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Orientador(es)
Resumo(s)
Em 2021, o IV Congresso Internacional de Cultura Lusófona Contemporânea (CICLC
2020) uniu-se às celebrações do 25o aniversário da licenciatura em Jornalismo e
Comunicação da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais / Instituto Politécnico
de Portalegre (ESECS/IPP), ao escolher como tema a crónica. Etimologicamente
derivada de chronos – tempo -, a crónica confundiu-se com a historiografia até ao
século XIX, quando a expansão da imprensa e do jornalismo a reinventam e a fazem
renascer com a feição que hoje lhe conhecemos. Ao afirmar que a “crónica é como que
a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o leem”, Eça de Queirós
cunha, no Distrito d’ Évora (1867), uma das primeiras definições da crónica moderna.
Antes, Machado de Assis (1859) atribuíra ao folhetinista, o antecessor imediato do
cronista moderno, a capacidade da “fusão admirável do útil e do fútil”.
Contemporaneamente, o termo “crónica” parece ser um termo guarda-chuva, que
recobre uma panóplia de curtos textos de autor, cuja divulgação é feita através dos
media, mas cujos objetivos e funções são muito diversas. Assim, a crónica é opinião e
argumentação; é comentário da atualidade; é esclarecimento; é divertimento; é relato;
é exercício literário; é experimentação artística; é séria; é divertida; informa; ensina;
convence; é esquecida; é lembrada. Não admira que, face à plasticidade que manifesta,
a crónica continue a ser um problema para os seus cultores. Manuel António Pina, por
exemplo, numa das suas crónicas interroga-se: “E o que é isto de crónicas? Se me
perguntam (...) não sei o que é, se me não me perguntam, sei”. António Lobo Antunes
chama-lhes “prosinhas”, “literatura alimentar”, lamentando que a escrita da crónica
lhe roube tempo da escrita do livro, essa tarefa maior do escritor. Também no espaço
lusófono se acumulam exemplos de cronistas consagrados. Machado de Assis, Clarice
Lispector, Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, no Brasil; José Eduardo Agualusa
em Angola; Mia Couto em Moçambique são apenas alguns dos nomes que podem ser
apresentados como exemplo de cronistas.
A notoriedade da forma, atestada pela sua prevalência nos media tradicionais, pela
migração da forma para plataformas online, a par da fortuna que goza no mercado
editorial, parece ir ao encontro de uma nova máxima popular: a lusofonia é uma nação
de cronistas.
Descrição
Palavras-chave
Literatura Cultura Lusofonia
Contexto Educativo
Citação
Barradsa, F.; Mendes, T.; Cardoso, L.; Henriques, L.;Guimarâes, A. & Oliveira, T. (2024).Em 2021, o IV Congresso Internacional de Cultura Lusófona Contemporânea (CICLC 2020) uniu-se às celebrações do 25o aniversário da licenciatura em Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais / Instituto Politécnico de Portalegre (ESECS/IPP), ao escolher como tema a crónica. Etimologicamente derivada de chronos – tempo -, a crónica confundiu-se com a historiografia até ao século XIX, quando a expansão da imprensa e do jornalismo a reinventam e a fazem renascer com a feição que hoje lhe conhecemos. Ao afirmar que a “crónica é como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o leem”, Eça de Queirós cunha, no Distrito d’ Évora (1867), uma das primeiras definições da crónica moderna. Antes, Machado de Assis (1859) atribuíra ao folhetinista, o antecessor imediato do cronista moderno, a capacidade da “fusão admirável do útil e do fútil”. Contemporaneamente, o termo “crónica” parece ser um termo guarda-chuva, que recobre uma panóplia de curtos textos de autor, cuja divulgação é feita através dos media, mas cujos objetivos e funções são muito diversas. Assim, a crónica é opinião e argumentação; é comentário da atualidade; é esclarecimento; é divertimento; é relato; é exercício literário; é experimentação artística; é séria; é divertida; informa; ensina; convence; é esquecida; é lembrada. Não admira que, face à plasticidade que manifesta, a crónica continue a ser um problema para os seus cultores. Manuel António Pina, por exemplo, numa das suas crónicas interroga-se: “E o que é isto de crónicas? Se me perguntam (...) não sei o que é, se me não me perguntam, sei”. António Lobo Antunes chama-lhes “prosinhas”, “literatura alimentar”, lamentando que a escrita da crónica lhe roube tempo da escrita do livro, essa tarefa maior do escritor. Também no espaço lusófono se acumulam exemplos de cronistas consagrados. Machado de Assis, Clarice Lispector, Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, no Brasil; José Eduardo Agualusa em Angola; Mia Couto em Moçambique são apenas alguns dos nomes que podem ser apresentados como exemplo de cronistas. A notoriedade da forma, atestada pela sua prevalência nos media tradicionais, pela migração da forma para plataformas online, a par da fortuna que goza no mercado editorial, parece ir ao encontro de uma nova máxima popular: a lusofonia é uma nação de cronistas.
