Percorrer por autor "Basset, Thomas Fabrice"
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- Alterações fisiológicas e (epi)genéticas no corpo humano e a administração de fármacos numa missão espacialPublication . Basset, Thomas Fabrice; Sousa, Catarina BernardesO ser humano, há vários séculos, tem tido um interesse profundo pelo universo que o cerca, especialmente pelo Espaço que se estende acima de nós. Essa curiosidade impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias, tornando possível a exploração espacial e as viagens a destinos cada vez mais distantes. Assim, desde 1961, ano em que o primeiro homem viajou para o espaço, os cientistas têm-se dedicado continuamente a investigar as alterações que ocorrem no organismo humano durante a permanência no espaço, por meio de inúmeras experiências. No espaço, a microgravidade (ou ausência de gravidade), assim como outros fatores, provoca modificações tanto na fisiologia quanto na genética dos astronautas. São exemplos de alterações fisiológicas, entre outras, a perda muscular e óssea, o deslocamento de fluidos, a desregulação do sistema imunológico, mudanças no sistema cardiovascular e no trato gastrointestinal, as quais constituem aspetos a ter em conta na administração de medicamentos. Por outro lado, ao nível da genética também podem ocorrer mudanças, já que as radiações cósmicas, microgravidade e o estresse têm um impacto significativo no DNA e, consequentemente, nas reações bioquímicas no corpo humano, nomeadamente devido a alterações em enzimas metabólicas ou até em recetores de fármacos. Adicionalmente, na investigação, em astronautas, a área da epigenética permite obter conhecimento sobre as modificações na expressão génica, que embora não resultem de alterações da sequência do DNA, podem ser influenciadas por fatores ambientais. Esses estudos têm revelado mudanças epigenéticas significativas nas células dos astronautas, impactando processos como a metilação do DNA e modificações nas histonas. Tais alterações podem afetar a resposta imunológica, acelerar o envelhecimento celular e aumentar o risco de doenças, tanto durante a permanência no espaço quanto após o retorno à Terra. Assim, é fundamental compreender as alterações fisiológicas e (epi)genéticas induzidas pelo ambiente espacial e incorporá-las no planeamento farmacoterapêutico. Nesse planeamento devem ser considerados tanto fatores relacionados ao próprio medicamento, como a sua estabilidade e via de administração, quanto aspetos específicos do astronauta, que podem exigir, por exemplo, ajustes individualizados nas doses. Dessa forma, será possível garantir tratamentos eficazes, prevenir reações adversas e preservar a saúde dos astronautas em missões cada vez mais longas e distantes da Terra.
