Percorrer por autor "Santos, Vasco Alexandre Milne"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Quantificação da criatividade no processo de design: inovação e ideação de artefactos através dos processos analógico e digitalPublication . Santos, Vasco Alexandre Milne; Ferreira, Ana Margarida; Gonçalves, EduardoO presente projeto de investigação centra-se na compreensão do efeito do relacionamento das formas de representação externas analógicas e digitais com o ato reflexivo e, consequentemente, com o resultado criativo na área de design de produto. O campo de ação a que nos referimos é caracterizado pelos constituintes operativos do processo projetual de design, onde coexistem o espaço concetual metafísico estruturado por um processamento mental responsável pela criação, organização, sintetização e tomada de decisões e o espaço físico, designado pela prática e pela concretização materializada, que promove a reflexão. Na combinatória das ações relacionadas com o pensar e o fazer em projeto, a interação do designer com as ferramentas de representação, no ato de modelação, proporcionam o que Schön (1989) designou por “reflection-in-action” que significa a interpretação e a descrição dos conceitos, e que mais tarde deu origem ao paradigma da coevolução do enquadramento do espaço do problema e do espaço da solução (Dorst e Cross, 2001), que na sua relação, proporciona um resultado inovador, criativo. Da década de 1990 até hoje, as vivências projetuais têm-se alterado no modo de pensar e fazer o projeto, não só pela conjuntura evolutiva económica e social, mas fundamentalmente pela evolução tecnológica, com a integração dos recursos digitais nas práticas representativa e comunicativa do projeto. Oxman (2006, p.242) focou a preponderância deste fenómeno, referindo que os processos digitais estão a contribuir para a emergência do domínio do conhecimento e que “Information has become a new material for the designers”. O novo paradigma da prática do projeto descreveu a emergente necessidade para a formulação de novas metodologias, fundamentais para a estruturação do “design thinking” e para a reestruturação de novas semânticas para descrever e materializar os projetos, no que se consideram os vocábulos concetuais, signos do design. Esta nova amplitude de reflexão e da criação de um modus operandi, diferenciado pela componente da relação do designer com a ferramenta digital, tornou-se determinante para a constituição da nossa questão de partida que consistiu na dúvida se “Estaremos a articular e a utilizar da melhor forma, as ferramentas de exteriorização e reflexão analógicas e digitais, na fase de ideação do projeto?”. Verificando o quadro teórico e prático projetual nos currículos de ensino superior de Design, através da disseminação de um inquérito por questionário e um exercício de campo em aula, x concluímos que não existe sinergia de utilização dos meios analógicos e digitais no desenvolvimento dos projetos, e a fase de ideação é essencialmente estruturada pela aplicação dos meios analógicos, prevalecendo ainda uma cultura do desenho por esboço. Os resultados destes dois métodos de prospeção do meio do ensino revelaram um aspeto preocupante, que acreditamos ter um impacto negativo nos resultados criativos dos projetos dos atuais discentes. No inquérito por questionário, foi mencionada, pelos alunos, a grande dificuldade sentida nas modelações por desenho de esboço e pelos meios digitais, o que significa que, se os discentes não conseguem representar, não conseguem processar a ação de reflexão e consequentemente não conseguem atingir resultados criativos optimizados. Procurando perceber se a utilização sinergética das modelações analógica e digital na fase de ideação podem constituir um melhor corpo de conhecimento e uma maior dimensão criativa, o nosso estudo defende a tese que “A utilização sinergética das modelações analógica e digital, na fase de ideação do projeto de design, potencia os resultados criativos”. Procuramos, com este estudo, perceber melhor a semântica aplicada ao processo de reflexão em design, responsável pela ação de criação e compreender como se pode gerir da melhor maneira as formas de representação, para garantir a formação de novas competências no exercício projetual dos futuros profissionais. Objetivamos ainda a formulação de conhecimentos transdisciplinares e inovadores que integrem o atual corpo de conhecimento de investigação em design e que, de alguma forma, possam também constituir a criação de novas estruturas metodológicas curriculares com fundamentos teóricos e práticos, com o objetivo de promover melhor o ensino projetual. A investigação que propomos, com a aplicação de um caso de estudo experimental com alunos do IADE-UE, procurou analisar os elementos mais influentes responsáveis pela relação de diálogo do designer com o processo, e perceber a função dos instrumentos analógicos e digitais na concetualização das ideias. Reconhecemos que os critérios ensaiados nas fases analógica e digital de controlo e híbrida de experimentação, geraram resultados semelhantes em termos de variação estatística. Porém, sob uma análise mais aprofundada, percebemos que as frequências entre condições nos casos da análise da fluência (capacidade de identificar os requisitos do problema), a flexibilidade (capacidade de ver o problema num contexto abrangente), as relações entre o enquadramento do problema e o enquadramento da solução e o grau de novidade, apresentam tendencionalmente a prevalência da modelação híbrida como a forma de modelação que melhor potencia os resultados criativos. Vários investigadores têm debatido a criatividade no processo de design em matérias de estudo que se ligam ao modo operacional da cognição, processo de estruturação das ideias, tipologias xi de pensamento, métodos de promoção de ideias, os fatores externos condicionadores ou estimuladores do processo. No entanto, poucos estudos centram-se no processo tangível e nas ferramentas de concetualização e materialização das ideias à luz do ensino, vistos por uma abordagem comparativa dos recursos analógicos e digitais. As investigações existentes são maioritariamente ligadas ao efeito da modelação do desenho pelos esboços onde destacamos os trabalhos de Nigel Cross, Kees Dorst, Teresa Amabile, Katja Tcshimmel, Gabriela Goldschmidt, Bryan Lawson, Henry Cristiaans, Herbert Simon, entre outros. Acreditamos, contudo, que a sinergia das modelações analógica e digital possam desbloquear a gestação das ideias, possibilitando uma ampliação dos mecanismos dialéticos entre o designer, o meio e o problema. Para compreender este fenómeno, propusemos o nosso estudo realizado em cinco fases: a constituição da questão de investigação e o propósito, o enquadramento teórico e a constituição da problemática, construção do modelo de análise e identificação da hipótese e aplicação do caso de estudo, tratamento de dados. Por último, a discussão dos resultados e conclusão, identificando a tendência que, através da modelação híbrida, se conseguem processar resultados mais criativos, abre o caminho para que esta investigação possa ser mais aprofundada, experimentando outras variáveis de estudo, e para que possivelmente se possam desenvolver ferramentas híbridas que, na continuidade dos estudos de Dorta e Lesage (2008), venham a optimizar a exteriorização das ideias dos designers. Com a realização deste estudo, ambicionamos propiciar uma maior consciencialização para a importância dos meios de representação e as formas de modelação associadas à estrutura reflexiva do ato de criação. A vida é um sistema que evolui a cada passo experimental, que realizamos.
