Percorrer por autor "Clemente, Paulo"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Perspetivas de utentes e profissionais de saúde para a adaptação do Programa SPLIT para um modelo de telereabilitação: um estudo qualitativoPublication . Clemente, Paulo; Cruz, Eduardo BrazeteIntrodução: A lombalgia (LG), em Portugal, é a condição músculo-esquelética mais prevalente na idade adulta. Embora com bom prognóstico, parte dos utentes pode desenvolver dor persistente e incapacitante a qual está associada a elevados custos diretos e indiretos. No programa SPLIT, implementado nos ACES Arrábida e Arco Ribeirinho, o tratamento de utentes com LG segue uma intervenção estratificada com base no risco de desenvolver dor persistente e incapacitante, tal como recomendado pelas linhas orientadoras mais recentes. Por forma a assegurar a continuidade dos cuidados de saúde durante o confinamento de 2020, os profissionais recorreram à intervenção por meios remotos, telereabilitação (TR). O interesse pelo desenvolvimento de modelos de TR é anterior à pandemia Covid-19, no entanto, estes nem sempre são baseados nas linhas orientadoras mais atuais, nem o seu desenvolvimento é antecedido pela auscultação dos seus potenciais utilizadores (profissionais e/ou utentes), pelo que contemplam conteúdos, formatos e modos de utilização desajustados às necessidades do utilizador, condicionando a aceitação e utilização dos programas por parte destes. Objetivo do estudo: Com o presente estudo pretendemos explorar as perspetivas das diferentes partes interessadas acerca da adaptação do Programa SPLIT a um formato de serviço de TR, identificando as necessidades e objetivos e especificando os valores que devem orientar esse serviço. Metodologia: Para este estudo recorreu-se a uma metodologia de investigação qualitativa com a realização de dois grupos focais que envolveram profissionais e utentes em simultâneo. Tanto os profissionais como os utentes recrutados tinham experiência na participação do Programa SPLIT a prestar e a receber cuidados, respetivamente. Os grupos focais seguiram um guião de entrevista semiestruturada, foram gravados e transcritos textualmente na integra. Para a análise dos dados foi realizada uma análise temática. Resultados: Por forma a respeitar um conjunto de valores considerados essenciais pelos participantes na intervenção por meios remotos (segurança e privacidade), esta deverá ter uma componente presencial inicial, sendo que a opção por este formato deverá ser uma escolha do próprio utente. Os participantes veem vantagens na TR na triagem, tratamento e após alta, nomeadamente pela possibilidade de acesso a dados clínicos remotamente; partilha de conteúdos educacionais e aconselhamento; e acompanhamento da evolução da condição. Para que um modelo de TR responda às necessidades identificadas deverá assentar num modelo híbrido, permitir a partilha de informações entre profissionais, a partilha de informação e o contacto entre profissionais de saúde e utentes, e desenvolver as competências de comunicação dos profissionais. Conclusões: A adaptação do tratamento presencial da LG para um modelo de TR é possível, desde que o modelo de intervenção assente num modelo híbrido, por forma a garantir a segurança do utente. Este deverá ainda assegurar a privacidade do utente e ser uma opção de escolha do utente. Este modelo deverá também proporcionar um apoio e interação contínuos entre profissional e utente. Os profissionais consideram necessária a aquisição de infraestruturas e equipamentos adequados e educação formal para prestação de cuidados remotos.
