Percorrer por autor "Chaparro, Francisco Serra"
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- Relação do tempo de espera para início da fisioterapia e os resultados clínicos obtidos em utentes com lombalgiaPublication . Chaparro, Francisco Serra; Cruz, Eduardo BrazeteIntrodução: A lombalgia é a condição musculoesquelética mais prevalente em Portugal e uma das principais causas de incapacidade a nível global. Apesar de a maioria dos episódios apresentar evolução favorável nas primeiras semanas, o acesso precoce à fisioterapia tem sido destacado como um possível fator positivo para os resultados clínicos como a dor, funcionalidade e qualidade de vida. Contudo, em Portugal, o impacto do tempo de espera até ao início da fisioterapia permanece desconhecido, particularmente quando comparados os contextos de prestação de cuidados convencionado e privado. Objetivo: Analisar a influência do tempo de espera até ao início da fisioterapia nos resultados clínicos em indivíduos com lombalgia, avaliando diferenças entre utentes tratados em clínicas convencionadas com o SNS e clínicas privadas. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de coorte prospetivo, multicentro numa amostra de 56 utentes com lombalgia. Os participantes foram avaliados no início do tratamento e após seis semanas, utilizando a Escala Numérica da Dor (END), o Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ) e o EQ-5D-3L. Foram ainda recolhidos dados relativos ao início dos sintomas, consulta médica e primeira sessão de fisioterapia para aferir os tempos de espera. A relação entre tempo de espera e resultados clínicos foi analisada através do coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: O tempo médio entre o início dos sintomas e a primeira sessão de fisioterapia foi de 71 ± 56 dias, sendo significativamente superior no contexto convencionado. Globalmente, observaram-se melhorias em todos os resultados clínicos após seis semanas, com maior magnitude no setor privado. Identificaram-se correlações moderadas positivas e significativas entre maiores tempos de espera e piores níveis de intensidade da dor (c = 0,496; p = 0,005) e incapacidade (c = 0,505; p = 0,004), bem como correlações moderadas negativas com a qualidade de vida (c = –0,446; p = 0,012). Conclusões: Os atrasos no acesso à fisioterapia associaram-se a piores resultados clínicos, indicando que o tempo de espera é um fator modificável com impacto significativo na dor, incapacidade e qualidade de vida. Estes achados reforçam a necessidade de rever os modelos de referenciação no SNS, promovendo vias mais diretas e céleres para fisioterapia e adotando estratégias de intervenção precoce com potencial para melhorar resultados, otimizar recursos e promover maior equidade no acesso aos cuidados de saúde.
