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Abstract(s)
A amputação do membro inferior é uma intervenção cirúrgica de carater definitivo que, na maioria das vezes, resulta da progressão da doença arterial obstrutiva periférica e da diabetes mellitus. Acarreta para a pessoa consequências a nível físico, psicológico e social que se repercutem na sua qualidade de vida. A nível físico, são descritas alterações do equilíbrio, da mobilidade e, consequentemente, dependência na realização das atividades de vida diária.
O enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação detém competências específicas, podendo através de uma avaliação funcional precoce e atividades de promoção do autocuidado, readaptação e reeducação funcional da pessoa amputada, diminuir o impacto da incapacidade. Este estudo pretende proporcionar um maior conhecimento sobre a capacidade funcional e o perfil de autocuidado na pessoa com amputação do membro inferior por etiologia vascular contribuindo para uma melhoria e adequação das práticas clínicas.
Foi desenvolvido um estudo de natureza exploratória, com recurso a metodologia quantitativa, com dois momentos distintos de avaliação, nomeadamente, a alta hospitalar e um mês após. A amostra foi constituída inicialmente por 50 participantes, que foram submetidos a amputação do membro inferior no serviço de Cirurgia e Angiologia Vascular do CHSJ, tendo sido possível reavaliar 36 um mês após. A colheita dos dados foi realizada entre janeiro a junho de 2016 recorrendo-se a um formulário de caracterização, ao Índice de Barthel, ao formulário de descrição dos Perfis de Autocuidado e ao Índice de Bem-estar Subjetivo.
A amostra era maioritariamente constituída por elementos do género masculino (64%) com uma idade média de 66,6 anos. Os antecedentes pessoais mais frequentes foram a doença arterial obstrutiva periférica (76%), a diabetes mellitus (74%) e a HTA (70%). Apuramos que cerca de 86% dos participantes recorrem ao conjugue ou aos filhos quando necessitam de apoio no autocuidado. Os níveis de amputações realizados foram 42% de dedos, 20% transmetatársicas, 14% abaixo do joelho e 24% acima do joelho. Os participantes melhoraram a sua capacidade funcional entre a alta e um mês após. As
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atividades básicas de vida diária mais comprometidas na alta hospitalar foram: o tomar banho, o vestir-se, o subir e descer escadas, o andar/marcha ou deslocar-se e ir à casa de banho. Um mês após o tomar banho, o andar/marcha ou deslocar-se e o subir e descer escadas são as que mantêm maior dependência. O perfil de autocuidado dominante na amostra foi o de formalmente guiado (18%). Aferimos que o género feminino, a idade avançada, os níveis de amputação mais proximais e um perfil de autocuidado formalmente guiado ou de abandono condicionaram negativamente a capacidade funcional. Os participantes apresentam uma satisfação com a vida abaixo dos valores da população portuguesa.
A avaliação da capacidade funcional revela-se um contributo fulcral na abordagem da pessoa com amputação do membro inferior, para que os enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação possam contribuir efetivamente para o desenvolvimento de estratégias adaptativas que diminuam a dependência funcional no autocuidado. Também a identificação do perfil de autocuidado pode orientar as intervenções implementadas para cada pessoa.
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Amputação membro inferior Autocuidado Reabilitação
