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Abstract(s)
A morte súbita pediátrica é um acontecimento traumático na vida profissional dos enfermeiros. Engloba-se no conjunto de acontecimentos a que os enfermeiros do serviço de urgência e medicina intensiva pediátricos estão frequentemente sujeitos e que podem desencadear a Perturbação de Stresse Traumático Secundário, cujos sintomas são intrusão, evitamento e hiperativação.
Os objetivos principais deste estudo foram estudar o impacto da morte súbita pediátrica nos enfermeiros assim como os processos de confronto a que estes profissionais recorrem para lidar com este tipo de acontecimento. Pretendeu-se ainda analisar as propriedades psicométricas da Escala do Impacto do Acontecimento – Revista (Weiss & Marmar 1997; Tradução e Adaptação: Matos, Pinto-Gouveia & Martins, 2011) junto da população em estudo.
Foi utilizada uma metodologia mista (quantitativa/qualitativa) em que foram utilizados como instrumentos de recolha de dados um questionário de caraterização sociodemográfico e profissional, a Escala de Impacto do Acontecimento – revista (Tradução e adaptação: Matos, Pinto-Gouveia & Martins, 2011) e uma entrevista semiestruturada.
A amostra foi constituída por 62 enfermeiros de dois hospitais centrais portugueses e com uma idade média de 35.68 anos, maioritariamente do sexo feminino (83.9%).
Os resultados demonstraram que a Escala de Impacto do Acontecimento – revista é um instrumento fiável para a avaliação do impacto emocional da morte súbita nos enfermeiros, tendo sido encontrado um alfa de Cronbach de 0.94 para o score impacto total. Os resultados revelaram ainda que a morte súbita de crianças e adolescentes é um acontecimento com impacto emocional nos enfermeiros, na medida em que cerca de 19.4% dos participantes obtiveram scores totais na EIA- R acima de 1.87, ou seja, reveladores de um alto impacto. A intrusão é a subescala com valores mais elevados (Me=1.35) e encontraram-se diferenças significativas em função do sexo, tendo as enfermeiras demonstrado um impacto significativamente superior expresso quer no score total, U=119.0, p=0.001, quer nos scores das três subescalas, mais concretamente na de intrusão, U=152.5, p=0.04, na do evitamento, U=86.0, p=0.001, e na da hiperativação U=153.0, p=0.04. Nas entrevistas os participantes relataram experiências de sofrimento relacionadas com o acontecimento em estudo, assim como estratégias de confronto cognitivas, focadas no problema e na emoção. Estes resultados apontam para a necessidade de desenvolver intervenções promotoras de uma melhor gestão emocional dos enfermeiros face à morte súbita da criança e adolescente.
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Keywords
Morte súbita Escala de impacto do acontecimento
