Browsing by Author "Pereira, Gilberto"
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- Transcranial doppler monitoring of both middle and posterior cerebral arteries can increase microembolic signals detection: a pilot studyPublication . Pereira, Gilberto; Pereira, TelmoIntrodução: Os acidentes vasculares cerebrais da circulação posterior representam 15–25% dos eventos isquémicos cerebrais e, embora menos frequentes do que os da circulação anterior, têm relevância clínica devido às dificuldades diagnósticas e ao risco limitação funcional e recorrência de eventos isquémicos. Os sinais microembólicos (MES) detetados por Doppler transcraniano (TCD) associam-se fortemente a aterosclerose de grandes vasos, mas podem ocorrer em várias etiologias. A monitorização de rotina de MES centra-se na avaliação das artérias cerebrais médias (ACM), negligenciando frequentemente as artérias cerebrais posteriores (ACP). O nosso objetivo foi avaliar se a inclusão da monitorização bilateral das ACP ao protocolo de rotina das ACM aumenta o número de MES detetados em doentes com AVC isquémico agudo, bem como analisar a sua relação com a etiologia do mesmo, bem como com a ecogenicicidade das estenoses ateroscleróticas carotídeas, com o grau de estenose arterial a montante, prognóstico funcional dos doentes aos 90 dias e a recorrência de eventos isquémicos até um ano. Métodos: Estudo prospetivo, realizado num único centro, tendo sido incluídos doentes com AVC isquémico agudo de forma consecutiva e com qualquer etiologia, admitidos nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Todos os doentes realizaram monitorização TCD de 30 minutos das artérias cerebrais média (ACM) e posterior (ACP) para deteção de MES. Os MES foram analisados quanto à sua presença e intensidade na análise espetral. Avaliou-se o outcome funcional dos doentes aos 90 dias (escala de Rankin modificada) e a recorrência de AVC, acidente isquémico transitório (AIT) ou embolismo sistémico até 360 dias. Os outcome foram comparados entre os grupos com e sem MES, com análise adicional por etiologia do AVC e presença de estenose arterial no território a montante da artéria monitorizada. O estudo encontra-se registado em ClinicalTrials.gov (ID: 06735274). Resultados: Entre 260 doentes, foram detetados MES em 17 (6,5%), com uma mediana de 3 eventos/hora (IQR 2–15). A deteção foi unilateral em 71% e ipsilateral ao hemisfério afetado em 76%. A monitorização da ACP permitiu identificar 4 casos adicionais positivos para MES (23,5% do total de positivos). Os doentes com MES apresentaram valores mais elevados de NIHSS (p = 0,047). A presença de MES na ACM associou-se a menor probabilidade de independência funcional aos 90 dias (OR ajustado 0,107, IC 95%: 0,022–0,526; p = 0,006). A taxa de recorrência foi de 8,1%, sendo mais elevada nos subgrupos com MES. A presença de MES associou-se a eventos isquémicos (log-rank p = 0,04; HR ajustado para ACP MES-positiva: 15,6, IC 95%: 1,5–157,8; p = 0,02). O número de MES foi mais elevado nos doentes com aterosclerose de grandes vasos (p < 0,01), enquanto a intensidade dos MES foi significativamente superior nos AVC cardioembólicos (p < 0,01). A presença e número de MES aumentaram com a gravidade da estenose, mas a intensidade dos mesmos foi inferior nos doentes com estenose carotídea ou vertebral a montante (p < 0,05). Conclusão: Os nossos resultados demonstram que as características dos MES variam consoante a etiologia do AVC: a aterosclerose de grandes vasos associa-se a maior número de MES mas menor intensidade, enquanto os AVC cardioembólicos apresentam menos MES, mas de maior intensidade. A presença de MES associou-se a maior risco de recorrência quando detetada na ACP e a pior prognóstico funcional quando detetada na ACM. A monitorização da ACP permitiu identificar casos adicionais de MES, reforçando o valor clínico de avaliar ambos os territórios na fase aguda do AVC.
