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- Velagliflozina, uma Nova Abordagem no Controlo da Diabetes Mellitus em GatosPublication . Rogeiro, Ana Carolina Duarte Neves; Figueira, Ana Catarina Pais dos SantosEntre as doenças endócrinas que afetam os gatos, a Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) destaca-se como a mais prevalente. Caracteriza-se por hiperglicemia persistente resultante de uma combinação entre resistência periférica à insulina e disfunção progressiva das células β pancreáticas. Esta forma de diabetes está frequentemente associada a fatores de risco como obesidade, idade avançada, sedentarismo e predisposição genética. Os sinais clínicos mais comuns incluem poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Quando não controlada, a DM2 pode evoluir para complicações graves como cetoacidose diabética, neuropatia periférica ou infeções recorrentes, comprometendo significativamente a qualidade de vida e a sobrevivência do animal. O diagnóstico e o tratamento precoces são, por isso, essenciais para melhorar o prognóstico e o bem-estar do gato e do seu tutor. Nos últimos anos, a insulinoterapia tem sido a base do tratamento, embora represente um desafio significativo para tutores, devido à necessidade de administração injetável diária e de monitorização rigorosa continua, o que contribui para elevados índices de eutanásia no primeiro ano pós-diagnóstico. A velagliflozina, um inibidor seletivo do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2), aprovada recentemente na União Europeia para o tratamento da DM2 felina, surge como uma abordagem terapêutica inovadora e independente da insulina. Este fármaco, de administração oral única diária, promove a obtenção da euglicemia através da glicosúria. Esta via terapêutica demonstrou, em estudos recentes, melhorias significativas no controlo glicémico, nos sinais clínicos e na qualidade de vida de gatos diabéticos não cetonúricos, com uma taxa de resposta superior a 80%. Contudo, a terapêutica com velagliflozina não está isenta de riscos. A sua utilização não é uma escolha adequada para todos os felinos diabéticos exige uma seleção criteriosa dos pacientes e acompanhamento veterinário contínuo, especialmente nas fases iniciais do tratamento. O seu uso deve integrar uma abordagem multimodal que inclua maneio nutricional, monitorização laboratorial e envolvimento ativo dos tutores. Para além do controlo glicémico, destaca-se ainda os seus efeitos pleiotrópicos com benefícios cardiovasculares, renais e metabólicos, posicionando-se como uma futura terapêutica promissora noutras áreas da medicina veterinária.
- A Emergência de Brucella Canis na Europa: uma Ameaça para a Saúde PúblicaPublication . Chambinaud, Lucie; Anastácio, Sofia FerreiraBrucella canis, uma bactéria Gram-negativa com carácter zoonótico, foi descrita pela primeira vez em 1966 na sequência de surtos de aborto e infertilidade em cães. Sendo responsável pela Brucelose canina, esta bactéria causa lesão em tecidos reprodutivos, musculoesqueléticos e nervosos, apesar da manifestação ser predominantemente reprodutiva. Em humanos, embora rara, a doença pode ser crónica e com um quadro inespecífico atingindo particularmente grupos de risco como profissionais de saúde animal, crianças, idosos e indivíduos imuno-comprometidos. O mecanismo patogénico e as estratégias de evasão ao sistema imunitário de B. canis são complexas e dificultam a sua eliminação completa pelo hospedeiro. O diagnóstico da infeção apresenta também alguns desafios. Tanto os métodos diretos (i.e. cultura, MALDI-TOF, PCR) como os métodos indiretos (i.e. testes serológicos como RSAT, ELISA, AGID), apresentam limitações no que respeita à sensibilidade e especificidade. A epidemiologia da doença é pouco conhecida na Europa, devido à ausência de programas de vigilância harmonizados e de sistemas de notificação obrigatória. A circulação internacional de cães e movimentos pós-pandemia COVID-19 são indicados como fatores de risco para disseminação da infeção a partir de regiões endémicas. No que respeita ao tratamento, a eliminação completa da bactéria em cães infetados é difícil, mesmo com uma estratégia combinada de antibioterapia e esterilização, sendo comum a ocorrência de recaídas. As estratégias de controlo são consideradas insuficientes e pouco uniformizadas ao nível internacional. A inexistência de linhas orientadoras regulamentadas na Europa que exija a realização de testes de forma sistemática e que defina protocolos de gestão de animais infetados, tanto ao nível individual como em populações de risco (i.e. canis ou abrigos) é reconhecida como preocupante a alguns países da Europa encetaram a implementação de algumas medidas. É muito relevante neste contexto a implementação de uma abordagem focada em “Uma Só Saúde”, integrando a saúde animal, humana e ambiental, sensibilizando os profissionais, criando redes de vigilância, harmonizando os critérios de diagnóstico e estabelecendo medidas preventivas e de biossegurança eficazes a nível europeu.
