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Informação clínica e a sua relação com a funcionalidade e qualidade de vida em mulheres com cancro de mama

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Introdução: O cancro de mama é o mais diagnosticado entre as mulheres, representando um sério problema de saúde pública. As diversas opções terapêuticas no tratamento do cancro de mama, embora essenciais, frequentemente resultam em complicações que impactam a funcionalidade e a participação das utentes. O fisioterapeuta desempenha um papel crucial no estado de saúde geral e funcionalidade, com impacto positivo na qualidade de vida das utentes. Em oncologia, o modelo de vigilância prospetiva (MVP) é considerado o gold standard da fisioterapia e preconiza o acompanhamento das utentes ao longo das diferentes fases de sobrevivência. Um dos pilares essenciais deste modelo é a promoção de uma comunicação eficaz e de qualidade da informação transmitida por parte dos profissionais de saúde ao utente, informando-o sobre a sua condição ao longo de todo o processo, contribuindo favoravelmente para a qualidade da prestação de cuidados de saúde em oncologia. Objetivo: Avaliar a relação entre a perceção que as utentes de cancro da mama têm relativamente à informação disponibilizada, desde o diagnóstico até às 4 a 5 semanas pós-cirurgia, com os respetivos níveis de funcionalidade do membro superior e qualidade de vida. Metodologia: Consistiu num estudo observacional, transversal e correlacional que incluiu uma amostra de 33 participantes, submetidas a cirurgia há aproximadamente 4 a 5 semanas e que aguardavam em lista de espera, o início de tratamento de fisioterapia em regime de ambulatório, no Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Instituto Português de Lisboa Francisco Gentil (IPOLFG). A seleção da amostra foi feita por conveniência, com um único momento de recolha de dados, que se baseou na aplicação dos seguintes instrumentos: questionário de levantamento e caraterização dos dados sociodemográficos e clínicos; questionário EORTC QLQ-C30 para avaliação da qualidade de vida; EORTC QLQ-INFO25 para avaliar a perceção das utentes sobre as informações recebidas acerca da patologia oncológica; e, a escala DASH, para avaliar a funcionalidade do membro superior. Para o tratamento estatístico dos dados utilizou-se estatística descritiva para caracterização sociodemográfica e clínica da amostra, bem como para as variáveis quantitativas dos questionários EORTC QLQ-C30, EORTC QLQ-INFO25 e DASH e, estatística inferencial para analisar as correlações entre as variáveis independentes e dependentes analisadas. Resultados: Quanto à variável de perceção da informação, observou-se que, a maioria dos scores das subescalas do questionário EORTC QLQ-INFO25 apresentam uma correlação positiva e estatisticamente significativa (p<0,05), com o respetivo score global. Em relação à variável funcionalidade, medida através do score global da escala DASH, verificou-se uma correlação positiva e estatisticamente significativa com a idade (p=0,027). No que diz respeito, ao Estado de Saúde Global/Qualidade de Vida (EORTC QLQ-C30) houve uma correlação acentuada positiva e estatisticamente significativa entre a perceção da doença (EORTC QLQ-INFO25) e a qualidade de vida (EORTC QLQ-C30) no Score Satisfação com a informação (p< 0,01), correlação moderada positiva com o Score Informação sobre outros serviços (p< 0,05) e com o Score Informação sobre auto-ajuda (p< 0,05). Além disso, observou-se uma correlação acentuada negativa e estatisticamente significativa (p< 0,001) entre a funcionalidade, medida através Score Global DASH e o Score de Estado de Saúde Global/Qualidade de Vida (EORTC QLQ-C30). Conclusão: Os resultados obtidos sugerem para a amostra estudada, uma influência positiva entre a perceção da informação e a qualidade de vida das utentes com cancro de mama, submetidas a cirurgia há 4 a 5 semanas. Além disso, identificámos uma correlação positiva entre a funcionalidade e a qualidade de vida destas utentes. Estes resultados permitem inferir que nesta fase de reabilitação, as utentes sentem a necessidade de receber mais informação acerca da doença. No entanto, é crucial considerar as limitações inerentes a este tipo de estudo, dada a pequena dimensão da amostra, não permitindo inferências causais e generalização dos resultados. Recomendam-se futuros estudos, com maiores dimensões da amostra.

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Saúde da mulher Cancro de mama Funcionalidade do membro superior Perceção da informação Qualidade de vida

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