibidoras que interferem no processo de transição a partir das vivências paternas no trabalho de parto e nascimento.
Para a sua realização optou-se por uma abordagem qualitativa, estudo descritivo-exploratório, sendo a amostra seleccionada por conveniência e constituída por oito pais que acompanharam o trabalho de parto das suas companheiras e o respectivo nascimento dos seus filhos, no Núcleo de Partos do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, EPE. Como instrumento de recolha de dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas e para a análise dos dados recorreu-se à análise de conteúdo, do tipo temática, tendo por referência Bardin (2004).
Da análise dos dados, emergiram oito categorias principais: sentimentos vivenciados pelos pais no trabalho de parto e nascimento, significado dado a esta vivência, as crenças culturais e atitudes do pai face ao trabalho de parto e nascimento, as implicações sócio-familiares e económicas, o estar preparado e o conhecimento para participar nesta
VIII
experiência, os recursos da comunidade e da sociedade, e por fim, os pontos críticos e eventos.
Os resultados deste estudo, tendo subjacente a teoria de Meleis [et al.] (2000), permitem compreender que o processo de nascimento é uma transição desencadeadora de sentimentos agradáveis e desagradáveis, sendo considerada como uma experiência única. As vivências mais marcantes foram o nascimento e o sofrimento da companheira. Para estes pais, esta vivência é dotada de grande significado, relatando realização pessoal, fortalecimento da relação conjugal e valorização das capacidades maternas da companheira. Porém, revelam um nível de preparação e conhecimento baixo, expressando a necessidade de apoio e orientação por parte dos profissionais de saúde, ao qual, os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica precisam de dar resposta, desenvolvendo ou reformulando estratégias de forma individualizada, em grupo e na família.
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Paternidade Parentalidade Transição
