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Intervenções parentais à criança com febre

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A febre, embora seja uma situação muito habitual durante a infância e que, na maior parte das vezes, cursa sem complicações graves associadas, continua a ser uma das queixas mais comuns dos pais que recorrem aos serviços de saúde. A conceção parental da febre, enquanto mecanismo fisiológico imprescindível para o combate à infeção, é ainda um facto desconhecido pela maioria dos pais em várias partes do mundo. Em consequência, adotam condutas muito interventivas e/ou desajustadas que mais não são do que o manifestar de inseguranças e medos alicerçados num défice de conhecimentos sobre esta matéria. Este estudo, tem como objetivos identificar as intervenções adotadas pelos pais face à criança, menor de seis anos de idade, com febre; Identificar os conhecimentos parentais e identificar as necessidades em educação para a saúde para, posteriormente, se elaborar, em contexto de trabalho, um plano de educação para a saúde que vise contribuir para a melhoria da assistência à criança com febre através da promoção do papel parental. Para atingir estes objetivos, realizou-se um estudo exploratório, descritivo e transversal, de caráter quantitativo. A colheita de dados foi realizada através de um questionário aplicado a pais de crianças menores de seis anos de idade. A amostra foi não probabilística, constituída por 145 pais. Os resultados obtidos mostraram que 60,4% dos pais consideram valores inferiores a 38⁰C como febre, 31,2% assume administrar antipirético com valores compreendidos entre os 37ºC e os 37,8ºC e somente 12,9% referem administrar com valores superiores, ou iguais, a 38,2ºC. Embora 84,2% utilizem o termómetro eletrónico para avaliar a temperatura corporal, a perceção sensorial continua a ser um importante método auxiliar no despiste da febre. Quanto à avaliação da temperatura, durante o dia depois de administrarem medicação antipirética, 31,5% dos pais referiram que tinha essa prática de hora em hora e 58,5% XIV afirmaram manter a mesma periodicidade de avaliação tanto durante o dia como durante a noite. A administração de medicação antipirética é a intervenção preferida da maioria (88,9%) dos pais, embora, a utilização dos meios físicos de arrefecimento continue a ser uma forma relevante e complementar de gestão dos episódios febris. Quanto às complicações decorrentes do não “tratamento” da febre, 71,1% dos pais, creem que podem ocorrer convulsões e 45,2% desidratação. Concluímos que os pais continuam a considerar valores relativamente baixos, de temperatura corporal, nomeadamente inferiores a 38ºC, como febre e como valor de referência para a administração de medicação antipirética. Têm tendência a uma monitorização excessiva da temperatura corporal, inclusive no período noturno e recorrem frequentemente ao uso de um segundo antipirético na gestão dos episódios febris, mantendo as crenças irrealistas de que a febre não “tratada” poderá causar meningite, coma, atraso mental e mesmo a morte. Todas estas evidências apontam-nos para um défice de conhecimentos e, consequentemente, para os principais focos de incidência aquando da elaboração de um plano de educação para a saúde baseado nesta problemática.

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Palavras-chave

Febre Antipiréticos Criança

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