Browsing by Author "Leite, José Duarte Barros Santos"
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- Consequências a curto e a longo prazo de alterações no metabolismo da galactosePublication . Leite, José Duarte Barros Santos; Monteiro, Carlos; Rivera, IsabelA galactose é um monossacárido vital para o ser humano, com diversas funções no organismo, em particular enquanto fonte de energia primordial em lactentes e pelo papel estrutural crucial, particularmente importante no desenvolvimento inicial. A principal fonte de galactose é a lactose presente no leite e produtos lácteos. Após ingestão, a lactose é hidrolisada no lúmen intestinal pela lactase em glicose e galactose. A galactose é transportada através da membrana da borda em escova do enterócito pelo co-transportador ativo de sódio/glicose SGLT1 e, através de difusão facilitada pelo transportador de glucose GLUT2, através da membrana baso lateral do enterócito. Ao entrar na corrente sanguínea, entra no fígado através da veia porta, o principal local do metabolismo da galactose, onde é internalizado pelo GLUT5. A galactosemia é uma doença hereditária do metabolismo que resulta de mutações nos quatro genes que codificam as enzimas envolvidas no metabolismo da galactose. Estas mutações afetam as enzimas responsáveis pela metabolização da galactose que estão presentes na via de Leloir (galactocinase, galactose-1-fosfato uridiltransferase e difosfato de uridina UDP-galactose 4-epimerase), com a consequente acumulação de galactose no sangue. A galactosemia clássica caracteriza-se pela diminuição de atividade da GALT, devido à ocorrência de uma das mais de 250 mutações no gene que a codifica, e apresenta-se inicialmente, no período neonatal, com sinais clínicos subtis e inespecíficos, como intolerância alimentar, icterícia, letargia, hipotonia, vómitos, diarreia e má evolução estaturo-ponderal. Se não for diagnosticada e tratada, evolui para várias complicações com elevado risco de vida como, hepatomegalia, insuficiência hepática, diáteses hemorrágicas, disfunção renal, encefalopatia, sépsis por E coli, choque e, por fim, morte. Estudos a nível celular demonstraram que a atividade reduzida da GALT ou GALE resulta num aumento do stress oxidativo. Tendo isso em conta, após um século da descoberta da doença, é possível conceber melhores opções terapêuticas como sejam fármacos que reduzem os metabolitos potencialmente tóxicos, antioxidantes para reduzir o stress oxidativo das células ou chaperones farmacológicos para estabilizar as proteínas afetadas. As guidelines de tratamento da galactosemia preconizam uma dieta restritiva em lactose e galactose, bem como o rastreio bioquímico periódico. Adicionalmente, são recomendados diversos outros rastreios, incluindo o desenvolvimento cognitivo, neurológico, oftalmológico, entre outros, uma vez que, apesar das restrições alimentares, os doentes apresentam complicações a longo prazo, como cataratas, baixo coeficiente de inteligência e perdas de densidade óssea, que serão abordadas mais a fundo durante a realização da tese.
