Browsing by Author "Neves, Margarida Lourenço Costa Grade"
Now showing 1 - 1 of 1
Results Per Page
Sort Options
- Cancro oral em pacientes imunossuprimidosPublication . Neves, Margarida Lourenço Costa Grade; Pereira, Gonçalo MartinsO carcinoma pavimento-celular oral (CPCO) é a forma mais frequente de cancro da cavidade oral e está intimamente associado a fatores de risco modificáveis, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, cuja combinação exerce um efeito sinérgico na sua patogénese. Outros elementos contribuintes incluem infeções virais, nomeadamente pelo vírus do papiloma humano (HPV), más condições de saúde oral, deficiências nutricionais e infeções fúngicas crónicas como a candidíase. Apesar de ser considerado um cancro amplamente evitável, o CPCO pode também surgir em indivíduos fora dos grupos clássicos de risco, o que sublinha a importância do rastreio e do diagnóstico precoce. A imunossupressão, seja decorrente de terapêuticas farmacológicas utilizadas em contexto de transplantes e doenças autoimunes, seja resultante de imunodeficiências primárias ou adquiridas, constitui um fator de risco significativo para o desenvolvimento de neoplasias. A redução da vigilância imunológica facilita a sobrevivência e proliferação de células com mutações genéticas, bem como a reativação de infeções virais oncogénicas. Evidência proveniente de recetores de transplante renal e de células hematopoiéticas confirma um aumento consistente no risco de tumores sólidos, incluindo carcinomas da cavidade oral, sobretudo em doentes expostos a regimes prolongados de imunossupressão e na presença de doença crónica do enxerto contra o hospedeiro. A relação entre imunossupressão e cancro oral traduz-se numa maior suscetibilidade à transformação maligna de lesões potencialmente malignas e ao desenvolvimento de CPCO. Este efeito não decorre apenas da diminuição da vigilância tumoral, mas também da facilitação de coinfeções virais e fúngicas, como HPV e Candida spp., que atuam como cofatores na carcinogénese. Assim, a imunossupressão prolongada deve ser entendida como um determinante central no desenvolvimento de cancro oral, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção adaptadas e de uma vigilância clínica contínua em populações de risco.
