Percorrer por autor "Ferro, Henrique Martins"
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- Impacto da literacia na saúde oral : uma revisão narrativaPublication . Ferro, Henrique Martins; Couvaneiro, JoãoEste trabalho analisa como a literacia em saúde oral, articulada com fatores socioeconómicos e psicossociais, molda desigualdades e condiciona comportamentos de prevenção. Um elevado grau de literacia favorece rotinas preventivas, adesão a consultas, uso de escovas e flúor, e escolhas informadas, refletindo-se em melhor autocuidado e estado de saúde oral ao longo do ciclo de vida. Salienta-se que os homens apresentam maior prevalência de doenças orais em relação às mulheres, associada a comportamentos de risco, tais como menor procura de cuidados, higiene menos regular e consumo de tabaco e álcool. A leitura destes padrões é essencial para orientar intervenções sensíveis ao género, que promovam motivação, acompanhamento e acesso a consultas preventivas. Entre populações especiais, destacam-se barreiras estruturais e informacionais que limitam o acesso a consultas. Em comunidades indígenas, a falta de infraestrutura, a distância dos serviços, custos e baixos níveis de literacia dificultam a acessibilidade ao tratamento e ações preventivas. Também as populações migrantes enfrentam obstáculos no acesso a consultas dentárias, condicionados por instabilidade social, barreiras linguísticas, desconhecimento de direitos e serviços disponíveis. No plano psicossocial, o sentido de coerência ou sense of coherence (SOC) influencia os comportamentos de saúde oral. Indivíduos que percecionam a vida como compreensível e significativa tendem a adotar práticas de higiene consistentes, controlar hábitos de risco e procurar cuidados. Assim, a literacia em saúde oral funciona como mediadora entre condições sociais, crenças e práticas quotidianas, potenciando decisões protetoras. Conclui-se que promover literacia em saúde oral, adaptada a contextos socioeconómicos e culturais, é determinante para reduzir desigualdades. Estratégias devem contemplar comunicação acessível, melhoria de infraestruturas e transportes e abordagens sensíveis às necessidades de homens e de grupos vulneráveis, de modo a fortalecer o autocuidado, os comportamentos preventivos e a equidade em saúde oral.
