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As bases de dados de conflitos armados mostram que as guerras convencionais entre Estados se tornaram cada vez mais raras, e os conflitos irregulares e assimétricos ganharam grande peso relativo desde 1945. As derrotas das campanhas de contrainsurreição dos EUA no Vietname (1965-1975) e da URSS no Afeganistão (1979-89) também mostram que neste tipo de conflitos é possível a vitória de atores mais fracos com impacto significativo na política global. O que aponta para este paradoxo central: como é que um David pode derrotar um Golias?
É, portanto, indispensável analisar os desafios de conflitos de tipo não-convencional, as ameaças assimétricas representadas por adversários não-estatais que recorrem a táticas de terrorismo e de guerrilha. Mostra-se que há uma série de tendências que favorecerem crescentes assimetrias a nível global e tornam lógica uma resposta estratégica violenta com recurso a métodos irregulares por parte de atores não-estatais e mesmo estatais, com implicações significativas ao nível das políticas de segurança e defesa. Mas também sublinha-se que os conflitos de tipo assimétrico, nos quais as guerras híbridas não são uma completa novidade, e mesmo a tendência para a sua prevalência vem já desde 1945.
Conclui-se, que, ainda que este tipo de conflito tenda a prevalecer, e tenha aspetos novos que é preciso analisar e responder, seria imprudente abandonar completamente capacidades convencionais ou prometer uma solução fácil e vitoriosa para conflitos assimétricos. A natureza dos conflitos não-convencionais torna as vitórias rápidas praticamente impossíveis e não é da natureza dos estudos de segurança oferecer garantias de vitória em qualquer tipo de conflito.
