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Abstract(s)
A problemática da formação profissional contínua tem vindo a assumir uma nova
centralidade nas sociedades contemporâneas quer enquanto instância de socialização
profissional, sendo um elemento estruturador das políticas de gestão de recursos
humanos capazes de potenciar a competitividade organizacional num contexto em que o
conhecimento se transformou num novo factor de produção, quer enquanto instância de
regulação social, ao assegurar a conformação ideológica e a gestão dos processos de
transição profissional numa sociedade marcada pelo primado da flexibilidade.
No contexto das autarquias locais, a formação profissional contínua tem vindo a ser
chamada a desempenhar um papel mais activo no quadro dos processos de
modernização administrativa os quais se têm centrado fundamentalmente na
intensificação da informatização dos serviços e na redefinição dos processos de
trabalho.
A sua relevância enquanto instrumento de suporte à gestão de tais processos de
modernização administrativa tem vindo a ser reconhecida quer ao nível do poder
central, ao instituir programas de apoio à promoção da formação profissional na
administração local de que o Programa Foral é o exemplo mais paradigmático, quer ao
nível das autarquias, que têm vindo a reforçar a sua aposta na formação o que se tem
traduzido num aumento generalizado do volume de formação.Neste contexto, o investimento na formação é-nos apresentado como uma
inevitabilidade dada a crença, unanimemente partilhada, de que ela é um instrumento
fundamental para a gestão dos processos de mudança organizacional ao preparar os
trabalhadores para a aceitação e adaptação às novas tecnologias e aos novos processos
de trabalho.
Com a presente comunicação pretendemos, a partir de um estudo de caso numa
autarquia, baseado na análise documental, em entrevistas a responsáveis de diferentes
áreas funcionais e num inquérito por questionário aos trabalhadores, dar conta do papel
que a formação profissional tem vindo a desempenhar na gestão dos processos de
mudança em curso bem como de algumas das dinâmicas da política de formação.
A prossecução de um tal objectivo levou-nos a considerar um conjunto de dimensões de
análise das quais destacamos, pela sua centralidade: a estratégia de formação
institucional, a percepção que os diferentes actores têm dessa estratégia, o nível de
participação desses mesmos actores no processo formativo, o grau de acessibilidade à
formação por parte de diferentes grupos sócio-profissionais e a percepção dos impactos
da formação nos planos individual e organizacional.
Os resultados obtidos permitem-nos concluir pela existência de uma representação
positiva no que concerne à importância atribuída à formação profissional bem como aos
seus impactos por parte dos diferentes actores organizacionais. Tal representação
positiva surge, contudo, atravessada por fortes clivagens no acesso à formação bem
como nos usos que dela são feitos por parte dos trabalhadores quer por parte dos
responsáveis pelas diferentes áreas funcionais.
Description
Comunicação apresentada no XII Encontro de Sociologia Industrial, das Organizações e do Trabalho, Lisboa, 2007